Paixão missionária

Jesus tinha uma paixão missionária. Ele a resumiu muito bem quando afirmou: “O Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido” (Lc 19.10). Ele é o missionário por excelência, pois deu a Sua vida por nós na cruz, derramando o Seu precioso sangue para a nossa salvação. Sendo Deus, fez-se carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a Sua glória como a glória do unigênito do Pai (João 1.14). Aqui temos a dimensão do amor de Deus em Cristo Jesus, revelado pelo Espírito Santo. Podemos dizer que a Trindade tem uma paixão missionária. As três Pessoas trabalham perfeitamente sincronizadas para salvar o homem perdido. Deus tomou a iniciativa da reconciliação do homem em Cristo na ação poderosa do Espírito Santo (2 Co 5.18-20; Ef 1.3-14; João 16.8-11). Recebemos da Trindade o ministério da reconciliação. Precisamos considerar agora três componentes fundamentais que formam a paixão missionária.

O primeiro é a paixão pela glória de Deus. Uma vez salvos, recebemos a natureza divina, a natureza do perdão e da reconciliação. Tendo essa natureza, o nosso maior alvo é a glória de Deus. Temos paixão por essa glória. Desejamos que o Pai seja sempre exaltado em tudo o que fizermos. Reconhecemos que o nosso Pai em Sua natureza é majestoso, sublime e soberano. O nosso coração se satisfaz nEle. A paixão por Sua glória leva-nos a um compromisso vital com Ele e com todo o Seu plano delineado na eternidade. Todas as nossas ações devem passar necessariamente pela glória de Deus. Quer comamos, quer bebamos ou façamos qualquer outra coisa, devemos fazer tudo para a glória de Deus (1 Co 10.31). A glória de Deus é a revelação da Sua majestade, Sua santidade e Sua vontade. O profeta Isaias, na sua chamada, teve uma experiência muito forte com a gloriosa santidade de Deus (6.1-8).

O segundo é a paixão pela santidade de vida. Devemos ser santos em todo o nosso procedimento (1 Pe 1.16). A nossa identidade com o Pai pressupõe uma vida santa. Devemos nos empenhar por uma vida de santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor (Hb 12.14). A nossa paixão pela santidade de vida revela o nosso compromisso diário com o Senhor e com um estilo de vida que produza impacto na sociedade. Devemos buscar com intensidade de alma a nossa semelhança com Cristo. O campo missionário é resultado de uma paixão pela obra de Cristo na cruz e na ressurreição. A paixão por nossa santidade nos leva a um compromisso com o trabalho missionário dentro e fora do Brasil. Na perspectiva cristã, santidade e ações propositivas são causa e efeito. Uma vida santa produz atitudes e atos santos. O profeta Isaias teve os seus lábios santificados pelo Senhor (6.6,7).

O terceiro é a paixão pelas pessoas perdidas. O cristão genuíno tem prazer em aproveitar cada oportunidade para evangelizar pessoas e ganhá-las para Cristo. O apóstolo Paulo tinha essa paixão para com os párias, perdidos e os abandonados pela sociedade espartana. O testemunho do evangelho de Jesus era mais importante do que a sua própria vida (At 20.24). É impressionante a consciência paulina a partir da sua paixão missionária. Para o apóstolo aos gentios, Cristo era tudo em todos (Cl 3.11). O apóstolo era um missionário transcultural visceralmente comprometido com o evangelho de Cristo do qual não se envergonhava (Rm 1.16). O profeta Isaías, depois de experimentar a santidade gloriosa de Deus; de ter os seus lábios purificados ou santificados pelo Senhor, agora está pronto para a paixão missionária. Ele disse: “Aqui estou eu, envia-me” (6.8).

É prazeroso constatar a paixão missionária dos evangelistas Marcos, Lucas, Mateus e João. Todos os quatro estavam comprometidos com a mensagem de salvação para o homem perdido. Cada um deles, inspirado pelo Espírito Santo, trabalhou muito bem a ênfase da Pessoa e obra de Cristo em cada evangelho. Para eles Jesus era o Servo, Filho do homem, Rei e Filho de Deus. Com a sua paixão missionária, eles proclamaram Cristo e o seu testemunho chegou até nós. Quatro homens com uma mensagem inigualável.

William Carey, Hudson Taylor, Adoniram Judson e outros obreiros, foram para o campo missionário e realizaram uma grande obra, ganhando vidas preciosas para Cristo. O legado deles permanece, e eles são sempre uma inspiração para os missionários e para os crentes de um modo geral. Quais as razões? Primeira, foram motivados pela glória de Deus; segunda, possuíam uma paixão pela santidade de vida; e terceira a sua paixão por pessoas perdidas. Havia um tríplice compromisso: com o Senhor, consigo mesmos e com o próximo.

A paixão missionária é um sentimento de obediência ao Senhor Jesus Cristo na Grande Comissão (Mt 28.18-20). Paulo recebeu na cidade de Damasco o chamado de Deus por meio de Cristo Jesus para o ministério missionário (At 9.1-15). Não se pode proclamar Cristo sem a paixão por Ele. Aqui está o combustível que mantêm acesa a chama da enorme responsabilidade de pregar todo o evangelho ao homem todo em todo o lugar. Pedro e João estavam movidos por uma paixão missionária quando pregaram o evangelho e viram pessoas sendo curadas (At 2, 3 e 4). A história de missões é a da paixão pela glória de Deus. A paixão missionária é fruto da nossa adoração a Deus em todo o tempo. Exerçamos a paixão por missões em cada oportunidade e em todo lugar até que Cristo volte com grande poder e grande glória!

Oswaldo Luiz Gomes Jacob, pr.

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