SER CRISTÃO

 

Ser cristão é uma questão de identidade. O verbo ser dá uma ideia muito clara de natureza, essência. Há muita confusão na Igreja evangélica e até na sociedade secularizada do que venha a ser um cristão. Sem olhar pela via legalista, há muito mal testemunho por aí e muita vergonha em relação as atitudes dos que se dizem cristãos. Os religiosos judeus ensinavam bem, mas viviam mal. Precisamos definir acertadamente os termos, as palavras, porque elas falam, comunicam. O que faço é produto do que sou. Jesus ensinou que a boca fala do que está cheio o coração. (Mt 15.18). É no coração que atitudes e atos começam. A qualidade do coração define o nível das nossas atitudes e dos nossos atos. Este sempre foi o ensino do Mestre. Quantas vezes somos traídos por palavras que falamos. Lembremos de Pedro que, confiante em si mesmo, disse que não negaria Jesus. Quantas vezes prometemos e não cumprimos. Alguém disse que o nosso coração é uma fabrica de ídolos. Precisamos vigiá-lo.

A realidade do ser cristão em primeiro lugar é amar o Senhor de todo o coração, alma, entendimento e com todas as nossas forças (Mt 22.37-40). O cristão tem prazer na sua relação com o Pai. É uma convivência marcada pela autenticidade e cumplicidade. A sua natureza está comprometida com a verdade. O cristão é alguém que tem interesse diário no relacionamento com o Senhor. Na meditação da Palavra, ele ouve o que Deus comunica. Na oração, ele fala, rasga o seu coração para o Senhor. Os salmistas reconheciam a grandeza, majestade e soberania de Deus. Eles tinham uma relação de intimidade por meio da Palavra. O louvor dos salmistas era fruto da sua comunhão íntima com o Senhor. Havia uma satisfação no relacionamento com o Pai. Então, ser cristão é ter esta capacidade de amar e se relacionar diária e renovadamente com o Senhor. Que coisa boa é o centro tranquilo no contato com o Senhor! O nosso encontro com o Senhor é terapêutico. Como é bom viver a comunhão com Ele! Como é prazeroso saber que Deus cuida de nós e com muito amor! Amar o Senhor é o segredo de uma vida feliz, plenamente realizada. Cristo amava o Pai e por esta razão fazia toda a Sua vontade. Foi por esta razão que o Pai disse acerca de Jesus: “Este é o meu Filho amado em quem me comprazo” (Mt 3.17).

Ser cristão é ter a convicção da imagem de Deus reconstruída por Cristo em mim, de que sou Seu filho. O Deus Criador e Redentor se importa comigo, com o meu coração, meu corpo que é templo do Espírito Santo e meus relacionamentos. Como cristão devo ser uma pessoa equilibrada, sensível, solidária e profundamente amorosa como o Pai. Paulo ensina que devemos ser imitadores de Deus como filhos amados e andarmos em amor como Cristo nos amou e a Si mesmo se entregou por nós como oferta e sacrifício a Deus em aroma suave (Ef 5.1,2). A minha experiência com Cristo revela aos outros o que Ele fez por mim na cruz. Que sou um filho de Deus, salvo pela graça por meio da fé (Ef 2.8-10). Que sou ‘feitura’ ou obra de arte (poema) de Deus. Na verdade, ser cristão é ter uma vida plenamente satisfeita no Senhor. Uma autoestima forte em Cristo. Amar a mim mesmo sem a conotação de egocentrismo. Cuidar muito bem de mim para que eu possa cuidar do outro, do meu próximo.

A partir da minha experiência com o Senhor, no meu amor por Ele, amando-me a mim mesmo, estou pronto para amar o meu próximo. O cristão é alguém que se importa com o próximo. Ele está muito interessado no bem estar do outro. O seu prazer é servir à semelhança do Mestre (Mt 20.28). Ser cristão é morrer para si mesmo tendo em vista o viver para Cristo com todas as suas implicações. Amar o outro não é peso para o regenerado, transformado pelo Cristo da cruz e da ressurreição. Numa sociedade hedonista, narcisista, dispersa, vazia, fútil, somos chamados como cristãos a agir para que outros sejam mudados pelo Salvador. Somos agentes transformadores em transformação. Amar o outro é tarefa do cristão comprometido com o Senhor Jesus. Ser cristão é perdoar com o perdão do Senhor. Estender as mãos aos que precisam. Levar pão ao faminto. Levar o abatido. Consolar os que sofrem. Abençoar os que o maldizem. Orar pelos que o perseguem. Agir desinteressadamente em favor do próximo. Fazer o bem sem esperar retorno, gratidão ou reconhecimento. A motivação do cristão não está na recompensa humana, mas no Senhor. Amar a Deus e ao próximo como a nós mesmos são fundamentos do cristianismo autêntico, sem a chancela de um sistema religioso. O cristão não anda se justificando, mas vive como um justificado. Não busca o mérito pessoal, mas o mérito de Cristo. Não deseja aparecer, pois o seu real interesse é que Cristo seja reconhecido, dignificado e louvado em todo o tempo e para todo o sempre.

Oswaldo Luiz Gomes Jacob, pastor.

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