FÉ E SIMPLICIDADE NA GESTÃO DA OBRA BATISTA

A fé e a simplicidade devem ser dois substantivos essenciais na gestão da obra batista no Brasil. A gestão das nossas instituições (desejo abordar a nossa realidade) é mais do que fazer contas (estas são necessárias), é simples e prioritariamente crer na provisão de Deus. É viver pela fé (Hc 2.4; Rm 1.17). O Senhor conhece todas as nossas necessidades e as supre em Cristo Jesus (Fil 4.19,20). A gestão deve ser caracterizada pela confiança e pela simplicidade de Cristo Jesus. A devoção pessoal composta de oração e Escrituras é essencial à vida do líder batista. Este deve ser piedoso. Segue-se o cuidado com a família em todos os níveis. Não nos esqueçamos de que o administrador batista deve viver de modo simples, tendo como fundamento a humildade de Cristo Jesus (Fil 2.5-11). Não é aconselhável o gestor ter um padrão muito além da média dos batistas. Salários e outros benefícios para exercerem a função devem obedecer à prudência e à discrição. O responsável por cuidar da instituição batista não pode ostentar em sua posição. Salários e privilégios são providos por Deus por meio do povo simples das igrejas. Portanto, homens e mulheres encarregados de administrar bens e recursos do Senhor devem ser exemplos de vida, amor, visão, confiança, competência, generosidade e liberalidade.

Como batistas, devemos planejar, pois quem falha em planejar, planeja falhar. Além disso, devemos motivar, desafiar, orçar, investir, controlar e sempre agir com transparência. Os seminários, acampamentos, capelas, colégios e outras construções devem ser tratados com amor, responsabilidade e zelo como se fossem nossas casas. Sempre com padrão de excelência. É tarefa primordial do gestor batista prestar contas de sua vida espiritual e do seu trabalho, especialmente a mentores íntegros, maduros e sábios designados por eles mesmos. O trabalho do administrador é um ministério, exercício da diaconia. Deve sempre haver o espírito de servo à semelhança de Cristo (Mt 20.28). O melhor gestor ou gestora é aquele ou aquela que serve com amor e abnegação. Tem paixão pelo que faz. Antes do cargo existe a carga. A gestão de uma instituição batista é revestida de muita responsabilidade e muito temor. Não é para amadores, despreparados, mas para profissionais. Deve haver dedicação exclusiva. Preparo adequado e de excelência. É muito relevante que se trabalhe com eficiência e eficácia.

Não se pode conviver com jeitinho na administração das coisas de Deus. Como nos ensina o professor Lourenço Stelio Rega, precisamos dar um jeito no jeitinho. O trabalho do gestor deve contemplar o princípio da fé (crendo sempre na provisão de Deus, Hb 11.6) e da simplicidade (vivendo humildemente sem sofisticação, sem estilismo, Fil 4.11-13)). Fé e simplicidade andam juntas, mas fé e ostentação, não. Em nossa natureza humana, somos afeitos ou inclinados aos elogios, ao luxo e toda sorte de disputas e vaidades. Devemos reconhecer humildemente os nossos erros. Em nossos acertos, glorificar a Deus. A gestão não dá glória ao gestor, mas a Deus que o criou, salvou e capacitou em Cristo Jesus. Na gestão não deve haver tietagem, mas discrição, humildade e recato. Quanto menos aparecer o gestor, melhor. Em nossa realidade quem deve aparecer é o Senhor Jesus Cristo. A gestão deve contemplar a meritocracia. É relevante que cada gestor compartilhe com o seu companheiro de ministério o que tem recebido de Deus, o que o Pai tem feito em sua gestão. Também, mecanismos que melhorarão o nível de qualidade da administração. Todos os servidores das instituições batistas devem formar uma comunidade que ora, reflete e realiza no caráter de Cristo Jesus. Cada administrador deve exercer a sua fé na suficiência das Escrituras.

A filosofia do gestor batista deve ser a mesma de Hudson Taylor, missionário-médico e fundador da Missão Para o Interior da China, quando afirmou: “A obra de Deus, feita à maneira de Deus tem o sustento de Deus”. Esta instituição ou missão completou 100 anos na dependência de Deus. A obra batista é uma obra de fé e deve ser gestada por homens e mulheres simples como as pombas e prudentes como as serpentes. Homens e mulheres dependentes de Deus que crêem nos Seus grandes feitos na História. Que estão contidos no contentamento, absorvidos pela Grande Comissão deixada por Cristo Jesus (Mt 28.18-20; At 1.8). Por estas e outras razões não podemos ter medo. A nossa confiança está nAquele que pode todas as coisas e tem todo o poder nos céus e na terra (Fil 4.13; Mt 28.18). Não nos esqueçamos de que o prazer do gestor batista está em Deus. Alegrar-se sobremaneira nEle (Fil 4.4). Ele tem aprendido a descansar e esperar no Senhor (Sl 37.7). Deve haver uma consciência ética muito forte na administração da obra batista, sendo reconhecida por sua seriedade, transparência, competência, fé; também por seu zelo e amor. E o seu objetivo macro é a Glória de Deus (1 Co 10.31).

Oswaldo Luiz Gomes Jacob, pr.

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