PASTORES RICOS E PASTORES POBRES

 

Temos constatado seja pela mídia ou pelas informações de irmãos de confiança e pastores sérios, o enriquecimento de elementos que estão na liderança pastoral, profética ou da Palavra. Parece-me contraproducente este tipo de coisa. A história do ministério profético revela o chamado da parte de Deus e a seriedade dos homens chamados, que serviam ao Senhor na Sua total dependência. Eram pastores e profetas extremamente ricos porque a riqueza deles era Cristo. Tozer foi muito sábio ao dizer que “não é absolutamente mais feliz aquele que tem Deus mais alguma coisa do que aquele que só tem o Senhor”. Os ministros ricos são os que recebem o seu sustento digno, sem explorar o povo, cuidam muito bem da família e não acumulam bens. O seu bem maior é o Senhor. Os levitas não possuíam terras, mas o Senhor. Confiavam na suficiência do Senhor em quaisquer circunstâncias. Paulo deixou, ao morrer, os seus pergaminhos (2 Tm 4.13). Os pastores ricos deixam a herança espiritual/ética para os seus filhos. O seu legado espiritual é visível pelas ovelhas, sua esposa e seus filhos. Os homens de Deus são abnegados, desprendidos, liberais em contribuir, amorosos, solidários e que buscam a profundidade da vida de Cristo pela Palavra. Eles estão mortos para si mesmos e vivos para Deus, o Pai que os supre sempre. O apóstolo Paulo era um homem rico porque a sua confiança não estava em bens, mas no Senhor. Outro obreiro valoroso foi Hudson Taylor, médico-missionário na China, quando disse: “A obra de Deus, feita à maneira de Deus tem o sustento de Deus”. Eles não estavam focados no acumulo de propriedades, mas no resgate de vidas preciosas. Não viam cifrões, mas pessoas valiosas. Não estavam preocupados com a fama, mas com a herança de um testemunho fiel.

Os pastores pobres, por sua vez, são medíocres. Vivem explorando o povo com altíssimos salários, mordomia, carros sofisticados, casas luxuosas e contas bancárias extravagantes. Vivem viajando. Não cuidam do povo. Não cheiram as ovelhas de Cristo. É triste ver elementos no ministério que fazem do povo fonte de lucro para o seu bel prazer e da sua família. Elementos egoístas, avarentos e comprometidos com o ter como um fim em si mesmo em detrimento do ser em Cristo Jesus. Os pastores pobres o são de amor, solidariedade, cuidado, afeto e confiança no Senhor. Eles acumulam bens para a sua “aposentadoria”. Conheço companheiros de ministério que têm várias propriedades. Deviam ser empresários, donos de imobiliárias e fazendeiros. Eles buscam a glória pessoal e não a glória de Deus. São ditadores implacáveis. Na verdade, mandam na Igreja. Não dialogam com o povo. A Igreja que lideram não é de Jesus, mas deles. Como diz Paulo, “são inimigos da cruz de Cristo e o fim deles é a perdição; o deus deles é o estômago; e a glória que eles têm baseia-se no que é vergonhoso; eles se preocupam só com as coisas terrenas” (Fil 3.18,19). São pessoas comprometidas com a teologia da prosperidade e com a imagem pessoal. São megalomaníacos. Usam de vaidade. Eles têm um palavreado típico de gente que não está nem aí para as necessidades dos outros. São profissionais de púlpito. Talentosos na comunicação. São elementos sem coração, sem fé e sem discernimento espiritual. Vivem de aparência. Não pregam a Palavra, mas suas palavras, suas convicções ou seus achismos. E a família vive em crise profunda porque basta dar conforto. Judas nos dá a medida certa desses elementos pobres: “Ai deles! Pois seguiram pelo caminho de Caim, e por causa de lucro se lançaram ao erro de Balaão e foram destruídos na rebelião se Coré. Eles são rochas ocultas e participam de vossas refeições comunitárias, banqueteando-se convosco, sem escrúpulos. São pastores que apascentam a si mesmos. São como nuvens sem água, levadas pelos ventos. São como árvores sem folhas nem fruto, duplamente mortas, cujas raízes foram arrancadas. São como as ondas bravias do mar, espumando suas próprias indecências, estrelas fora de curso, para as quais a escuridão das trevas tem sido reservada para sempre” (Judas 11-13). Esta é a pura realidade dos pastores pobres. Só serão tornados ricos pela manifestação do Senhor em suas vidas a partir de um profundo arrependimento e mudança radical de vida. Que o Pai seja glorificado nos homens comuns que foram chamados  para um trabalho extraordinário.

Oswaldo Luiz Gomes Jacob, pr.

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