QUE OS HOMENS NOS CONSIDEREM MINISTROS DE CRISTO

Esta afirmação paulina está na contramão do que temos visto hoje no ministério pastoral. Ser ministro do evangelho (há exceções à regra) se tornou status e um trabalho para quem não deu certo na vida secular. Homens despreparados, rasos, dispersos, artificiais, interesseiros, frios, arrogantes e alguns até com boa oratória, fazendo muito barulho, mas sem conteúdo de vida. Há aqueles que estão na crista da onda, mas enganado a si mesmos e ludibriando o povo incauto. Temos visto os ministros do evangelho apreciando o pódio em detrimento do chão ou húmus. Elementos arrogantes, disputando politicamente lugares na denominação. Homens capazes de fazer as piores manobras para exercerem cargos, mas que não querem cargas. Estas são para os outros. Não querem ser servos, mas senhores. Influenciados pelo elitismo e pelo estilismo.

Que os homens nos considerem ministros ou servos de Cristo encarregados ou administradores, mordomos dos mistérios de Deus (1 Co 4.1). A palavra grega para ministros ou servos é υπερετης (huperetes), isto é, ‘auxiliar, alguém que presta serviços a outra pessoa”[1]; ministro, ajudante, ‘assistente’, ‘súdito’, servo ou remador inferior, de terceira categoria”.[2] Essa palavra é muito forte e agressiva para boa parte dos ministros de hoje. Para muitos é um termo ofensivo. Choca com o triunfalismo e a prosperidade tão presentes e arrasadores no ministério pastoral. Há um personalismo estabelecendo o tom ministerial. Líderes ditadores, que não admitem posicionamentos contrários, ideias novas e outras contribuições pertinentes. Eles se assentam no trono do autoritarismo. No pódio da promoção pessoal. Numa posição de destaque. Apreciam ser ovacionados, reconhecidos e premiados. São homens com a volúpia do ter em detrimento do ser em Cristo Jesus.

Que os homens nos considerem ministros vivendo a simplicidade de Cristo. Ele nos ensinou a ser mansos e humildes de coração. O Mestre nos ensinou a perdoar e não perseguir os que nos ofendem, a amar os nossos inimigos e bendizer os que nos perseguem (Mt 5.43-48). Em determinadas reuniões associacionais e convencionais fico impressionado com a bajulação, a tietagem e a busca pelo poder. São elementos que não querem largar o osso. Gostam de mandar, determinar e manipular as pessoas. Eles não exercem autoridade, mas o autoritarismo.

Sejamos considerados ministros, escravos, prontos para morrermos pelo Senhor (At 20.24). Que o Senhor e a Sua obra sejam mais preciosos do que a nossa própria vida. Que valorizemos as pessoas, os nossos encontros, a nossa comunhão, a nossa abençoada fraternidade cristã. Numa formatura recente, um executivo de uma de nossas organizações estava no celular o tempo todo. Quando não estava no celular, conversava com o outro executivo. É uma verdadeira falta de respeito, consideração, apreço, honra aos que estavam falando, aos formandos, ao auditório e, principalmente ao Senhor. Há pessoas que são assim, absortas em si mesmas, desqualificadas para a missão de liderar. Homens vazios, sem respeito e consideração pelos seus irmãos. Líderes que fazem acepção de pessoas. Homens viciados em desatenção, em dispersão. O seu foco é outro. Mente e coração voltados para os interesses meramente pessoais.

Que sejamos encontrados fieis, íntegros, corretos, puros em nossa liderança. Administradores comprometidos com o caráter de Cristo. Sejamos ministros, escravos, cheios do amor do Pai, da graça de Jesus Cristo, o Filho, e do poder do precioso Espírito Santo. Não usemos a nossa posição para sermos servidos, mas para servirmos às pessoas no amor de Cristo. Ele é o nosso modelo de servo (Mt 20.28). Que a simplicidade de Cristo inunde as nossas entranhas e consequentemente o ministério que recebemos dele. Valorizemos as pessoas mais simples. Ouçamos as ovelhas de Cristo. Aprendamos com a igreja, com os membros do Corpo vivo de Cristo. Sim, que os homens nos considerem apenas servos, humildes e mansos como o Sumo Pastor, que com amor incomparável, deu a Sua vidas por nós. Que a glória de Deus seja o centro do nosso ministério. Que a nossa boca esteja no pó. Dia a dia peçamos misericórdia a Deus para o exercício do ministério que nos foi conferido por Cristo, o Senhor. Que os homens vejam Cristo em nós, a esperança da glória (Cl 1.27).

Oswaldo Luiz Gomes Jacob, pastor.


[1] RIENECKER, Fritz. ROGERS, Cleon. CHAVE LINGUÍSTICA DO NOVO TESTAMENTO. São Paulo: Edições Vida Nova, 1ª. edição, 1985, p. 292.

[2] TAYLOR, W. C. DICIONÁRIO DO NOVO TESTAMENTO GREGO. Rio de Janeiro: Juerp, 5ª. edição, 1978, p. 232.

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