OS EXECUTIVOS DA RELIGIÃO

 

Temos observado o crescimento assustador dos chamados evangélicos no Brasil. Hoje são cerca de 42 milhões. Precisamos definir muito bem o que é ser evangélico. Neste nome entra tudo o que podemos imaginar. É uma diversidade de confissões e de nomes dos mais esquisitos. É uma Babel religiosa. Nela, homens e mulheres se arvoram como lideres de incautos, de pessoas buscando tábuas da salvação. E é aí que entram os executivos da religião. São homens e mulheres que têm construído os seus pequenos reinos religiosos sobre a sinceridade de pessoas simples em sua maioria. Esses executivos da religião são ditadores e arrogantes. Só permanecem em seus reinos aqueles que seguem religiosamente a sua cartilha. É impressionante o luxo que eles vivem em duro contraste com a pobreza do povo.

Os executivos da religião são talentosos. Sabem comunicar muito bem. São artistas. Conseguem arrecadar grandes somas de dinheiro se aproveitando da ingenuidade do povo. Torcem a Bíblia para fundamentarem seus ensinos e suas abordagens meramente materialistas e pragmáticas. São teólogos da prosperidade financeira. Ensinam o povo a barganhar com Deus. Pregam um evangelho que não é bíblico. Usam mecanismos suspeitos para usurpar as pessoas que entram e saem dos seus templos. Eles se aproveitam das carências do povo. Utilizam a linguagem dos sonhos. Visitei uma dessas igrejas com o objetivo de fazer um trabalho para o meu curso de Mestrado e constatei que o ‘pastor’ era muito talentoso na comunicação. Ele conseguiu tirar dinheiro do povo seis vezes durante o culto de uma hora e meia. Ele utilizou a linguagem do triunfalismo e trabalhou com técnicas de persuasão. Há igrejas que pregam: “É só vitória”. Essa turma não está comprometida com o evangelho da graça, com o evangelho da cruz.

Esses elementos não estão preocupados com ética e nem com a prestação de contas. É triste ouvir as pessoas dizerem dessas igrejas: “Pequenas ou grandes Igrejas, grandes negócios”. Os executivos da religião geralmente não têm preparo teológico formal, pois fazem cursos curtos e rasos. O mais importante é comunicar bem, prometer ‘bênçãos’ em troca de vantagens financeiras e acumulo de bens. Eles não têm escrúpulos. É o que Judas declara em sua epístola: “Ai deles! Porque prosseguiram pelo caminho de Caim, e movidos de ganância, se precipitaram no erro de Balaão, e pereceram na revolta de Corá. Estes homens são como rochas submersas, em vossas festas de fraternidade, baqueteando-se juntos sem qualquer recato, pastores que a si mesmos se apascentam; nuvens sem água impelidas pelos ventos; árvores em plena estação dos frutos, destes desprovidas, duplamente mortas, desarraigadas… Os tais são murmuradores, são descontentes, andando segundo as suas paixões. A sua boca vive propalando grandes arrogâncias; são aduladores dos outros, por motivos interesseiros” (Judas 11,12; 16).

Os executivos da religião estão mais preocupados com o seu status do que qualquer outra coisa. Eles estão comprometidos com uma vida que lhes dê estabilidade financeira e muito conforto. Usam o seu capital político para trazer benefícios ao seu reino religioso. Estão mais preocupados em apresentar um sistema religioso em vez do evangelho de Cristo “que é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê” (Rm 1.16). Têm mais interesse num ajuntamento lucrativo do que numa comunidade amorosa, serviçal e comprometida com o estilo de vida de Jesus. Na verdade, eles prestam um serviço religioso que é remunerado, pois acham que é justo porque trabalham. São pessoas jeitosas, espertas e gostam de levar vantagem. Que Deus nos livre desse estilo de vida e nos conceda a graça de serví-lO com alegria e singeleza de coração, vivendo e pregando o genuíno evangelho de Cristo, o Senhor.

Oswaldo Luiz Gomes Jacob, pastor.

1 comentário em “OS EXECUTIVOS DA RELIGIÃO”

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.