Aproximação por interesse

É impressionante o número de pessoas que vive de aproximação por interesse. Não chamo isto amizade, porque esta, na minha percepção, não age por interesse, mas para doar, facilitar, abençoar e beneficiar substancialmente as pessoas. Geralmente nossos contatos são muito artificiais. Não há comprometimento, cumplicidade. É muito triste sabermos que determinadas pessoas nos usam para o seu próprio beneficio. É a famosa “lei de Gerson”, isto é, levar vantagem. Utilizam nossos ombros como escada para galgarem lugares mais altos. Jesus identificou as pessoas que O seguiam por interesse. Elas andavam atrás dEle não por quem Ele era, mas pelo o que Ele podia oferecer. As pessoas se tornam “simpáticas, amáveis, educadas, solícitas” quando são movidas por segundas intenções. O Senhor Jesus fez um diagnóstico do povo de Sua época e que se aplica hoje: “Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está distante de mim” (Mt 15.8).

Uma das cenas mais tristes e lamentáveis é perceber alguém se aproximando do próximo de forma interesseira. A natureza de Adão está comprometida com a artificialidade, o interesse meramente mercantilista e mercenário. Os políticos geralmente têm este perfil. Os contatos são freqüentes ou não dependendo das circunstâncias favoráveis. Geralmente eles trabalham com pessoas que são formadoras de opinião. A aproximação por interesse é vazia, eticamente deformada e perniciosa. Cria um ambiente de hipocrisia e do “politicamente correto”. Particularmente, fico enojado da superficialidade de profissionais, empresários, artistas e políticos. São pessoas que não têm profundidade em suas amizades. Eles não têm interesse em pessoas, mas em números e em coisas. São conduzidos pelo estômago e não pelo coração. Vale lembrar que utilizam obra social como propaganda pessoal. Alardeiam seus feitos para vantagens pessoais. São especialistas em autopromoção.

Em nossas igrejas, há o que chamamos de acepção de pessoas e contatos segmentados. Os membros da Igreja que têm mais cultura e dinheiro não se juntam com os mais pobres, os mais carentes. O contrário é muito raro. A acepção de pessoas, o preconceito, está na contramão do Evangelho de Cristo Jesus. Paulo ensina que “Cristo é tudo em todos” (Col 3.11). Na Comunidade da Graça não há compartimentos estanques. Somos o Corpo de Cristo e membros uns dos outros (1 Co 12.12-27). A liderança é de Cristo Jesus. Devemos sempre nos aproximar das pessoas por amor e estabelecer uma amizade sincera, leal e substancial. Que em nossas amizades o nosso único interesse seja dignificar Àquele que a Si mesmo se deu por nós para nos fazer um, nos tornar em Seu corpo, em Seu sangue derramado na cruz, amigos de verdade (João 17.21-24). Que o Senhor nos livre da aproximação por interesse e nos conceda a graça da amizade motivada pelo amor de Deus, nosso Pai, em Cristo Jesus, Senhor nosso! Jesus é o nosso melhor amigo e o nosso modelo de amizade fiel, que transcende o tempo (João 15.13-15). Sim, aproximação por Cristo e não por interesse.

Oswaldo Luiz Gomes Jacob, pastor.

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