MINISTRO E DESPENSEIRO

Assim, os homens devem nos considerar servos ou ministros de Cristo encarregados ou despenseiros dos mistérios de Deus. Além disso, o que se requer de pessoas assim encarregadas é que sejam encontradas fiéis (1 Co 4.1,2).

Que privilégio ser um ministro de Cristo, administrador dos mistérios de Deus! Que imensa responsabilidade! O ministro é o remador de baixa categoria, remador subordinado.[1] Ele é o remador-administrador ou o servo-administrador. Não é possível um ministro arrogante, prepotente, cheio de si, com tanto orgulho. Gente que faz do ministério degrau para a sua proeminência e oportunidade para enriquecimento e manifestação de poder manipulador. Ser ministro é ser servo pronto para servir com a sua própria vida, com dons e talentos dados pelo Senhor. Servir com o amor de Cristo. Ele é o remador subordinado. Está sob a autoridade de Cristo Jesus. Não tem vontade própria. A vontade de Deus em Cristo Jesus é a sua vontade.

O texto-chave revela que o pastor é ministro e também despenseiro[2], administrador que deve ser encontrado fiel,[3] vivendo de forma verdadeira e digno de confiança (1 Co 4.2). Ele é o despenseiro dos mistérios[4], das coisas escondidas, da revelação de Deus em Cristo Jesus. É digno de confiança para cuidar dos negócios do Pai. Não é admissível um ministro ser infiel, de quem se desconfia e dissimulado em suas atitudes e ações. Ele deve ter a coerência de Cristo, a coerência da cruz. Ser ministro, então, é viver em constante submissão Àquele que o chamou apenas por graça e por misericórdia. Esta era a consciência recorrente em Paulo. Ele se achava indigno de tamanho encargo no Reino de Deus (2 Tm 1.9). Aprecio muitíssimo o que alguém repartiu com muita convicção: “Deus não chamou homens extraordinários para um trabalho comum, mas homens comuns para um trabalho extraordinário”.

O apóstolo Paulo era um exemplo de ministro e despenseiro. Assim como ele recebeu do Senhor a ordem e a revelação, obedeceu e foi fiel em todo o tempo. Na sua despedida, ele disse aos pastores de Éfeso: “Em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que eu complete minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus (At 20.24). Aqui está o testemunho fidedigno de um homem que vivia submetido à autoridade de Cristo Jesus. Que compartilhou com muita convicção: “Para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro” (Fil 1.21).

Os homens devem considerar, levar em conta, pesar, comprovar que você é um ministro de Cristo. Portanto, precisa sempre prestar contas do ministério que recebeu do Senhor. Ser um escravo que administra a obra de Deus com fidelidade. O ministro do evangelho está na vitrine. As pessoas olham bem para ele e atestam se é ou não um escravo, um servo fiel em seu trabalho. É possível identificar um ministro pelo seu modo ou estilo de vida. O pastor deve ter sempre uma vida transparente. Um caráter ilibado, irretocável. O ministério não lhe pertence, mas é de propriedade do Senhor que o chamou como homem com as mesmas paixões (Tg 5.17,18). Que recebeu uma missão e precisa cumpri-la na dependência de Cristo Jesus. O ministro de Cristo não é um déspota, autoritário, desonesto em suas transações e vaidoso ou narcisista. É um homem simples, que não faz acepção de pessoas, não é seletivo em seus contatos dentro e fora da comunidade da graça.

O ministro ou servo é aquele que recebeu os mistérios, a revelação de Deus para transmiti-la a outros. Ele é o ecônomos ou administrador dos mistérios do Pai. Deve viver com temor e tremor a cada dia. Paulo diz: “Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei” (1 Co 11.23). Paulo entregou a mensagem aos irmãos em Corinto como havia recebido da parte do Senhor sem nenhuma alteração. Ele foi fiel (pistós), verdadeiro, digno de confiança, autêntico, responsável na administração dos mistérios de Deus. O ministro deve pregar a palavra e instar a tempo e fora de tempo, aconselhar, repreender e exortar com toda paciência e ensino (2 Tm 4.2).

Não podemos nos esquecer que há uma coerência entre ser ministro e ser despenseiro. O segredo aqui é a palavra fiel, íntegro, honesto, probo. O ministro verdadeiro é aquele que é digno da confiança do Senhor. No contexto da Revelação, é o servo de inteira confiança a quem o senhor entrega os seus bens para serem administrados. O ministro há de ser sempre simples como Jesus. Nunca fugir da simplicidade de Cristo Jesus. Alguém comprometido com a santidade de Deus, pois Ele ordenou: “Sede santos, porque eu, o Senhor teu Deus, sou Santo” (Lv 11.44; 19.2; 1 Pe 1.16). Nesta mesma direção, o escritor aos hebreus declara: “sem a santificação ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14b). Então, o prazer do ministro é andar com o Senhor por meio da oração e da meditação nas Escrituras, fontes de uma vida santa.

Que cada um de nós seja um ministro dedicado e consagrado ao Senhor, cumprindo a missão com integridade. Que o Senhor se agrade do obreiro que Ele chamou por Sua graça e por Sua misericórdia. Que o ministro seja sempre verdadeiro, autêntico e sincero em seus relacionamentos e em sua missão, despido de qualquer interesse material. O ministro é o remador de baixa categoria e não uma pessoa incessível, arrogante e insensível às necessidades do povo. Que cada um de nós seja encontrado fiel na grandiosa missão que recebeu do Senhor Jesus Cristo para a Glória de Deus Pai.

Oswaldo Luiz Gomes Jacob, pastor.


[1] Segundo W. C. Taylor, a palavra υπερετης significa ajudante, servo, João 18.36 (Dicionário do Novo Testamento Grego, Juerp, 1978, p.232). De acordo com Rienecker e Rogers, á auxiliar, uma pessoa que presta serviços a outra pessoa (Chave Linguística do Novo Testamento Grego, Vida Nova, 1985, p.292).

[2] A palavra grega é οικονομος, cujo significado é: administrador de confiança, mordomo, dirigente de uma casa, freqüentemente um escrevo de confiança que era encarregado de todos os negócios do lar. A palavra enfatiza uma pessoa que recebe uma grande responsabilidade, pela qual se deve prestar contas (Op. Cit. p. 292).

[3] A palavra aqui é πιστος, cujo sentido é integridade, fidelidade, lealdade, dignidade que mereça confiança, Mt 23.23; Gl 5.22; 2 Tm 4.7 (Op cit. p.174).

[4] Esta palavra vem de μυστηριον. O sentido aqui é: segredo a ser revelado, o propósito secreto de Deus nas Suas relações com o homem, segredo divino, especialmente a inclusão dos gentios juntamente com os judeus no es copo do Reino benéfico do Messias (Op. Cit. p.140).

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