PACIÊNCIA

A paciência é uma virtude cristã. Poucos a tem. Como é difícil ser paciente, ser calmo, tranquilo, aprender a esperar o momento certo, não deixar os outros definirem a nossa reação! Ser paciente é, como diz o mineiro, comer o mingau pelas beiradas. É a capacidade de suportar as provocações, as pressões, mantendo-se firme, procurando ouvir do Senhor. O homem pronto para ouvir, tardio para falar e tardio para se irar é um homem paciente (Tg 1.19). O paciente espera o momento certo para agir. Paciência vem do hebraico arekh, significa ‘longo. É dito que Deus é ‘longo’ ou ‘lento’ em irar-se (Ex 34.6; Ne 9.17 e Sl 103.8). Na língua grega é makrothymeo, cuja conceituação é ‘ser tolerante, indulgente, suportar, tolerar por muito tempo, suportar pacientemente’. No latim é patientia, ‘virtude que consiste em suportar as dores, os incômodos, infortúnios, sem queixas e com resignação; uma perseverança tranquila’ (Aurélio, 1015). Depreendemos que paciência é a capacidade dada pelo Espírito para reagirmos resignadamente àqueles que nos provocam. Há uma área muito sensível que geralmente perdemos a paciência que é a do transito. Vez por outra somos surpreendidos com ira, impaciência e destempero quando alguém nos provoca ou faz uma barbeiragem. Alguém afirmou com muita lucidez e sabedoria que quem não for paciente no transito (creio que em qualquer outra área da vida) fatalmente será paciente no hospital.

O exercício da paciência é saudável, pois beneficia a todos. Diante das provocações, sejamos elásticos, tolerantes, suportando em amor aqueles que querem nos prejudicar. Agir com paciência revela maturidade cristã. Impaciência é de menino, mas a paciência é do adulto, daquele que está maduro da vida cristã. O fato de não sermos pacientes traz uma serie de consequências desastrosas. As pessoas estão olhando para as nossas reações. Eu particularmente já tive reações muito ruins. Deus quer que Seus filhos sejam longos com o próximo. Devemos saber que a constância da impaciência traz consequências psicossomáticas muito sérias e, em alguns casos, leva o homem à morte. Deus nos deu a vida para a desfrutarmos com saúde. A falta de controle se caracteriza por atitudes de incredulidade, insatisfação, murmuração, insegurança e ingratidão. Jesus é o nosso exemplo de paciência. Ele procurava sempre ouvir as pessoas com atenção, sem pressa. Ele gostava muito de relacionamento. Um Senhor paciente que tratava pacientes ou enfermos utilizando a terapia do amor incondicional.

A prática da paciência traz resultados muito saudáveis: Alegria ao coração, solidariedade, autoridade espiritual, respeito e relacionamentos saudáveis. As pessoas que estão sempre impacientes são amarguradas, inseguras, medrosas, críticas e imediatistas, produzindo assim relações doentias. Os pacientes só têm a ganhar, pois têm qualidade de vida. Eles são resolvidos, palatáveis, proativos e interagem com facilidade. Deus é glorificado quando vislumbra em nós uma vida paciente, absolutamente confiante no Seu poder. Esta vida é fruto da paz interior que está no coração centrado em Cristo Jesus. Concluo, repartindo uma história contada pelo colunista Sydney Harris em que acompanhava um amigo à banca de jornais. O amigo cumprimentou o jornaleiro amavelmente, mas como retorno recebeu um tratamento rude e grosseiro. Pegando o jornal que foi atirado em sua direção, o amigo de Harris sorriu polidamente e desejou um bom fim de semana ao jornaleiro. Quando os dois desceram pela rua, o colunista perguntou:

“Ele sempre trata você com tanta grosseria?” “Sim, infelizmente é sempre assim”

“E você é sempre tão polido e amigável com ele”?

“Sim, sou”

“Por que você é tão educado, já que ele é tão inamistoso com você?”

“Porque não quero que ele decida como devo agir”.

A atitude paciente nos leva a agir assim. Como diz John Powell “a pessoa não está à mercê do mau humor, da mesquinharia, da impaciência e raiva dos outros. Não são os ambientes que a transformam, mas ela que transforma os ambientes”. Vale a pena exercer a paciência para que, acima de tudo, Deus seja Glorificado.

Oswaldo Luiz Gomes Jacob, pr.

1 comentário em “PACIÊNCIA”

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.