SANTIDADE

Santidade é um substantivo que revela a condição do santo, daquele que foi separado por Deus para viver uma vida de obediência, renúncia e serviço abnegado a partir de Cristo. A santidade de vida é uma experiência de prevalência do caráter de Cristo em nós. Experimentar a santidade é viver uma vida cristificada, ou seja, semelhante a Cristo. É andar como Ele andou (1 João 2.6). É viver o fruto do Espírito (Gl 5.22,23). Quanto mais deixo de ser eu mesmo para viver a vida de Cristo, aí experimento a santidade, que é essencial para agradar ao Senhor e testemunhar o evangelho de Cristo aos homens. A santidade é condição essencial na vida do cristão autêntico.

Como assinala J. C. Ryle, “a fé em Cristo é a raiz de toda a santidade; que o primeiro passo em direção a uma vida santa é confiar em Cristo; que, enquanto não cremos, não temos o menor sinal de santidade; que a união com Cristo mediante a fé é o segredo tanto do início como da continuação na santidade; que a vida que vivemos na carne deve ser vivida pela fé no Filho de Deus; que a fé purifica o coração; que a fé é a vitória que vence o mundo; que pela fé os antigos obtiveram bom nome – são verdades que um crente bem-instruído jamais pensaria em negar. Mas, as Escrituras certamente nos ensinam que para seguir a santidade, o verdadeiro crente precisa exercer o esforço pessoal e trabalho tanto quanto a fé. O mesmo apóstolo que diz: ‘Esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus’, disse também em outra passagem: ‘Assim corro … assim luto … esmurro o meu corpo’. Em outros trechos, ele diz: ‘Purifiquemo-nos de toda impureza … esforcemo-nos, pois, por entrar … desembaraçando-nos de todo peso’ (Gl 2.20; 1 Co 9.26; 2 Co 7.1; Hb 4.11 e 12.1).[1]

A santidade não é para ser vivida simplesmente na mente, mas no coração. Ela não está dissociada da vida de frutos. O cristão que experimenta a santidade tem prazer na lei de Deus e nela medita dia e noite (Sl 1.3). Ele possui um compromisso com a santidade do Senhor e a consequente pregação do evangelho bíblico. Santidade não é um clichê evangélico, mas uma profunda experiência com Cristo na Sua vida, Sua morte e Sua ressurreição (Rm 6.1-11). O evangelho de Cristo Jesus é o poder de Deus para a salvação de todo o que crê (Rm 1.16). A mensagem do evangelho é a da salvação, santificação e glorificação. O homem em Cristo é salvo, santificado e glorificado. O mesmo Cristo que salva é o mesmo que santifica no Espírito Santo. A glória do cristão, a sua segurança, vem somente de Cristo Jesus.

Quanto mais santos mais nos parecemos com Jesus. Viver em santidade de vida é colocar dons e talentos à serviço do Mestre. O cristão santificado não faz questão em ser servido, mas em servir (Mt 20.28). Há, também, um grande amor no seu coração. Este amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera e tudo suporta (1 Co 13.4-8). É o amor em atitudes e atos. Santidade tem a ver com a compaixão, a solidariedade, a justiça, a verdade, a longanimidade, a fé, a mansidão e a coerência entre o que pensa, sente, fala e age. A coerência de Cristo deve ser sempre a aspiração do cristão. Num mundo de relativismo ético, moral, devemos viver sobre os fundamentos sólidos da doutrina cristã tão claramente ensinada nas Escrituras. O Sermão do Monte, ensinado por Jesus (Mateus 5,6 e 7), é um modelo de uma vida santificada. O cristão genuíno, não nominal, está comprometido com a verdade. Ele rejeita todo tipo de erro e imoralidade. O seu prazer é viver uma vida de pureza, santidade às raias da morte. Paulo testemunhou: “Para mim o viver é Cristo e o morrer, lucro” (Fil 1.21).

A santidade de vida só existe a partir da conversão genuína, da mudança do coração, quando o Espírito Santo convence o homem do pecado, da justiça e do juízo (João 16.8-11). A vida do cristão é separada do mundo, não sofre as influências do mundo, mas o seu testemunho e a sua influência são notórios no mundo. A vida cristã autêntica é uma vida de santidade, profunda piedade e integridade a toda prova. A qualidade da santidade está ligada ao fruto, ao testemunho fidedigno que deixa as suas marcas profundas. O Senhor é Santo e ordena que sejamos santos em todo o nosso procedimento (Lv 11.44; 19.2; 1 Pe 1.16). Somos filhos de um Deus que é Santo, perfeitamente Santo, Justo em todos os Seus caminhos e benigno em todas as Suas obras (Sl 145.17). Quando vivemos uma vida de santidade Deus, o nosso Pai, é glorificado (Mt 5.16). Que assim seja!

Oswaldo Luiz Gomes Jacob, pastor.


[1] RYLE, J. C. Santidade. São José dos Campos, SP: Editora Fiel, 2010, p. 15.

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