PASTORES-SERVOS

Parece redundância. Você já viu alguns por aí? Eles existem? Certamente, sim! São poucos, mas existem. Felizes são as igrejas pastoreadas por pastores-servos! Homens que têm aprendido com Jesus a servir, a dar o melhor de si (Mt 20.28). O nosso Pastor Supremo tinha prazer em servir. Ele andava por toda a parte fazendo o bem (At 10.38). Ele veio nos servir com a Sua própria vida. Paulo nos ensina que devemos ter o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus (Fil 2.5-11). Pedro nos exorta a seguirmos as pisadas do Servo-Sofredor (1 Pe 2.21-25). Os pastores-servos andam pelo caminho do serviço e do sofrimento. Eles têm profunda alegria e satisfação nAquele que os chamou para servirem em profundo amor. Jesus lavou os pés dos discípulos (trabalho destinado a escravos) para que imitássemos o Seu exemplo (João 13.1-20). É impressionante a trajetória de Jesus como o Servo-Sofredor dentro da vontade soberana do Pai. A missão que o Pai ordenou ao Filho é marcada pelo sofrimento.

OS PASTORES-SERVOS SÃO POUCOS

Pastores-servos são realmente poucos num contexto de narcisismo, megalomania, arrogância, vaidade, síndrome de deus e a síndrome do pequeno reino. Soube que numa reunião de pastores, líderes de uma denominação pentecostal havia carros luxuosos e blindados. Outros líderes utilizam jatos particulares e vivem nababescamente (são muito poucos) e estão na contramão do ministério instituído por Jesus. É impressionante a opulência dos que exigem que lhes chamem de bispos, apóstolos, etc. As ovelhas são virtuais. A relação com o povo é formal, fria, distante e marcada pela insensibilidade. O povo tem sido massa de manobra e gerador de lucros. Há um comercio de “milagres” e “mistérios”. Forma-se toda uma linguagem religiosa de temor, medo, intimidações, ameaças e barganhas. Pastores inacessíveis, que terceirizam o atendimento. Eles não têm tempo para aqueles que os mantêm. Em vez de servos, viraram executivos da fé, profissionais de um mercado de capitais religioso muito lucrativo.

O grande desafio do Senhor para nós, pastores, é sermos servos de verdade. Estes conhecem o povo, anda com o povo, sente o cheiro da ovelha. Têm consciência de que as ovelhas são de Jesus e que eles são apenas co-pastores do Supremo Pastor e Bispo das suas almas (1 Pe 5.4,5). Prestaremos contas do nosso co-pastorado. O que o Senhor Jesus, o Supremo-Pastor-Servo, exige de nós é que sejamos líderes-servos de excelência. Que sejamos servidores, escravos de Jesus Cristo. Que coloquemos a mão na massa. Devemos servir à semelhança daquele que deu a Sua vida por nós e quer que façamos o mesmo. Ministério pastoral não se caracteriza pela arrogância, mas pela humildade. O nosso serviço deve ser caracterizado pelo amor de Cristo Jesus. Não por obrigação, mas por prazer em Deus Pai. Pastores-servos amam mais o Senhor do que as suas próprias vidas. Este foi o testemunho de Paulo aos pastores de Éfeso, na cidade de Mileto, quando estava a caminho de Roma (At 20.24).

OS CAMINHOS DOS PASTORES-SERVOS SÃO DIFÍCEIS

Os pastores-servos não andam por caminhos fáceis, mas por caminhos muito difíceis. Não são ovacionados, mas criticados. Não buscam os seus próprios interesses, mas os de Cristo Jesus. Não andam pelo caminho da fama, mas pelo caminho do desprezo. Não tem interesse em pódio, mas em chão, húmus. Não aspiram a coroa, mas a cruz. Sabemos que sem cruz não há coroa. A nossa prioridade é a cruz. Para os pastores-servos, o viver é Cristo e o morrer é lucro (Fil 1.21). Pastores-servos não buscam holofotes, mas a glória de Cristo. Não creditam obras para eles, mas para Cristo, o Servo-Sofredor. Pastores-servos estão comprometidos com a mensagem da cruz, o seu assunto mais importante é Cristo Jesus (1 Co 1.18-25; 2.1-5). A sua satisfação é o Senhor. Estão plenamente satisfeitos nEle. Não medem esforços para repartir, encorajar, se alegrar, apoiar e facilitar a vida das ovelhas que eles co-pastoreiam. Eles se submetem ao Supremo Pastor. A sua alegria está na obediência. Os pastores-servos fazem a obra de um evangelista e cumprem cabalmente o seu ministério dado pelo Senhor apenas por graça e misericórdia (2 Tm 4.5).

Alegro-me sobremaneira em ver que os pastores-servos não buscam conforto, vida boa, entretenimento como o centro da vida, cargos, expressão denominacional, favores, disputas, conchavos, popularidade e outras vantagens. Eles estão contidos no contentamento à semelhança de Paulo, o decano (Fil 4.10-14). É maravilhoso ver o testemunho dos pastores-servos, que dependem de Deus e não de homens. Que têm uma fé inabalável em Deus, pois o justo por sua fé viverá (Hc 2.4; Rm 1.17). Observo que os tais pastores não vivem reclamando, murmurando, mas confiam na provisão segura do Pai e se alegram nEle (Sl 37.25). Pastores-servos servem à Igreja e Deus os sustenta dignamente. Trabalham com alegria e singeleza de coração.

Dou graças a Deus pelos pastores-servos, homens que, chamados, honram Àquele que os vocacionou por Sua graça. Dizem como Paulo: “Pela graça sou o que sou e a Sua graça não foi vã para comigo” (1 Co 15.10). Ah, como precisamos de mais, muito mais pastores-servos, servidores, comprometidos com o Evangelho da graça e com o poder do Espírito Santo! Que são apaixonados pela obra missionária! Pastores que servem com seus dons e talentos sempre para a Glória de Deus. Que ao receberem elogios os transferem para Cristo, o Seu Supremo-Pastor. Sim, pastores-servos, dignos, simples, trabalhadores, empáticos, simpáticos, graciosos, bondosos, misericordiosos, cheios de compaixão, alegres, mansos, humildes, gratos e que glorificam a Deus em tudo o que fazem. Pastores-servos são os verdadeiros homens de Deus, que vivem primariamente para agradar o seu Senhor e para a Sua Glória!

Oswaldo Luiz Gomes Jacob, pastor.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.