A NATUREZA DO VELHO ADÃO VERSUS A NATUREZA DO NOVO ADÃO

A natureza do velho Adão é a da rebelião, da desobediência e da dura cerviz, da arrogância. Ele é dissimulado, falso e ruim. Por esta razão, explica-se um mundo de gente tão egoísta, materialista, hedonista, consumista e narcisista. É uma espécie perversa, acometida de uma cardiopatia congênita. Essa natureza é a gênese de uma sociedade utilitarista, interesseira e fútil. Uma sociedade indiferente, sem padrões éticos substanciais. Sem a ética de Deus, exposta na Sua Palavra.

A espécie de Adão é a da aparência. Estilista. Está voltada para interesses escusos e difusos. É a espécie nervosa, impaciente e refratária. Gente ingrata, que não se curva para agradecer a Deus os benefícios concedidos. Estes são apenas por misericórdia e graça. A natureza adâmica é a da incredulidade. Quer ver para crer. É a espécie que celebra o ter em detrimento do ser.

Causa-me desconforto tanta artificialidade. Tanta gente egoísta, centrada em si mesma. É muito triste viver com os sintomas da natureza do velho Adão, comprometida com o pragmatismo e o imediatismo. Essa mesma natureza manifesta sinais de maldade, com hediondez. A nossa espécie humana gosta de viver longe de Deus. Ela é, em essência, autônoma. Vive debaixo de sua própria lei. Tem horror a se submeter a Deus.

A estirpe do velho Adão é carnal, animal e diabólica. Paulo, escrevendo ao jovem pastor Timóteo, declara: “Sabe, porém, que nos últimos dias haverá tempos difíceis; pois os homens serão amantes de si mesmos, serão gananciosos, arrogantes, blasfemos, desobedientes aos pais, ingratos, ímpios ou injustos, sem afeição natural, incapazes de perdoar, caluniadores, descontrolados, cruéis, inimigos do bem, traidores, inconseqüentes, orgulhosos, mais amigos dos prazeres do que amigos de Deus, com aparência de religiosidade, mas rejeitando-lhe o poder, Afasta-te também destes” (2 Tm 3.1-5).

Escrevendo aos irmãos em Roma, o velho apóstolo Paulo faz um diagnóstico preciso da realidade moral do primeiro século, especialmente na capital do Império Romano. Ele detecta impiedade, injustiça, o não reconhecimento da Glória de Deus, a ingratidão, a idolatria, a imoralidade sexual, a desonra dos corpos entre si, o lesbianismo, o homossexualismo, o homicídio, o engano, a maldade, a inveja, a depravação, a insolência, a insensatez, o orgulho, a frieza e o coração implacável (Rm 1.18-32). É como se estivéssemos lendo o jornal de hoje, as revistas, vendo os telejornais, examinando as páginas da internet e ouvindo radio.

A única maneira de vencer a natureza do velho Adão é substituindo-a pela natureza do novo Adão, o Senhor Jesus Cristo, Aquele que nos substituiu na cruz, dando-nos vida e esta em abundancia (João 10.10). Não é possível vencer a nossa estirpe humana a não ser pela natureza de Cristo Jesus (Gl 2.20). Podemos vencer a espécie do velho Adão pela natureza de Cristo em nós. Aí não mais nós vivemos, mas Cristo vive em nós. É a nossa identificação com Ele na Sua crucificação, sofrimento, morte e ressurreição. Por esta razão, “se alguém está em Cristo nova criatura ou criação é, as coisas velhas já passaram, e eis que tudo se fez novo” (2 Co 5.17).

Quando entregamos a nossa vida a Cristo tudo mudou. Agora, vivemos pela natureza de Cristo em nós. Uma vida de fé. Recebemos o ministério da reconciliação para levarmos a vida de Cristo a outros (2 Co 5.19-21). Agora, temos uma vida de paz, harmonia, fé, amor, serviço e esperança. Somos um povo amável, receptivo, conciliador, diacônico, solidário, facilitador e agregador. Somos o Corpo vivo de Cristo, membros uns dos outros, para levarmos a preciosa semente do evangelho do novo Adão, Cristo Jesus.

Não somos mais autônomos (não vivemos mais escravos da nossa própria lei), mas teônomos (vivendo debaixo da autoridade da lei do Senhor em obediência prazerosa). Não mais vivendo uma vida para nós mesmos, mas para o Senhor e o próximo. Somos solidários para alcançarmos os solitários. Não mais com o coração doente, mas com o coração curado pela graça de Deus em Cristo Jesus. Somos o povo da missão, do compromisso com o reino de Deus. Temos satisfação em Deus. Vivemos na suficiência de Cristo. Vivemos para a Glória de Deus, nosso Pai.

Oswaldo Luiz Gomes Jacob, pastor.

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