LIDERANÇA CRISTÃ E CRISE

 

Quando tiramos o S da palavra crise lê-se CRIE. A crise é um tempo de turbulência, ventos fortíssimos, tensão, situações adversas, tempestades… A palavra ‘crise’ vem do latim ‘crisis’ quer dizer “conjuntura perigosa; momento perigoso e decisivo”. Todos nós temos nossas crises sejam internas, sejam externas. Os chineses dizem que crise é oportunidade. Certamente oportunidade para buscar novos caminhos ou corrigi-los, novas formas de enfrenta-la e vencê-la, estabelecer novas metas, novos objetivos, ter nova disposição, focar o essencial. A crise é um momento de avaliar desempenho, procedimentos e mecanismos. É a oportunidade de criar, procurando utilizar dons (espirituais) e talentos (naturais) para o crescimento espiritual seja pessoal ou coletivo. Utilizar dons e talentos para o treinamento de pessoas tendo em vista o exercício de uma liderança capaz de enfrentar no Senhor os desafios deste tempo.

Ao fazermos uma leitura dos personagens bíblicos, veremos que todos tiveram crises de fé, confiança, vocação, valores, relacionamentos… As crises funcionam também como prumo para a nossa liderança. Prova se somos ou não maduros. Desencadeia um processo de busca intensa por mais maturidade espiritual. Revelamos maturidade quando respondemos as crises com fé, confiança, amor, mansidão e trabalho sério. Somos imaturos quando agimos com incredulidade – murmuração, pessimismo, rejeição, justificativas e acomodação. A crise deve sempre nos conduzir a uma intimidade e consequente dependência de Deus, nosso Pai. Moisés não entrou na terra prometida em função da sua impaciência e falta de fé na ‘crise da falta de água’ quando estava no deserto em direção à Canaã. Em vez de falar à rocha, ele a feriu. Diante das pressões, ele preferiu ferir a falar. Na verdade, é mais fácil ferir, ser impaciente. Neemias, por outro lado, respondeu à crise social e ao caos estrutural da cidade de Jerusalém com fé, paciência, pro-atividade, trabalho sério, promoção da unidade do povo, criatividade e dependência de Deus. Venceu os inimigos de dentro e de fora da cidade buscando a solução em Deus, treinando uma equipe de primeira e trabalhando duramente à luz dos valores do Reino de Deus.

Como líderes, aprendemos muito com a crise. Os melhores comandantes de navio são aqueles que enfrentam tempestades como os dos pesqueiros do Mar de Bering (Alasca). Eles enfrentam ondas de oito metros e ventos fortíssimos. Amyr Klink enfrentou muitas crises em suas viagens marítimas. Ele foi muito corajoso ao navegar sozinho. Na sua experiência, aprendeu grandes lições de liderança – autocontrole, perseverança, foco, criatividade, alternativas, correção de rumo… Lembro-me com gratidão da tempestade pela qual o apóstolo Paulo passou juntamente com o comandante, os marinheiros e passageiros daquele barco que o levava a Roma (At 27.1 – 28.10). A reação de Paulo era de um líder maduro, experimentado nas crises, que possuía plena confiança no seu Senhor, pois este já havia revelado que ninguém se perderia no naufrágio. Paulo me ensina que a crise da liderança se enfrenta com fé, amor, perseverança, criatividade, humildade, dependência de Deus, otimismo, serviço amoroso e dedicação. As suas cartas são um testemunho de uma liderança segura em Deus.

O Senhor Jesus deixou muito claro que a vida do cristão autêntico neste mundo é de aflições, tribulações, crises, mas nos garantiu a Sua presença vitoriosa (João 16.33). Ele prometeu estar conosco nas circunstâncias mais difíceis. O líder precisa aprender estar nos pastos verdejantes (bonança) e no vale da sombra da morte (turbulência, perigos). A segurança está na certeza de que “não temerei mal algum porque tu estás comigo” (Sl 23.4). Ser líder é saber viver no deserto e no oásis. Sejamos líderes cheios do amor do Pai, da graça do Filho e do poder do Espírito no meio da crise inerente ao ministério exercido neste mundo mau e tenebroso.

Oswaldo Luiz Gomes Jacob, pastor.

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