“AS DORES DO HOMEM DE DEUS NO EXERCÍCIO DO MINISTÉRIO PASTORAL” (III)

 

“Meus filhos queridos, sofro dores de parto por todos vocês novamente – e este processo continuará até que o Messias seja moldado em vocês” Gl 4.19 – (Bíblia Judaica Completa – David Stern)

“O motivo principal dessa grande dor não era tanto que eles pudessem afetá-lo, mas para “…que Cristo seja formado em vós”, para que se tornassem cristãos de fato e fossem fortalecidos na fé do evangelho. Podemos observar então: a) A afeição terna que ministros fieis sentem por aqueles que estão sob sua responsabilidade. Ela é semelhante ao amor que os pais sentem pelos seus filhinhos; b) A coisa principal que anelam e pela qual chegam a sentir dores de parto é que Cristo seja formado neles; não tanto que eles recebam a afeição dos cristãos sob os seus, muito menos que os tornem suas vitimas, mas que possam ser renovados no espírito , moldados à imagem de Cristo e mais completamente formados e confirmados na fé e vida cristãs…c) Cristo não é completamente formado nos homens até que deixem de confiar em sua própria justiça e aprendam a confiar somente nEle e em Sua justiça” (Mattew Henry).

Jesus afirmou: “Bem aventurados os que choram (a dor da perda de sua inocência) porque serão consolados” (Mt 5.4). Neemias chorou (sentindo as dores espiritual e moral) ao saber da situação de sua cidade e sua nação (Ne 1.4). C. S. Lewis, ao perder a sua esposa, rasga o coração em “Anatomia da Dor”, dizendo: “Este diário é um homem que se desnuda emocionalmente em seu próprio Getsêmani. Trata da agonia e do vazio de uma dor, tal como poucos de nós têm de suportar, já que, quanto maior o amor, maior o luto e, quanto mais profunda a fé, mais ferozmente Satanás toma de assalto sua fortaleza”. O chorar do homem de Deus é fruto de suas dores intensas no exercício do ministério que Deus, em Cristo, lhe confiou. Quanto à dor da perda de um ente querido, de uma ovelha de Jesus. “A dor da perda é como um grande vale, um vale sinuoso que a cada curva pode revelar uma paisagem totalmente nova” (Anatomia da Dor, Ed. Vida, SP, 2007).

As dores revelam que somos frágeis, dependentes e incapazes de não senti-las, de evita-las. Mostram que somos humanos, sujeitos às mesmas paixões que Elias, o profeta de Deus. Marcel Proust disse: “A doença é o médico que mais ouvimos: para a bondade e o conhecimento só fazemos promessas: à dor obedecemos”.

John Piper, um dia antes de retirar a sua próstata por causa de um câncer, afirmou: “Não desperdice o seu câncer. Agradeça-o a Deus”. Não desperdicemos nossas dores. O nosso irmão, o advogado de Chicago, Horatio Gates Spafford (1828-1888), sabia o que era a dor ao perder suas quatro filhas num naufrágio no Atlântico Norte (e já havia perdido um filho), quando sua esposa Anna mandou-lhe um bilhete: “Salva, porém só. Ele foi buscar a esposa e próximo ao lugar onde suas filhas naufragaram, respondeu à dor da perda sob o amor, a fidelidade e soberania de Deus: Se paz a mais doce me deres gozar; se dor a mais forte sofrer; oh, seja o que for, tu me fazes saber que feliz com Jesus sempre sou! Sou feliz com Jesus! Sou feliz com Jesus, meu Senhor” (Hino 398).

Agostinho, após um período de sofrimento pela perda de sua mãe, Mônica, cita os versos de Ambrósio:

Vós sois na verdade,

Deus, Criador de todas as coisas,

Regendo o mundo supremo,

Vestindo o dia com a beleza da luz,

Vestindo a noite com a graça do sono,

Para que o repouso, ao labor de cada dia,

Os membros fatigados restitua,

As mentes cansadas alivie

E as tristezas angustiosas dissipe.”

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