MAIS MESAS

 

A informalidade nos expõe. A formalidade nos esconde. A nossa tendência é a formalidade porque, na verdade, temos medo de abrir o nosso coração na comunhão do Corpo de Cristo – a Igreja. Por esta razão, precisamos ter mais mesas que se traduzam em mais comunhão, informalidade. À mesa somos iguais. Em torno dela compartilhamos a fé na suficiência de Cristo, a nossa esperança, o coração, nossas mazelas e nossas expectativas. Aprendemos a ver o outro com mais naturalidade sem cobrarmos desempenho e sem o julgarmos. O Senhor Jesus gostava muito de estar à mesa com os Seus discípulos, religiosos e os párias da sociedade espartana. Ao seu redor, a comunicação é mais real, menos hipócrita. Nela rasgamos o coração muitas vezes ferido com as decepções da vida e podemos experimentar a cura pelo amor fraterno.

A nossa experiência com Cristo passa pela confissão, do arrependimento e do perdão. Nesta circunstância, entendemos mais o outro, percebemos com mais clareza como servi-lo em amor. À mesa, lugar comum, há confrontação com os ensinos de Cristo e a disposição do coração em buscar a cura. Esta sociedade chamada cristã – referindo-me ao contexto da Igreja de Jesus – está doente e precisa da terapia da fraternidade. Carece da festa do Cordeiro onde as pessoas estão presentes não por seus méritos, mas pelos méritos de Jesus, nosso Salvador e Senhor.

Estar à mesa pode desencadear a metamorfose das entranhas, a renovação da mente e a prontidão do espírito em fazer toda a vontade de Deus. A experiência nos leva ao descanso, pois ao seu redor temos a capacidade de relaxar, refletir e ouvir os conselhos do Pai através dos irmãos comungantes. A mesa da comunhão é a da graça que basta, do reconhecimento de nossa incapacidade de perceber tantas coisas boas e edificantes e do quebrantamento operado pelo Espírito Santo aplicando o Senhor Jesus às nossas vidas.

Em casa, na igreja e na vizinhança precisamos de mais mesas. Foi em torno dela que a mulher pecadora se achegou a Jesus, quebrantada e confessando os seus pecados, para ser perdoada, onde o perfume do amor, perdão e da aceitação do Senhor se fez sentir muito forte. Jesus foi para a casa de Zaqueu e sentou com aquele publicano que, arrependido e profundamente impressionado com o Salvador, confessou seus pecados. Por isso Jesus deixou muito claro a Sua missão em Lucas 19.10: “O Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido”. Mesa é oportunidade de ouvir, falar, refletir, ajudar, encorajar e criar para agir sempre em favor do próximo e para a glória do Criador.

É nela que devemos ter comida e bebida para todos; comunhão e expressão; afetuosidade e aceitação; sinceridade e integridade; graça e receptividade e o olhar profundo e perscrutador do Senhor. Somos convidados a participar da Mesa do Senhor – a mesa do amor, da graça, misericórdia, justiça, entrega, do sacrifício, da consagração e da ação que faz muito bem ao outro. Que tenhamos mais mesas – da comunhão, articulação, dedicação e santificação. Onde podemos chorar, rir e exercer a empatia e a simpatia sempre em Cristo Jesus. Que a nossa vida tenha sempre a experiência de sentarmos ao seu redor com as pessoas simples e sofisticadas para exercermos o nosso testemunho cristão exaltando o Cordeiro, Aquele que é a razão da nossa esperança e da nossa fé.

 

Oswaldo Luiz Gomes Jacob, pr.

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