UNIDADE NA DIVERSIDADE

A unidade, na perspectiva cristã, existe na diversidade do corpo de Cristo – a Igreja. É real quando se procura viver em comum acordo, focar o que contribui para o bem comum, da comunidade ou comum unidade. Ela é interpretada pelo apóstolo Paulo quando escreve a sua carta à Igreja de Filipos: “para que tenhais o mesmo modo de pensar, o mesmo amor, o mesmo ânimo, pensando a mesma coisa” (2.2). À Evódia e Síntique, duas irmãs da mesma igreja, ele suplica: “que entrem em acordo no Senhor” (4.2). Sabemos que a Igreja é constituída de uma diversidade imensa. Pessoas diferentes, de matizes diversos. Soma-se a esta realidade o temperamento herdado de Adão. Somos, por causa do pecado, uma espécie complicada, sofisticada e ruim. Somos acometidos de uma cardiopatia que resulta em relacionamentos doentios, fragmentados, difusos e egoístas. Comprometemos a unidade do Corpo de Cristo – a Igreja – quando buscamos os nossos interesses pessoais e familiares.

A Igreja do Senhor Jesus é muito bem definida pelo apóstolo em 1 Coríntios 12.12-27, quando ele enfatiza a diversidade de membros no corpo e a sua interdependência. Significa dizer que o corpo é constituído de membros. Todos os membros trabalham para o excelente funcionamento da unidade corpórea. Todos igualmente funcionam com base na saúde do corpo. Todos formam o corpo. Há uma relação de interdependência ou dependência mútua. Cada um tem a sua função específica e todos têm a função geral. Há uma diversidade de membros formando a unidade do corpo. Nenhum membro trabalha separadamente. São diferentes, mas formam uma unidade. A vida do corpo depende da vida de seus membros. É a participação de todos no esforço de cada um. Paulo inicia dizendo: “Porque, assim como o corpo é uma só unidade e tem muitos membros, e todos os membros do corpo, ainda que muitos, formam um só corpo, assim também acontece em relação a Cristo” (1 Co 12.12). A unidade do corpo depende da sua diversidade. Paulo conclui dizendo: “Vós sois o Corpo de Cristo e, individualmente, membros desse Corpo” (1 Co 12.27). Cristo é a Cabeça do Seu Corpo. É o líder que a Si mesmo se deu por nós na cruz derramando o Seu precioso sangue redentor.

O Senhor Jesus na Sua oração sacerdotal (João 17.1-26) orou por Seus discípulos, por Sua Igreja, pedindo ao Pai unidade. Ele utilizou expressões que denotam uma forte unidade: “para que todos sejam um, assim como tu, ó Pai, és em mim, e eu em Ti, que também eles estejam em nós” (v.21); “para que sejam um, assim como nós somos um” (v.22); “eu neles, e tu em mim, para que eles sejam levados à plena unidade” (v.23). Toda a oração de Jesus focou a unidade que deve haver entre os Seus discípulos, Sua Igreja, a partir da Trindade. A relação entre as pessoas da Trindade é o nosso exemplo, modelo perfeito de unidade. Como Igreja de Cristo, precisamos responder à Sua oração sacerdotal. O Mestre deixou claro que um dos objetivos principais da unidade é “para que o mundo creia que tu me enviaste” (v.21). A unidade da Igreja é altamente evangelizadora. Um testemunho fidedigno da sua relação verdadeira com Cristo, uma vida de submissão. A igreja deve revelar com suas atitudes e atos o seu compromisso com Cristo. O mundo está olhando para a Igreja para ver se há coerência na sua relação com Cristo Jesus. Coerência entre o que diz e o que faz na perspectiva do ensino do Mestre.

Em toda a nossa diversidade de dons, talentos, temperamentos e caráter, devemos revelar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz (Ef 4.3). Somos o povo da unidade porque temos “um só Espírito, como também fomos chamados em uma só esperança; tendo um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, que é sobre todos, por todos e está em todos” (Ef 4.4-6). Esta unidade pressupõe uma experiência de novo nascimento – que Jesus morreu por nós e que nós morremos com Ele. É a unidade que vem da Trindade. O Pai quer que sejamos UM (na realidade do Reino de Deus 1 + 1 = 1) a partir da obra do Filho na cruz e na ressurreição, pela operação do Espírito Santo. A Igreja será sal da terra e luz do mundo a partir da sua unidade em Cristo Jesus. Será relevante neste mundo a partir da sua experiência profunda com a Trindade. A Glória do Pai se manifestará na unidade da Igreja que foi redimida por Cristo e é a habitação do Espírito Santo. A unidade na diversidade só é possível pela obra suficiente de Cristo na cruz, Sua ressurreição e em nossa conseqüente identificação plena com Ele!

Oswaldo Luiz Gomes Jacob, pr.

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