SER PASTOR

Em essência, ser pastor é ter um chamado da parte de Deus para o ministério de cuidar das ovelhas do Pastor Supremo, o Senhor Jesus Cristo. Ter a consciência da sua incapacidade pessoal, por si mesmo, para ser um ministro. Paulo tinha esta consciência (2 Co 3.5). A sua insuficiência para o ministério tão sublime é testemunhada por ele mesmo em suas cartas. O pastor autêntico, verdadeiro é alguém que possui nas suas entranhas a certeza da missão que recebeu da parte de Deus. Ser um pastor na acepção da palavra é caminhar por um caminho bem estreito e espinhoso. Palmilhar a vereda do sofrimento – das tremendas lutas internas e externas. O obreiro de Deus é alguém pronto a morrer por amor DAquele que o chamou de si mesmo para fazer toda a Sua vontade. O homem de Deus é aquele que encerra em si mesmo, na sua vocação, os ofícios de profeta e sacerdote, está pronto para ser consumido no altar da vontade soberana do Pai. Ele tem prazer em dizer: “não mais eu, mas Cristo” (Gl 2.20). Também, “para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro” (Fil 1.21). O ministro de Javé é o remador junto ao casco do navio e o último da fila. O homem chamado por Deus para o ministério sabe muito bem que é a escória do mundo.

Ser um pastor não é buscar visibilidade, reconhecimento, pódio, destaque, tietagem, mas esconder-se atrás de Cristo. Na sua vida pessoal, familiar e eclesiástica é Cristo Jesus a Pessoa principal, o padrão dos seus relacionamentos. Ele não luta por melhores salários, mas confia no Senhor a quem ele serve no cuidado ou pastoreio, na pregação e no ensino das Escrituras. Sabe que a obra de Deus, feita à maneira de Deus, tem o sustento de Deus. O Senhor provê todas as suas necessidades. Ele cuida das ovelhas do Supremo Pastor e este cuida perfeitamente dele. É impressionante como o Senhor é zeloso por Sua Glória no sustento do ministério pastoral. O homem segundo o coração de Deus não anda preocupado com sustento, política na igreja, líderes difíceis, desonestos, dissimulados, mas descansa na fidelidade de Deus, na Sua suficiência. Ele sabe que o ministério não lhe pertence, mas pertence ao Senhor. Ele tem plena consciência de que a vida não é sua. Tudo é graça, dádiva da parte do Pai. Como é precioso confiarmos no Senhor. Tenho o privilégio de servi-lO durante 31 anos e nunca me faltou o sustento da Sua graça com outras implicações. Ele é o Deus que chama, treina, encoraja, envia e sustenta.

O pastor genuíno sabe quem é o Senhor, tem consciência de quem é e, por isso, está pronto para a missão de cuidar das pessoas. Ele é alguém comprometido com a vida de oração, a Palavra e o testemunho do evangelho. Um homem voltado para o alto, para dentro e para fora. Ele percorre as dimensões da graça de Deus. Homem humilde, piedoso, manso, corajoso, amoroso e absorvido pela missão que recebeu da parte do Senhor. Sabe que tudo o que faz deve ser na perspectiva da Glória de Deus. O seu prazer é servir em amor. Tem a consciência de João Batista quando, em relação a Jesus, disse: “Importa que Ele cresça e eu diminua”. Paulo, escrevendo aos irmãos em Corinto, disse: “Assim, os homens devem nos considerar servos de Cristo encarregados dos mistérios de Deus. Além disso, o que se requer de pessoas assim encarregadas é que sejam encontradas fiéis” (1 Co 2.1,2). Como filhos de um Deus Fiel, devemos ser fiéis em tudo o que fazemos.

O ministério recebido por graça e misericórdia deve gerar em nós um profundo quebrantamento e, ao mesmo tempo, uma alegria e um louvor por quem Deus é. Devemos estar plenamente satisfeitos nEle. Tudo o que fazemos é para a honra dEle. Os elogios são para Ele. O nosso coração deve estar sempre grato (1 Ts 5.18). Deus se agrada quando vislumbra o nosso coração satisfeito nEle. O Pai, ao ver Seu Filho Jesus sendo batizado, teve um prazer profundo. Por que? O Filho estava no caminho da missão que havia recebido, pois havia obediência no Seu coração. Sabemos que o ministério da Palavra não combina com ganância, fama, elogio, bajulação, politicagem, truculência, preconceito, frieza, insensibilidade, família desajustada e outras deformidades adâmicas. Fomos chamados como homens comuns para um trabalho extraordinário. Chamados para vivermos uma vida de contentamento, humildade, simplicidade,integridade, amor, graça, perdão, compaixão, harmonia, coração aquecido, diálogo, respeito, pureza e dignidade. Tudo isto para a glória de Deus.

Encerro esta reflexão utilizando um poema da nossa poetisa apreciada, Myrtes Mathias, intitulado “Ser Pastor”:

Ser pastor é oferecer o barquinho
da própria vida para Jesus usar,
para que o mundo, sofredor e afl ito,
possa do Pastor bendito
encontrar a bênção de sorrir, cantar.

Ser pastor é ser escolhido,
para levar a Grande Comissão.
É ser abençoado, submisso, forte,
é não temer a morte,
é ser outro Simão.

Ser pastor é ter o privilégio,
o grande privilégio dado por Jesus:
Levar a paz onde existe guerra,

Levar riqueza aos pobres da terra
onde há choro, o riso,
onde há treva, a luz.

Ser pastor é ser humilde e santo,
imitando o Mestre, o Divino Pastor;
é dar pelas ovelhas sua própria vida,
é morrer na lida,
é morrer de amor.

Oswaldo Luiz Gomes Jacob, pastor.

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