INDIGNAÇÃO E ESPERANÇA

Os recentes movimentos de rua são o reflexo de uma indignação muito forte contra a insensibilidade dos governos. O fato de indignar-se revela uma insatisfação com o status quo. A realidade da indignação é fruto de uma visão madura de um contexto antagônico, altamente prejudicial à vida. A indignação deve produzir mudanças profundas seja na vida pessoal, familiar e sociedade. Mudar para melhor é preciso. A indignação é um dos meios que transporta ferramentas de transformação, de mudanças radicais. Precisamos das reformas política, social, penal e tributária. Estas reformas são necessárias para um Brasil melhor. A inconformação é um remédio muito necessário e eficaz para combater a mesmice ou a inércia em relação a tudo o que está errado e que trava o bem estar e o crescimento das pessoas, da família, sociedade e conseqüentemente do País.

O processo de indignação deve resultar na desconstrução de estruturas perversas para a construção de estruturas de solidariedade. A reconstrução do país espiritual, ética e socialmente a partir de fundamentos sólidos do cristianismo autêntico e comprometido com os princípios do Senhor Jesus Cristo, é imperativa. Trabalhar arduamente para a formação de cidadãos conscientes da Santidade de Deus, da sua própria natureza pecaminosa, desejando ardentemente suas vidas transformadas a partir de um verdadeiro arrependimento. As mudanças propostas certamente produzirão fortes dores, incômodos, mas, certamente, com resultados fantásticos. Como precisamos ser tomados de um descontentamento santo nestes tempos tão difíceis, tão tumultuados e confusos!

Mas a nossa indignação não deve nos levar à revolta, desesperança, caos ou qualquer outro sentimento negativo e altamente prejudicial. Devemos, sim, ser tomados da expectativa segura de dias melhores, possuídos da esperança concretizada na cruz e na ressurreição do Senhor Jesus Cristo. Ela deve nos mover a orarmos, proclamarmos a Palavra de Deus e trabalharmos duramente pelas mudanças almejadas. A mesma esperança deve nos levar a ser agentes de mudanças radicais, sendo construtores de sonhos e realizações no Senhor. Mover-nos às profundas concepções de quem seja o nosso Senhor Soberano. Somos coadjuvantes na construção de uma linda história de amor escrita com as penas do altruísmo, movidos por Sua graça.

Temos dois exemplos bíblicos que nos conduzem à reflexão. O primeiro é Jonas. A sua indignação com os assírios, conhecendo a fama cruel deles no passado, o levou a fugir do mandato de Deus para pregar em Nínive. Sabemos que Javé o curvou para obedecer à Sua vontade (Jn 3.3). Jonas foi pregar naquela grande cidade. O resultado está em 3.10: “Tendo em vista o que eles fizeram e como abandonaram os seus maus caminhos, Deus se arrependeu e não os destruiu como tinha ameaçado”. O caos, pela palavra profética, foi transformado em esperança. O segundo exemplo é Paulo em Atenas, cidade principal da Grécia. Diz o texto que “enquanto esperava por eles (Silas e Timóteo) em Atenas, Paulo ficou profundamente indignado ao ver que a cidade estava cheia de ídolos” (Atos 17.16). A inconformação do apóstolo o motivou a pregar o evangelho de Cristo aos judeus e aos gregos daquela cidade. A verdade foi proclamada e a esperança chegou para algumas pessoas que haviam se convertido ao Senhor (At 17.34).

Como povo de Deus, devemos ser plenos da esperança que nos foi dada pelo Pai por meio da obra perfeita do Filho. A esperança deve sempre nos mover na direção do próximo. Juntos, somos convocados pelo Senhor para pregarmos o evangelho que transforma o que crê. Pela fé somos agentes transformadores no meio de uma sociedade corrupta e perversa. É nesta sociedade que devemos ser luzeiros, brilhar bem forte (Fil 2.14,15). Então, a nossa indignação, à luz dos ensinos dos profetas, de Jesus Cristo e dos apóstolos, nos conduz a um diagnóstico correto e a uma esperança absolutamente segura de que Javé é o Senhor Soberano em toda a História, absolutamente invencível. O nosso coração deve descansar (confiar) Naquele que tudo pode. Somente Ele pode transformar a nossa indignação (santa) em esperança.

Oswaldo Luiz Gomes Jacob, pr.

1 comentário em “INDIGNAÇÃO E ESPERANÇA”

  1. Seu artigo está ótimo. Essa indignação que sentimos tem de nos levar a tomar posição. Penso que ,às vezes, sentimo-nos impotentes diante de tanta miséria espiritual. Mas como Jesus disse: "No mundo tereis aflições;tende bom ânimo…" Bom ânimo e certeza de que Deus controla a História me move a continuar. Como o sr afirmou: "somos agentes de transformação."
    Parabéns , pastor, pelo texto.

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