GRAÇA E MISERICÓRDIA

 

Estas belíssimas palavras vêm da natureza de Deus. Por esta razão, Deus age com graça e misericórdia. Graça é Deus dando e fazendo tudo a quem nada merece. Misericórdia é o Senhor não nos dando o que merecemos. Não devemos pedir a Deus o que merecemos senão estamos perdidos. Merecemos o juízo e a condenação. Tozer declara que “a misericórdia é a bondade de Deus em confronto com a miséria e a culpabilidade do homem. A graça é Sua bondade derramada apesar do demérito e da divida humana. Pela Sua graça Deus nos imputa merecimento onde não havia merecimento algum, e declara isento de dívida aquele que antes era devedor de tudo” (1980: 111). A graça e a misericórdia de Deus são palavras que dão razão às nossas vidas. O que seria de nós se Deus não as usasse a nosso favor? Paulo inicia suas epístolas com estes duas poderosas palavras. Ele sabia perfeitamente que a sua conversão e a sua chamada ocorreram com base na graça e na misericórdia de Deus.

Não se vive a vida cristã sem essas pérolas vindas da parte de Deus Pai na Pessoa bendita de Cristo, aplicadas pelo Espírito Santo. Há ocorrências de graça e misericórdia tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. Elas estão ligadas aos três tempos da salvação: fui salvo (conversão); estou sendo salvo (santificação) e serei salvo (glorificação). Se estamos firmados em Cristo é por causa da graça e da misericórdia de Deus, um Pai tão amoroso e sublime. Transcendente e imanente. Um Deus que é tão alto, Majestoso e, ao mesmo tempo, se revela a nós por meio de Cristo, o Verbo que se fez carne e habitou entre nós (João 1.14). Na Pessoa e Obra de Jesus Cristo a graça e a misericórdia estão presentes de forma absoluta.

Precisamos, em nossos relacionamentos, aplicar graça e misericórdia. Elas funcionam como inibidoras de atitudes e atos de juízo temerário. Focam a aceitação e não a rejeição. Também, elas são essenciais ao convívio maduro e produtivo nas diversas áreas da vida. Trazem dinamismo e criatividade nos relacionamentos dentro e fora da Igreja. Quando olhamos para a atitude do Samaritano em socorrer o judeu ferido podemos perceber claramente que a sua motivação estava na graça e na misericórdia de Deus. Ele socorreu aquele que o odiava, o preconceituava e o rejeitava visceralmente. Uma pessoa salva por Cristo tem graça e misericórdia em suas ações e reações. Um coração gracioso e misericordioso não despreza o próximo, mas o serve com alegria e singeleza de coração. Tem interesse em ajudar, facilitar e abençoar.

Em todo Seu riquíssimo ministério o Senhor Jesus agiu com graça e misericórdia. Vemos esta realidade na Sua experiência com Zaqueu; a mulher samaritana; a mulher adultera e a mulher rejeitada na casa de Simão. Graça e misericórdia estão na contramão do legalismo tão praticado em muitas comunidades nos dias de hoje. Devemos aceitar uns aos outros com base na obra de Cristo. A graça nos basta nos momentos de sofrimento e a misericórdia triunfa sobre o juízo (Tg 2.13).

O nosso Deus nos aceitou com base no mérito de Cristo contrastando com o nosso demérito. O nosso Pai é cheio de graça e de misericórdia. É com base nestas duas verdades inconfundíveis que Ele nos recebe e trata conosco. Na casa do Pai há graça e misericórdia abundantes. Nesta casa podemos chorar nossas mazelas porque Ele nos perdoa em Cristo Jesus e consola por meio do Seu Espírito. Nesta casa somos educados no caráter de Deus, nosso Pai. Assim como o nosso Senhor nos recebeu com graça e misericórdia, recebamos uns aos outros da mesma maneira. Esta é a natureza do Evangelho de Cristo, poder de Deus para a salvação de todo o que crê (Rm 1.16). Então, graça age em nosso demérito, ou seja, Deus nos dá o que não merecemos; e a misericórdia é ação de Deus em reter o seu juízo que seria aplicado a nós, não nos dando o que merecemos. Deus nos presenteia com a salvação de Cristo, não nos condenando por causa do Salvador.

Oswaldo Luiz Gomes Jacob, pastor.

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