Legal ou Legalista?

 

O Senhor Jesus sempre combateu de forma veemente o legalismo – um sistema que privilegiava o mérito humano em detrimento do mérito de Cristo. Jesus condenou as atitudes dos escribas e fariseus, que tinham prazer em ser melhores do que os outros e uma especialidade em julgar a partir do pedestal do legalismo religioso. Os judaizantes, legalistas de plantão, fizeram um estrago nas igrejas da Galácia. Por esta razão, o apóstolo Paulo mandou a sua belíssima epístola circular nas igrejas da região. Os judaizantes (sacerdotes que ‘obedeciam’ à fé) criam e ensinavam que Jesus não era suficiente, pois defendiam a adição da circuncisão nos homens que criam no evangelho de Cristo. O legalista está preso à lei, às regras e ao sistema meramente religioso. Defende a centralidade do homem em prejuízo da centralidade de Cristo, o Senhor. A ênfase na organização e não no organismo. A imagem do legalista é a imagem que Jesus mostrou na parábola do fariseu e do publicano. Sabemos da arrogância religiosa do fariseu e da humildade do publicano, daquele que tinha uma consciência de seu pecado, de sua imundície. O legalista se acha mais espiritual do que o outro. A sua tendência é a crítica ferina, pois geralmente é amargo, insuportável e de difícil relacionamento. Ele procura ser certinho. Vive a partir de performance, de desempenho em detrimento da vida de descanso na graça de Cristo Jesus. O legalista está preso a detalhes, a questiúnculas, a formalidades. É capaz de ver o cisco no olho no outro e não percebe o pedaço de madeira no seu. Trabalha (mérito humano) e descansa em vez descansar (mérito de Cristo) e, depois, trabalhar.

Ser legal é ser correto, íntegro, cumpridor dos seus deveres. Ele vive debaixo da graça de Deus em Cristo Jesus. Age com seriedade. A sua maior aspiração é parecer-se com Jesus, cuja vida foi marcada pelo amor e pelo perdão. Jesus sempre serviu ao outro a partir do dar-se a si mesmo em profundo amor. Ser legal é confiar no mérito de Cristo. Crê na suficiência da Sua obra na cruz e na ressurreição. Ser legal é ser empático, simpático, profundamente comprometido com o bem estar do outro. O seu prazer é andar conforme o evangelho de Cristo e falar do Seu amor. Tem prazer na comunhão dos que foram alcançados somente pela graça. A sua vida é uma vida de fé na Palavra revelada. Ele está crucificado com Cristo (Gl 2.20). Não fica olhando para os defeitos dos outros, mas para os seus e ora como o rei Davi: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova dentro de mim um espírito reto” (Sl 51.10). Ele compreende a luta do coração humano. Há sensibilidade com o sofrimento alheio. A sua vida exala o bom perfume de Cristo, pois o seu testemunho é exuberante. É serviçal, misericordioso, facilitador e empreendedor sempre pensando na coletividade. O cristão genuíno é legal pronto a ajudar os que precisam e sem barganhar. Não quero ser um legalista, mas um homem sempre legal, empático, simpático, compreensivo e abençoador e muito sério com as coisas de Deus. Jesus é a expressão máxima do ser legal. Para o legal a lei não é um fim em si mesma, mas um instrumento de Deus para expor a malignidade do pecado do homem e, ao mesmo tempo, revelar a solução que há em Cristo Jesus. Sejamos pessoas legais revelando o caráter de Cristo em nossos relacionamentos dentro e fora da Igreja. Sejamos cristãos radiantes, sóbrios, criativos, serviçais e comprometidos com a implantação do Reino de Deus pela pregação do genuíno evangelho de Cristo a todos os povos, línguas, nações e etnias. Que Deus nos livre do legalismo dos escribas e fariseus, dos que vivem uma religião mecânica, sem vida, e nos conceda a graça e o amor de Cristo, nosso Senhor, que nos legou o evangelho que trouxe vida e esta em abundância. Sejamos legais como Cristo, a esperança da glória.

Oswaldo Luiz Gomes Jacob, pr.

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