DEVEMOS ORAR COMO UMA CRIANÇA

Como é necessário orarmos como uma criança! Como é relevante dizermos: “Abba Pai, ou seja, Pai íntimo, Paizinho” (Rm 8.15; Gl 4.6). A criança tem algumas características que foram reconhecidas pelo Senhor Jesus Cristo. Por isso, Ele disse claramente que “quem não se fizer como uma criança não pode entrar no Reino dos céus” (Mt 18.2). A criança tem algumas qualidades bem definidas e que devem ser vividas por nós seja na oração ou em qualquer outra área de nossas vidas. São elas: dependência, pureza, sinceridade e simplicidade.

A dependência do ser infantil é notória. Uma criança sozinha não sobrevive. Ela precisa de alguém que cuide dela com amor e afetividade. Ela precisa para a sua sobrevivência de abrigo, do alimento, do banho, de sono, segurança familiar, amor, afeto, desafios, educação e disciplina. A criança não sobrevive sem o cuidado de um adulto. Ela é totalmente dependente dos que são responsáveis pelo seu crescimento físico, moral, emocional e espiritual. Acima de tudo, a criança depende de Deus. Jesus as chamou para junto de Si (Mt 19.14).

Outra qualidade da criança é a pureza. Não há ser humano mais puro do que uma criancinha. Essa pureza se mostra em sua forma e em seu conteúdo. Não é possível, ao olharmos para uma criança, não vermos a sua pureza. Há limpidez em seu semblante. Ao olharmos para o seu pequeno rosto podemos perceber a sua pureza. Devemos ser puros em nosso olhar. O nosso rosto deve ser como o rosto de uma criança. Mas muitas vezes somos maldosos em nosso olhar. O nosso semblante está carregado de maldade, inveja e facciosidade. Oramos com um semblante tendencioso e com olhos doentes, resultado de uma cardiopatia congênita, ou seja, de um coração doente, que herdamos de Adão. Todavia, o coração límpido de uma criança torna o seu olhar igualmente puro. A pureza de uma criança é contagiante. Por esta razão, é que Jesus nos ordenou a olharmos para ela.

A sinceridade é outra característica bem definida na criança. Ela não esconde a sua insatisfação. Não mascara sentimentos, vontades e opiniões. Ela é ela mesma. Não é hipócrita. Não é politicamente correta. Ela não utiliza mascaras que escondem a maldade, perversidade e deslealdade. A sinceridade da criança deve ser imitada por nós a cada dia. Devemos ser autênticos em nossas orações a sós ou na coletividade. Deus quer que nossas palavras sejam coerentes com o nosso interior. Que as nossas manifestações verbais sejam alinhadas com as não-verbais. Quando a criança não nos aceita é isso mesmo. Geralmente, ela não bajula, não faz média e não tem interesse em agradar quem quer que seja. Deus se deleita sobremaneira quando vislumbra orações sinceras, do coração, das entranhas. Ele quer que sejamos nós mesmos em todo o tempo. O nosso Deus não é politicamente correto.

A última qualidade da criança é a simplicidade. Jesus sempre foi simples na contramão da sofisticação dos religiosos e dos seculares de Sua época. A singeleza ou a simplicidade é latente nos pequeninos. A sua maneira de ser, de falar e de agir encanta os olhos dos maduros, dos discípulos de Cristo. Devemos orar como uma criança ora na sua simplicidade de palavras. Ela não tem o nosso vocabulário muitas vezes rebuscado, sofisticado, mas um linguajar simples, prático e direto. Ela não se utiliza de “frescuras” e de truques em sua maneira de se expressar para Deus e para os homens. Como adultos, somos desafiados a orar com a simplicidade do coração de um pequenino, expressando sempre sentimentos que agradam a Deus. Ele não está interessado em vernáculo rebuscado, em oratória, em alternação de voz, mas num coração quebrantado e contrito (Sl 51.17).

O Senhor não está focado em pompa, em liturgia que impressiona os homens, mas num linguajar que expresse dependência, pureza, sinceridade e simplicidade, seja na vida pessoal, seja na comunidade dos redimidos. Deus é glorificado em nossas orações à medida em que o nosso coração reflete o Seu caráter. A criança, a sua maneira de ser, é uma inspiração para orarmos a Deus em todo o tempo. Devemos aprender com a criança a orar de modo agradável a Deus Pai. Que Ele seja sempre o nosso Pai íntimo, o nosso Paizinho tão amado, que deve ser todos os dias dignificado em nossas atitudes e ações. Oremos como crianças para a glória do nosso Abba Pai!

Oswaldo Luiz Gomes Jacob, pr.

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