FILHO, SERVO E SANTUÁRIO

O cristão genuíno, nascido de novo, possui três dádivas recebidas de Deus na manifestação da sua graça: Filho de Deus (João 1.12); servo de Jesus Cristo (Fil 1.1) e santuário do Espírito Santo (1 Co 6.19,20). São três realidades que formam a natureza do regenerado. Como filho de Deus, por meio da obra da cruz, ele tem o direito a todas as promessas do Pai; como servo de Jesus Cristo tem todas as ordens a serem cumpridas e como santuário do Espírito Santo tem em si a manifestação do seu poder para a proclamação do evangelho.

Como filho de Deus, ele tem a responsabilidade de obedecer ao Pai. A obediência é a conduta normal na relação filho-pai. Há uma comunhão intima entre pai e filho. O Pai tem autoridade sobre o filho. A obediência não é fruto de intimidação, mas de amor. O filho de Deus é obediente a seu Pai porque o ama. Amar a Deus sobre todas as coisas é a base para a obediência em tudo o que fazemos para Ele e para o próximo. Na obediência há prazer. Possuo alegria na obediência ao autor da minha salvação. A motivação do filho de Deus para trilhar no caminho da obediência está no amor incondicional do Pai. O filho conhece, por meio da revelação das Escrituras, o coração e a vontade do Pai. Este se revelou de modo claro, cristalino na Sua Palavra, na criação, na consciência do homem e em Jesus Cristo. O filho sabe que o seu Pai tem atributos naturais e morais. Mas além de filho, o cristão é servo do Senhor Jesus Cristo.

Na qualidade de servo o cristão se submete à vontade do seu Senhor. O servo sabe que o mais importante para ele é a vontade do seu Senhor revelada nas Santas Escrituras. Paulo possuía essa consciência no relato que fez aos pastores de Éfeso, na cidade de Mileto: “Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus” (At 20.24). Podemos perceber claramente a consciência de escravo exposta pelo apóstolo aos gentios. Para ele o viver era Cristo (Fil 1.21). Aos coríntios, ele testemunhou que trazia em seu corpo o morrer de Jesus para que a Sua vida se manifestasse em sua carne mortal (2 Co 4.10). Paulo transpirava o ser servo de Jesus Cristo. A sua vida e a de Cristo estavam amalgamadas. Para ele, Cristo era tudo e a esperança da glória (Col 1.27; 3.11). Além de filho e servo, o cristão é também santuário do Espírito Santo.

Como santuário ou templo do Espírito Santo, o cristão santificou o seu corpo ao Senhor. Uma vez lavado no sangue do Cordeiro, o cristão tem o seu corpo santificado para servir e glorificar a Deus (1 Co 6.19,20). A convicção de que o corpo é santuário onde habita o Espírito Santo, leva o cristão a rejeitar de forma veemente tudo aquilo que traz contaminação e enfermidade para o seu corpo. Paulo ensina que devemos oferecer os nossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus como culto racional, lógico (Rm 12.1,2). O homem ou a mulher sem Cristo usa o seu corpo para o prazer pelo mero prazer. O corpo é desgastado física e moralmente. Usado para todo o tipo de imoralidade. Paulo ordena aos irmãos em Corinto a fugirem da prostituição (1 Co 6.18). Muitas doenças estão se disseminando por causa do uso indevido do corpo criado tão amorosamente pelo Senhor.

Então, filho, servo e santuário estão conectados pela obra de Cristo na cruz e na ressurreição. Estas três dadivas são próprias ao salvo por Jesus Cristo, pelo seu sangue derramado na cruz. A Triunidade de Deus está presente nessas três realidades do cristão autentico. Nós temos o Deus que salva em Cristo; Cristo Jesus torna-se Senhor e o Espírito Santo nos usa como seu santuário (Ef 1.3-14).

Cada um de nós é filho, servo e santuário. Estas três realidades exigem obediência, submissão e perseverança. O cristão perdeu o domínio da sua vida. Ele é nova criatura (2 Co 5.17). A sua nova condição é de serviço abnegado. Não é mais ele, mas Cristo (Gl 2.20). Ele recebeu talentos (naturais) e dons (espirituais) para serem usados no testemunho do evangelho em todo o mundo. Ele não tem outra alternativa a não ser obedecer. Que cada um de nós seja filho obediente; servo abnegado e santuário limpo para ser usado pelo Espirito Santo.

Oswaldo Luiz Gomes Jacob, pastor.

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