“AS DORES DO HOMEM DE DEUS NO EXERCÍCIO DO MINISTÉRIO PASTORAL” (II)

 

“Meus filhos queridos, sofro dores de parto por todos vocês novamente – e este processo continuará até que o Messias seja moldado em vocês” Gl 4.19 – (Bíblia Judaica Completa – David Stern)

À medida da experiência, a medida da dor. Quanto mais calejados no ministério mais sensíveis. Não podemos mascarar a dor. Não temos o direito de tomar analgésicos, mas trata-las corretamente. Devemos conviver com as dores. Nós as sentimos quando pregamos o genuíno evangelho. O nosso ego não gosta. O nosso ego gosta de acomodação. Aprecia fugir do confronto. Quer passar longe dos problemas da Igreja. Então há uma luta intensa – entre o meu querer e querer de Deus. É o fator Getsêmani. Neste jardim Jesus orou: “Meu Pai, se não for possível afastar este cálice sem que eu o beba, seja feita a tua vontade” (Mt 26.42).

Como pastores, experimentamos as dores dos relacionamentos na família, na Igreja e na sociedade de um modo geral. Algumas coisas nos causam dores terríveis: Hipocrisia, dissimulação, crítica ferina, rasidade (crentes com o conhecimento largo e raso), desobediência, resistência, traição, dispersão, carnalidade, expectativas não alcançadas, infidelidade, miopia espiritual, injustiça, casamentos em conflito, o mundo entrando na igreja, apostasia, convivência com inimigos da cruz de Cristo, jovens mergulhados na imoralidade, pornografia, a perda de uma ovelha de Cristo, a dor do legalismo implacável; a dor da nossa luta pessoal entre espírito e carne. (Gl 4.1-19). Mas o Senhor Jesus nos ajuda sobremaneira quando, no final das bem-aventuranças, ensina: “Bem-aventurados sois, quando vos insultarem, perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós por minha causa. Alegrai-vos e exultai, pois a vossa recompensa no céu é grande; porque assim perseguiram os profetas que viveram antes de vós” (Mt 5.11,12).

J. Oswald Sanders, falando sobre “O Custo da Liderança”, faz algumas observações pertinentes, principalmente no que se refere ao sofrimento do líder utilizando a indagação de Jesus aos Seus discípulos: “Podeis vós beber o cálice que eu bebo, ou receber o batismo com que sou batizado?” (Mc 10.38). Ele coloca sabiamente alguns desafios do líder: O Auto-sacrificio, a solidão, a fadiga, a crítica e a rejeição. Jesus foi rejeitado. “Frequentemente a multidão não reconhece um líder senão após sua partida e, em seguida, edifica um monumento para ele, com as pedras com que o apedrejaram em vida”.

Henry Nouwen é muito sábio quando diz que “é-nos revelada aqui uma maneira completamente nova de viver. É uma maneira segundo a qual a dor pode ser abraçada, não pelo desejo de sofrer, mas por saber que algo novo nascerá da dor. Jesus chama às nossas dores de ‘dores de parto’. Diz assim: ‘Quando a mulher está para dar à luz, sente angustia, porque chegou a sua hora. Mas quando a criança nasce, ela nem se lembra mais da aflição, porque fica alegre por ter posto um homem no mundo” (João 16.21).

Wesley L. Duwell, tratando do tema “O Seu Ministério de Lágrimas”, pergunta: Onde estão as suas lágrimas? Jó, Davi, Isaias, Josias, Esdras, Neemias, Jeremias, Daniel, Paulo e nosso Senhor choraram. Numa oração muito preciosa, clama: DÁ-ME LÁGRIMAS

Dá-me lágrimas nos olhos, amoroso Senhor, eu oro!

Dá-me lágrimas quando intercedo.

Dá-me lágrimas quando me ajoelho diante do Teu trono a cada dia;

Dá-me lágrimas quando aprendo a suplicar.

Senhor transpassado, quebra este coração frio e insensível que eu tenho;

Derrete o meu coração com o teu fogo santo!

Inunda minha alma com a paixão do amor divino;

Que eu possa ansiar com o Teu desejo.

Até que eu tenha fome e sede e anseie,

Até que o desejo pelas almas dos homens pecadores

Queime dentro de mim consumidor.

Enche meu coração com Tuas lágrimas; desvenda ali a tua cruz

Até que tudo o mais neste mundo morra,

Até que tudo o mais em minha vida não passe de perda,

Com exceção da cruz do Crucificado.

Que o meu coração seja sempre um coração crucificado

Que ele sangre pelas almas dos homens.

Que o fardo pelas almas derreta o meu coração a cada dia

Até que eu compartilhe de novo o Teu labor.

Dá-me lágrimas quando prego sobre o Teu amor agonizante;

Dá-me lágrimas quando suplico pelos homens.

Dá-me lágrimas quando aponto para o Teu trono lá no alto;

Amor de Deus, derrete outra vez meu coração.

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