O HOMEM ESTÁ SE COISIFICANDO

 

Estamos observando com sofrimento a coisificação do homem. Este, a cada dia, tem se tornado um ser frio, alienado, amante de si mesmo, violento, egoísta, artificial e comprometido com uma ética relativa sem precedentes. Nas ruas, vemos crianças, adolescentes, jovens e até idosos interagindo com o celular, com aparelhos eletrônicos agravando ainda mais a sua cardiopatia congênita. É impressionante a dispersão causada por uma cultura voltada para o individualismo. Perde-se bastante tempo na frente de um computador. Já não há mais diálogo em casa, leitura bíblica e oração. O número de casamentos desfeitos aumenta consideravelmente. Constatamos a autonomia dos filhos. Os pais têm perdido a autoridade sobre eles. Cada vez mais percebemos a violência praticada por menores de idade, inclusive crimes hediondos.

A tecnologia mal usada somada às drogas e à imoralidade têm tornado o homem um ser instintivo. Paulo escreve a Timóteo fazendo um diagnóstico do primeiro século, dizendo: “Sabe, porém, que nos últimos dias haverá tempos difíceis; pois os homens amarão a si mesmos, serão gananciosos, arrogantes, presunçosos, blasfemos, desobedientes aos pais, ingratos, ímpios, sem afeição natural, incapazes de perdoar, caluniadores, descontrolados, cruéis, inimigos do bem, traidores, inconseqüentes, orgulhosos, mais amigos dos prazeres do que amigos de Deus, com aparência de religiosidade, mas rejeitando-lhe o poder” (2 Tm 3.1-5). Esta percepção paulina é a nossa realidade, o nosso hoje.

O homem está se coisificando em função do antropocentrismo ou da sua própria centralidade. À medida que se torna o centro de si mesmo ele cresce em incredulidade, insensibilidade, egoísmo e inércia. Há uma robotização do ser humano sem paralelos na História. A coisificação do homem é produto do seu coração perverso e mal (Jr 17.9,10). O Senhor Jesus sabiamente diagnosticou o coração religioso dos lideres judeus (Mt 15.19,20). É impressionante o número de pessoas que entra e sai dos templos vivendo uma vida coisificada, interessada em prosperidade financeira em detrimento da adoração, do aprendizado da Palavra, da comunhão fraterna, da diaconia ou serviço ao próximo e um testemunho contundente acerca de Cristo Jesus.

Vivemos num mundo em que a violência dá audiência na mídia. As notícias de crimes bárbaros não mais nos impressionam. Temos protegido o nosso pequeno mundo e, muitas vezes, nos tornando fóbicos em detrimento de ajudar, abençoar e encorajar pessoas mesmo que isso implique em nossa exposição. Na época de Jesus o povo O honrava com os lábios, mas o seu coração estava distante dEle (Mt 15.8). O homem fora de Cristo está comprometido com o hedonismo, consumismo e materialismo. O seu coração é de pedra (incredulidade) e precisa ser trocado pelo coração de carne ou o coração da fé (Ez 36.26). Outro fator de coisificação do homem é o volume de informações que não consegue processar. Neste espectro da coisificação é importante ressaltar que os relacionamentos são mais institucionais em vez de pessoais. Há uma postura pragmática ou política de resultados (não importando os meios utilizados) que prejudica o ser humano em sua pessoalidade, criatividade e solidariedade.

Nesta coisificação somos maquinas produtoras, cobrados pela produção e medidos por ela. As pessoas são altamente influenciadas pelos meios midiáticos. Elas não têm senso critico. As suas escolhas são baseadas em benefícios imediatos. A busca do prazer pelo prazer é uma característica desta sociedade chamada de pós-moderna. Os relacionamentos são descartáveis em função do “custo-benefício”. Os meus contatos são para atender às minhas necessidades múltiplas. Não estou preocupado com o dialogo, mas com o atendimento dos meus interesses. A natureza de Adão é altamente interesseira. A natureza de Cristo é a natureza da solidariedade, atenção concentrada e do prazer da fraternidade. O homem coisificado é controlado pelos sentimentos e pela razão e não pela fé. Este homem está debaixo da ditadura do dinheiro, da corrupção e da farra. Para o ser coisificado o mais importante é ser beneficiado mesmo que implique em prejuízo do próximo.

A solução para o homem coisificado é o conhecimento de Cristo Jesus, do Seu Evangelho e a conseqüente conversão, a troca do coração. Com esta experiência, ele passa da centralidade do eu para a centralidade de Cristo. De antropocêntrico a Cristocêntrico. Deixa de pensar só em si e pensa no próximo. Sair da sua autonomia (sendo a sua própria lei) para a teonomia (estar debaixo da lei de Deus). Urge termos mais devoção pessoal e familiar. Centrarmos na Glória de Deus e não na nossa. Vivermos o Evangelho da graça. Estabelecermos relacionamentos sinceros, leais e que sejam usados para o fortalecimento da Igreja de Cristo e o testemunho do Seu Evangelho em todo o mundo.

Oswaldo Luiz Gomes Jacob, pastor.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.