O OLHAR COM GRAÇA

 

Temos muita dificuldade em aceitar as pessoas. Somos muitas vezes tendenciosos e preconceituosos em nossos relacionamentos. Quantas vezes projetamos nos outros as nossas frustrações e somos implacáveis na sua condenação. Isto significa dizer que agimos com legalismo. Precisamos de cura. Esquecemo-nos de que precisamos amar as pessoas como elas são. Na verdade, desejamos que elas atendam às nossas expectativas. Tenham atitudes de acordo com o nosso padrão. Formamos o nosso grupo com base nos interesses pessoais e não com base no valor do outro. A nossa percepção do próximo é muito tacanha. O nosso olhar é legalista, imediatista e tendencioso. Observamos muitas pessoas sendo alijadas, excluídas de grupos. Os escribas e fariseus eram religiosos e legalistas de carteirinha. Agiam sem misericórdia com aqueles que erravam e pensavam de forma diferente deles. Jesus os chamou de sepulcros caiados – bonitos por fora e podres por dentro. Viviam de aparência. O exterior com base no tradicionalismo religioso era tudo para eles. Era o seu padrão de aferição. É bom lembrar que a religião mecânica valoriza muito a aparência em detrimento do interior, do coração.

O olhar com graça, porém, é o olhar de Jesus. Um olhar a partir do amor que tudo sofre, tudo crê, tudo espera e tudo suporta (1 Co 13.4-8). Um olhar de misericórdia e para o coração. Esta perspectiva é real a partir da manifestação da graça de Deus em nossas vidas. Fomos aceitos no Amado. Jesus é o nosso modelo de olhar as pessoas com amor. Ele tinha um olhar cheio de compaixão. Entendia as pessoas. Não as preconceituava e nem as alijava. O Seu coração estava aberto e, por isso, os Seus braços se abriam para receber as pessoas. Enquanto escribas e fariseus rejeitavam os párias da sociedade, o Senhor Jesus os buscava com amor. Todos os Seus diálogos ocorreram a partir do Seu profundo e incomparável amor pelas pessoas com todas as suas mazelas. Jesus olhava detidamente para as suas entranhas, para os porões do subconsciente com a intenção de restaurar nelas a imagem do Pai. Ele sabia das reais intenções do coração. Percebia com graça porque era a graça do Pai encarnada, feita carne, que habitou entre nós (João 1.14). Jesus nos ensina a olhar para as pessoas com o desejo de vê-las transformadas e comprometidas com o Seu evangelho.

Os relacionamentos pautados na manifestação da graça de Deus em Cristo Jesus (Tito 2.11-14), são terapêuticos. Assim deve ser a comunidade dos que foram alcançados pela graça do Pai. Valoriza o ser e não o ter. É direcionada para pessoas e não para as coisas. As pessoas são mais importantes. Uma comunidade assim é geradora de vida saudável. Aglutinadora e dinâmica. O seu compromisso é com o bem estar do próximo, com o seu crescimento em todas as dimensões. Quando agimos com graça podemos discordar na mente, mas não no coração. Promovemos a unidade do Espírito pelo vinculo da paz. Caminhamos na mesma direção, pois pensamos concordemente no Senhor. Que o nosso olhar, como membros do Corpo de Cristo, seja gracioso para a Glória de Deus Pai.

Pastor Oswaldo Luiz Gomes Jacob

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