O MÉDICO FERIDO (II)

“O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para anunciar boas novas aos pobres, enviou-me para proclamar libertação aos presos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos” (Lucas 4.18).

O Messias Sofredor, na Sinagoga de Nazaré, onde fora criado, abriu o livro do profeta Isaias justamente no texto que se referia a Si mesmo, Sua obra, Seu ministério com pessoas sofridas. É um texto belíssimo que revela a presença do Espírito Santo na Missão do Messias. Jesus Cristo foi ungido, isto é, habilitado pelo Espírito para libertar espiritualmente e curar física e emocionalmente pela proclamação das boas novas, do genuíno evangelho da graça. O médico ferido, morto e ressurreto antes da fundação do mundo, antes dos tempos eternos, veio como Aquele que salva o homem de forma integral. Sabemos que o evangelho que pregamos, que Jesus deixou para anunciarmos, tem a visão integral do homem, contemplando as suas necessidades espirituais, éticas, emocionais e físicas. É impressionante a abrangência do evangelho! O médico ferido é perfeitamente sensível às nossas necessidades, às nossas dores (Fil 4.19,20).

Jesus Cristo é o médico ferido que está atento às nossas feridas, limitações, rejeições, ao nosso sofrimento, às perseguições, às nossas angústias, e toda a forma de opressão. Ele nos ensina que devemos ajudar os necessitados, aos párias desta sociedade espartana, seletiva. O Messias ferido toca as necessidades mais profundas. Ele traz à tona nossas culpas e nos leva à confissão e à cura. Ele nos faz vencer nossa timidez, acomodação, a liberar nossas travas, suprir nossa necessidade de afeto. Diz Paulo que nós somos aceitos no Amado (Ef 1.6). O Cristo ferido nos ensina a amar os nossos inimigos, bendizer os que nos maldizem, orar pelos que nos perseguem e abençoar os que nos amaldiçoam (Mt 5.38-48). O amor do Médico ferido é incomparável. As nossas feridas são saradas quando olhamos, pela fé, para o Curador ferido, para Aquele que deu a Sua vida, derramou o Seu precioso sangue por nós. Precisamos fazer uma leitura meditativa da primeira carta de João, vivendo as verdades que estão lá.

Há muitas pessoas com o coração adoecido e só podem ser curadas pelo poder do Médico que foi ferido. Diz o profeta Isaias que “Ele foi ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades e o castigo que nos traz a paz estava sobre Ele e por Suas pisaduras fomos sarados” (Is 53.5). Brennan Manning diz que “aquilo que nos recusamos a entregar não pode ser curado”. Devemos entregar aquelas coisas que não podemos resolver, solucionar. Manning diz “que os cristãos que permanecem no esconderijo continuam a viver uma mentira. Negamos a realidade do nosso pecado. Numa tentativa inútil de apagar o passado, privamos a comunidade do nosso dom curador. Se ocultamos nossas feridas, por temor ou vergonha, nossa escuridão interior não pode ser nem iluminada, nem tornar-se uma luz para os outros. Quando, porém, ousamos viver como homens e mulheres perdoados, unimo-nos aos médicos feridos e aproximamo-nos de Jesus”… A decisão de sair do esconderijo é nosso rito de iniciação no ministério curador de Jesus Cristo. Traz a própria recompensa. Permanecemos na verdade que nos liberta e vivemos a partir da Realidade que nos torna inteiros” (Obstinado Amor, pgs. 26, 28).

Há algumas palavras curativas do nosso Médico ferido: Aos ansiosos, preocupados e inseguros quanto ao futuro, Ele ordena buscarem primeiro o Reino de Deus e a Sua justiça, e todas essas coisas serão acrescentadas (Mt 6.33). Ao leproso, o Senhor determinou: “Quero, sê purificado” (Mt 8.3). À sogra de Pedro, “Ele tocou a sua mão, e a febre a deixou; então ela se levantou e passou a servi-lo” (Mt 8.15). Ao paralítico de Cafarnaum, o Mestre ordenou “levanta-te, pega a tua maca e vai para casa” (Mt 9.7). À mulher pecadora que ungiu os pés do Mestre, este afirmou: A tua fé te salvou; vai em paz (Lc 7.50). No seu diálogo com a mulher pega em flagrante adultério, Ele fez duas indagações e duas afirmações: Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou? Ela respondeu: Ninguém, Senhor. Disse-lhe então Jesus: Nem eu te condeno. Vai e não peques mais (João 8.10,11). Em outra circunstância, o Senhor Jesus libertou o endemoninhado gadareno. Em seguida, o homem estava sentado, vestido e em perfeito juízo (Mc 5.15). O Salvador nos transforma.

O Médico ferido está sempre pronto a nos socorrer com a Sua preciosa graça, Seu poder e Seu amor curadores, terapêuticos. Ele nos acompanha e nos fortalece em nossa peregrinação cristã. Temos a Sua segurança. Ninguém nos arrebatará de Sua mão (João 10.28). O Médico ferido é o Pastor das nossas almas. O Pastor que cuida de nós. Ele nos conhece perfeitamente. Estamos absolutamente seguros nas mãos do Médico ferido, pois mesmo nesta condição Ele tem todo o poder para curar os que confiam em Sua suficiência. Há poder no Médico ferido. Ele nos convida ao banquete da Sua preciosa graça: ”Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim que sou ma nos e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve” (Mt 11.28-30). Ele nos convoca a, curados, levar a Sua cura a outros. Graças ao Pai podemos ser curados nas feridas do Filho, que deu a Sua vida preciosa por nós na cruz do Calvário. Ele nos substituiu naquela ignominiosa cruz. Pelas Suas pisaduras fomos sarados. Bendito evangelho!

Oswaldo Luiz Gomes Jacob, pr.

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