GETSEMANI – SER COMO CRISTO OBEDECENDO A DEUS PAI (3)

 

O nosso texto é Mateus 26.41-46. Trata-se da experiência de Jesus no Getsemani – a antessala do Calvário. Fico impressionado com a clareza de Jesus em expor a Sua missão. “E disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que o Filho nada pode fazer por si mesmo, senão o que vir o Pai fazer; porque tudo quanto ele faz, o Filho faz também. Porque o Pai ama o Filho e mostra-lhe tudo o que ele mesmo faz; e lhe mostrará obras maiores que estas, para que vos admires. Pois, assim como o Pai ressuscita os mortos e concede-lhes vida, assim também o Filho concede vida a quem ele quer” (João 5.19-21). Ao lermos a Oração Sacerdotal de Jesus (João 17), podemos apreender que a Sua vida foi caracterizada pela obediência incondicional. O prazer do Filho era obedecer ao Pai.

No nosso texto em análise, Jesus dá uma ordem: Vigiai (Mt 26.41). Ele nos alerta quanto ao perigo de estarmos desatentos diante das forças invisíveis do mal, de caminharmos para dentro da tentação. A atenção concentrada de Jesus no Getsemani contrasta com a sonolência dos discípulos (Mt 26.43). É assim que está a Igreja hoje: sonolenta, desatenta, absorta em seus interesses meramente religiosos e insensível à realidade do mundo sem Cristo. Percebemos o perigo da acomodação, da mesmice diante da guerra entre a carne e o espírito. Jesus achou os discípulos dormindo, com os olhos pesados. É assim que está a Igreja: pesada com tanto ativismo meramente religioso, caracterizado por um tradicionalismo pernicioso.

Jesus foi orar pela terceira vez (Mt 26.44), e ao voltar para a companhia dos discípulos, encontrou-os dormindo. O nosso Senhor está vendo a Igreja dormindo num mundo de pessoas acordadas para fazerem o mal. Martin Luther King dizia que não se impressionava com o grito dos maus, mas com o silencio dos bons. Os discípulos cansados e sonolentos revela a realidade da Igreja hoje. O mundo está entrando na igreja deixando-a anestesiada, insensível. O Senhor nos chamou de dentro para fora do mundo para sermos diferentes e relevantes em nossa mensagem. Por esta razão, John Poulton declara: “A pregação mais eficaz provem daqueles que vivem conforme aquilo que dizem. Eles próprios são a mensagem. Os cristãos têm de ser semelhantes àquilo que falam. A comunicação acontece fundamentalmente a partir da pessoa, não de palavras e ideias. É no mais íntimo das pessoas que a autenticidade se faz entender; o que agora se transmite com eficácia é, basicamente, autenticidade pessoal”. Foi isto que Jesus nos ensinou em todo o Seu ministério.

O Senhor Jesus obedeceu ao Pai e nos deixou um legado preciosíssimo. Somos desafiados a ser Seus imitadores. Então, devemos imita-lo na Sua encarnação tendo o mesmo sentimento dele (Fil 2.5-8); no Seu serviço, pois Ele mesmo não veio para ser servido, mas para servir e dar a Sua vida em resgate de muitos (Mt 20.28). Assim como Ele lavou os pés dos discípulos, servindo-os, assim devemos fazer também uns com os outros. Imitá-lo em Seu amor, pois Ele nos amou e a Si mesmo se deu por nós (Ef 5.2). Imitá-lo em Sua missão ao revelar com Suas atitudes e atos o amor do Pai, em buscar e salvar o perdido (Lc 19.10). Ser como Cristo na Sua obediência até a morte e morte de cruz. Identificados com Ele iremos até às últimas consequências sempre para a Glória de Deus Pai.

Oswaldo Luiz Gomes Jacob, pastor.

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