SER PROFESSOR

Ser professor é ser mestre. Este não ensina, mas estimula o aluno a aprender. Ele expõe muito mais que disciplina, ensina caráter (ou ética) e excelência no fazer as coisas. Que tem uma visão integral do seu aluno – sua vida, seus familiares, sua história. Não simplesmente cumprir uma carga horária. O professor precisa ser o exemplo de integridade a toda a prova. Manter a sua palavra. Agir com mansidão e humildade. Ser firme em suas decisões dentro e fora da sala de aula. Aquele que está sempre aprendendo, inclusive com os seus alunos. Faz cursos de especialização, buscando assim a excelência na nobre missão de repartir o que sabe. O professor é aquele que se assenta para aprender para poder ficar em pé a fim de ensinar, compartilhar as coisas da vida e o conteúdo programático. Ele é um líder-servidor.

O mestre, na maioria das vezes, não é reconhecido pelos alunos, pais, seus superiores na escola e pelos governantes. O salário do profissional da educação no Brasil é sofrível, medíocre. Além disso, as condições para dar aulas também são muito limitadas e precárias. Exige-se muito do professor, mas o retorno é ridículo. O Mestre trabalha em algumas escolas para ter um salário mais digno. Que bom seria se ele trabalhasse em tempo integral numa só escola e com um salário digno! O profissional do ensino é uma classe muito desvalorizada neste país. Como o Brasil quer crescer se não proporciona condições gerais de dignidade e excelência ao professor? Não existe nenhuma profissão sem o mestre. Um país de vanguarda é aquele que dá muito valor ao educador, investindo integralmente em sua formação.

Temos observado o desrespeito de muitos alunos para com os seus mestres. Alunos desiquilibrados porque vêm de lares desajustados e que não conhecem limites. Alunos medíocres. Pais que não acompanham os filhos. Não comparecem às reuniões de avalição. Não dialogam com os professores dos seus filhos. Vivemos no Brasil um período de total cansaço físico e emocional do mestre. Há muitos profissionais da educação, principalmente os que trabalham em sala de aula, estressados, com os nervos à flor da pele e que, em alguns casos, sofrem até ameaças de morte. Homens e mulheres que têm sido achincalhados por alunos e pais. Há uma verdadeira guerra dentro das escolas. Alunos bandidos, formando quadrilhas dentro das instituições de ensino, apoiados por traficantes de drogas e leis paternalistas. Que tempo dificílimo passa o profissional da sala de aula. Precisamos, urgentemente, de uma reforma educacional neste país. As autoridades precisam priorizar a educação com todas as suas dimensões e implicações. Governo, famílias, entidades de classe, associações de moradores, instituições sérias precisam se unir para mudar a educação no Brasil. Sou muito grato a Deus pelos professores sérios, que não se acomodam, mas que se dedicam a cada dia procurando dar aulas criativas, atrativas e produtivas. Mestres que motivam os seus alunos a darem o melhor de si. Professores do diálogo, da paz e da alegria na transmissão do conhecimento. O educador não pode se acomodar, se conformar com o comum, mas buscar o extraordinário. A sua motivação precisa, acima de tudo, vir de dentro. Ao olhar para os seus alunos, o mestre há de ter amor, ternura e carinho. O professor é um motivador constante e brilhante. Ele é o referencial de excelência, superação e persistência. O seu prazer em dar aulas não é motivado por dinheiro e nem status, mas pela vocação. O profissional da educação deve ser um estimulo para os seus alunos. O mestre deve ensinar os seus alunos a crítica construtiva, a capacidade de indignação diante da corrupção, da imoralidade e da injustiça. Deve investir em relacionamento que se caracteriza pelo amor e pela sinceridade. A sala de aula deve ser um laboratório de ideias. O professor usa o seu conhecimento para provocar os alunos à inovação, à criatividade e à atividade constantes em favor dos mais carentes. Promover interatividade entre a sala de aula, a família e a comunidade do aluno.

O meu sincero desejo é que os professores sejam mais intrépidos e ousados em sua tarefa de educar. Que sejam cheios de amor pelo Brasil. Que ensinem os seus alunos a amarem o país, sendo cidadãos responsáveis e patriotas. Que os mestres sejam mentores ou responsáveis pelos seus alunos, passando vida, ensinos sobre como pensarem melhor, terem compaixão do próximo e facilitadores das pessoas que mais precisam. Que ensinem seus alunos a respeitarem os idosos e a conversarem com eles. Parabéns, professores, pelo trabalho tão sublime que desenvolvem. Pelo seu legado. Lembrem-se: a sua maior recompensa não é o salário do final do mês, mas a transmissão de caráter e de conhecimento aos seus alunos visando uma família melhor e um país melhor.

Oswaldo Luiz Gomes Jacob

Professor de Teologia

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