Estavam entre nós, mas não eram dos nossos

Essa é a expressão de João, o apóstolo, em sua primeira carta (2.19), ao se referir àqueles que deixaram ou abandonaram a igreja. Vez por outra ouço pastores que manifestam a sua angústia com a saída de membros da sua igreja em direção a outras igrejas, especialmente os que serviam o Senhor na comunidade dos salvos. Sempre digo a eles que ninguém é insubstituível e que Deus sempre manda outros para exercerem dons e talentos na igreja local. Depois de pregar sobre a Sua dura missão, o Senhor Jesus, que era perfeito, foi abandonado por aqueles que O seguiam e perguntou aos apóstolos se eles queriam deixa-lo também (João 6.60-66). Nós sempre teremos no âmbito eclesiástico o movimento de membros maduros e imaturos. Pessoas mudam de uma igreja para outra achando que a próxima atenderá todas as suas expectativas, sendo assim perfeita. Até comparam o pastor anterior com o futuro pastor. Mais tarde, virá a decepção. É uma questão de tempo, pois nem Jesus agradou a todos. Nenhum obreiro vai agradar a todos. Charles Swindoll afirmou sabiamente: “Eu não sei o segredo do sucesso, mas sei o segredo do fracasso: tentar agradar todo o mundo”. Há líderes que agradam, bajulam, fazem proselitismo, criam expectativas exageradas em relação aos que chegam. Certamente terão decepções. Há igrejas inchadas de membros problemáticos de outras comunidades.

Particularmente, não tento convencer ninguém a ficar. Que Deus me livre de bajular quem quer que seja. Não tenho a pretensão de persuadir quem quer que seja. Que a pessoa saia sem nenhuma raiz de amargura ou qualquer ressentimento porque vai prejudicar a si mesma, a sua família e a igreja para onde está se transferindo. As pessoas têm todo o direito de saírem da sua igreja para outra, mas devem fazê-lo de forma transparente, consciente e sem nenhuma pendência. Geralmente o que faz algumas pessoas deixarem a igreja é a sua vontade contrariada. Sentem-se como clientes que não foram bem atendidos pela organização. Nesse ponto falta humildade. Carece de maturidade. Não possui conhecimento do que seja a igreja criada por Jesus Cristo. Precisam fazer uma leitura meditativa do Novo Testamento, especialmente.

É muito triste ver pessoas insatisfeitas na sua comunidade de fé. O pior é a sua postura beligerante, conflitiva e marcadamente fragmentadora dos relacionamentos. Elas não conversam com o pastor. E este, muitas vezes, é o último a saber que elas vão sair. Há membros de igreja que não gostam da mensagem, do jeito e da família do pastor. Os que amam a igreja têm prazer em servir na comunidade da graça. Os que amam a igreja de Jesus superam as adversidades no meio dela. Os crentes que amam a sua igreja oram e trabalham fortemente para a sua edificação. As pessoas que amam a igreja de Jesus crescem com ela. Ensinam os seus filhos a amarem a comunidade dos salvos. Elas caminham a segunda milha tão ensinada por Jesus. É lamentável posturas exclusivistas, marcadas por imaturidade. Procedimentos egocêntricos. Atitudes que não correspondem à vida cristã normal. Paulo, escrevendo aos irmãos em Corinto, com tristeza, disse: “Irmãos, não vos pude falar como a pessoas espirituais, mas como a pessoas carnais, como crianças em Cristo” (1 Co 3.1). O apóstolo estava triste ao ver tanta imaturidade no meio da igreja de Jesus.

As pessoas saem de suas igrejas levando uma carga de ressentimentos e angustias. Retiram-se pesadas, carregadas de insatisfação. Elas não têm ideia de como isso é altamente prejudicial para a sua vida espiritual. Paulo ensina magistralmente: “Quando eu era criança, pensava como criança e agia como criança, mas quando passei a ser homem, acabei com as coisas de criança (1 Co 13.11). Muitos membros de nossas igrejas precisam tirar as roupas de criança e vestir as de alpinista para galgarem as alturas da comunhão com o Senhor. Ser cristão significa viver para Cristo sofrendo por Sua causa. Paulo afirmou: “não mais eu, mas Cristo” (Gl 2.20). O viver do apóstolo aos gentios era Cristo e o morrer, lucro (Fil 1.21).

A igreja não é um clube, uma creche, um museu para santos, mas um hospital para pecadores. Um ambiente onde há pessoas doentes que precisam ser tratadas e curadas. Muitas delas com feridas profundas. O triste é que há aquelas que estão sempre reclamando e adoecem outros membros do Corpo de Cristo. Estão sempre insatisfeitas, mas nada fazem a não ser reclamar, murmurar e praguejar. Outras, são como dormideiras, altamente sensíveis, que não podem ser tocadas pela exortação porque se encolhem, ficando magoadas e ressentidas. Culpam a igreja. Não se deixam ser tratadas pelo Senhor. Em sua postura, pensam que têm tudo a ensinar e nada a aprender. São dispersas. Estão dentro da comunidade dos redimidos, mas o seu coração está distante da sua comunhão.

Sim, estavam entre nós, mas não eram dos nossos. Esta afirmação é muito triste. Há pessoas que passam anos na igreja e não a amam. Elas querem que sua vontade seja feita. A sua opinião é mais relevante. Todavia, a vontade de Deus deve ser sempre central, sendo muito mais importante do que a nossa vontade. As pessoas querem mudar a igreja, mas não mudam as suas atitudes e os seus atos. Levarão os problemas para a outra comunidade onde vão congregar. Como pastor, a minha postura é de orar por elas e desejar que sejam muito bem-sucedidas desde que resolvam as questões motivadoras de sua saída. Que ao chegarem na outra igreja não façam comparações, pois cada igreja tem a sua particularidade. Também, que elas sejam comprometidas e não apenas envolvidas na nova igreja. Que tenham aprendido lições com a experiência na igreja anterior. Que deixem a igreja em paz com o Senhor e com os outros membros do Corpo de Cristo, podendo voltar para visitarem os antigos irmãos com uma consciência amadurecida.

Oswaldo Luiz Gomes Jacob, pastor.

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