PALAVRA DA CRUZ

Textos sobre a obra completa de Jesus na cruz do Calvário e na ressurreição

EDIÇÃO: Oswaldo Luiz Gomes Jacob, pastor.

 

“Certamente, a Palavra da cruz é loucura para os que perecem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus. Pois está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios e aniquilarei a inteligência dos instruídos” (1 Corintios 1.18,19).

“Já estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim” (Gálatas 2.20).

“Tende em vós o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus, pois Ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz. Pelo que também Deus o exaltou soberanamente e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para a glória de Deus Pai” (Filipenses 2.5-11).

“E a vós outros, que estáveis mortos pelas vossas transgressões e pela incircuncisão da vossa carne, vos deu vida juntamente com Ele, perdoando todos os nossos delitos; tendo cancelado o escrito de divida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz; e, despojando os principados e as potestades. Publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz” (Colossenses 2.13-15).

Tudo em que Paulo se gloriava estava centralizado na cruz: não na Encarnação, mas na cruz; não no Exemplo Divino, mas na cruz; não na Segunda Vinda, mas na cruz; não em seus próprios trabalhos, sofrimentos e lágrimas, mas na cruz. O coração de toda revelação incide sempre sobre os estendidos braços da cruz. (Selecionado – Revista Betel – Londrina, PR).

O homem que está crucificado tem os olhos voltados para uma só direção…Ele não pode olhar para trás. O homem crucificado está olhando apenas uma direção, que é a direção – de Deus, de Cristo e do Espírito Santo…O homem na cruz não tem planos para si…Mas alguém fez planos para ele, e quando eles o pegaram naquela cruz, todos os seus planos desapareceram. Quando você se dispõe a morrer na cruz, você diz adeus – você não vai voltar! (A.W. Tozer).

A cruz deve fazer sua obra mais profunda em nossa vida diária para que possamos ter experiências reais de vitória e também de sofrimentos da cruz. Então, ao proclamarmos a mensagem nossa vida propagará em nossas palavras, e o Espírito Santo pode fazer fluir Sua vida através de nossa vida a fim de saciar a aridez das vidas que nos ouvem…A vida da cruz é a vida do Senhor Jesus…A obra da cruz é desobstruir-nos – livra-nos de tudo o que pertence a Adão e à ordem natural para que os outros possam receber a vida do Espírito Santo…E uma vez cheios do Espírito Santo e possuindo a vida de cruz, seremos usados pelo Espírito de Deus a fim de fazer emanar de nós a vida de cruz para os que estão ao nosso redor. (Watchman Nee).

No calvário se ergueu uma cruz contra o céu, como emblema de afronta e de dor. Mas eu amo essa cruz: foi ali que Jesus deu a vida por mim, pecador. Ao contemplar a tua cruz e o que sofreste ali, Senhor, sei que não há, ó meu Jesus, um bem maior que o teu amor. Não me desejo gloriar em nada mais senão em Ti; pois que morreste em meu lugar, teu, sempre teu, serei aqui. (Desconhecido).

Cristo é para nós o que o é a cruz. Tudo o que Cristo foi no céu ou na terra foi colocado no que ele fez aí…Cristo, repito, é para nós justamente o que a cruz o é. A pessoa não pode compreender a Cristo até que compreenda a Sua cruz…Sobre esta interpretação da obra de Cristo (a doutrina paulina da reconciliação) descansa toda a Igreja. Se tirarmos a fé desse centro, estaremos malhando o prego no caixão da Igreja. A Igreja então estará condenada à morte, e seu passamento será apenas uma questão de tempo. (P. T. Forsyth).

Deus estava em Cristo, reconciliando , na realidade, reconciliando, terminando a obra. Não foi um caso tentativo, preliminar…A reconciliação estava terminada na morte de Cristo. Paulo não pregava uma reconciliação gradual. Ele pregava o que os antigos teólogos costumavam chamar de obra terminada…Ele pregava algo feito uma vez por todas – uma reconciliação que está na base da própria composição da alma, não um convite apenas” (P. T. Forsyth).

Cada dia devemos levar o morrer de Jesus. Jesus nos ensinou a viver cada dia, sem ansiedade. No enfrentamento com o mundo – as tentações, as perseguições e os demais embates internos e externos, o apóstolo Paulo nos ensina: “Levando sempre no corpo o morrer de Jesus para que também a Sua vida se manifeste em nosso corpo. Porque nós, que vivemos, somos sempre entregues à morte por causa de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nossa carne mortal” (2 Corintios 4.10,11).

Não há perdão neste mundo, ou no vindouro, a não ser através da cruz de Cristo. Através deste homem vos é pregado o perdão dos pecados. As religiões do paganismo raramente conheciam a palavra… As grandes crenças dos budistas e dos maometanos não dão lugar nem às necessidades nem à graça da reconciliação. Provar esse fato é a coisa mais simples. O jubilo jaz nos hinos do culto cristão. Os adoradores maometanos jamais cantam. Suas orações são, no que tiverem de mais elevado, orações de submissão e pedido. Raramente atingem a nota mais alegre da ação de graças. Jamais se jubilam com os cânticos dos perdoados. (W. M. Clow).

O conde Zinzendorf, líder missionário do século 18, ensinava que os pagãos sabem que há um Deus, mas necessitam conhecer o Salvador que morreu por eles. Conte-lhes acerca do Cordeiro de Deus, instava ele, ‘até que você já não lhes possa contar nada mais’. John Stott diz: ‘Essa ênfase saudável à cruz surgiu grandemente de sua própria experiência de conversão. Enviado com a idade de 19 anos para visitar as capitais da Europa, a fim de completar sua educação formal, certo dia ele se achou na galeria de arte de Düsseldorf, Alemanha. De pé, em frente do quarto Ecce Homo de Domenico, o qual retrata Cristo usando a coroa de espinhos, e cuja inscrição lê-se: ‘ Tudo isto fiz por ti; que faze tudo por mim?’ Zinzendorf recebeu profunda convicção e desafio. ‘Nessa mesma hora’, escreve A. J. Lewis, ‘o jovem Conde pediu que o Cristo crucificado o levasse à ‘comunhão dos Seus sofrimentos’ e abrisse uma vida de serviço para ele. Ele jamais renegou esse compromisso. Ele e sua comunidade tinham interesse apaixonado pela entronização do Cordeiro de Deus. (John Stott ).

Só o homem crucificado pode pregar a cruz. Disse Tomé: ‘A menos que eu veja em Suas mãos o sinal dos cravos…não crerei’. O Dr. Parker, de Londres, relata que o que Tomé disse acerca de Cristo, o mundo hoje está dizendo a respeito da Igreja. E o mundo hoje está dizendo a cada pregador: A menos que eu veja em tuas mãos as marcas dos cravos, não crerei. É verdade. Só o homem… que morreu com Cristo, …pode pregar a cruz de Cristo”. (Campbel Morgan).

A cruz é a única formula que Deus estabeleceu para a salvação do ser humano em qualquer época. A sua ação é indispensável para atingir o âmago do problema essencial da natureza humana. Só a cruz pode alcançar as verdadeiras causas de nossa rebeldia. Só ela pode atingir em cheio a fonte da nossa natureza pecaminosa, fazendo morrer juntamente com Cristo o nosso velho homem, canal e servente de toda a insubmissão e revolta; opositor de simplicidade e santidade que são devidas a Cristo.

Contudo, por meio da cruz o poder do evangelho se torna possível. Porque a palavra da cruz é deveras loucura para os que perecem ; mas para nós que somos salvos, é o poder de Deus (1 Corintios 1.18). A maior evidencia do poder se encontra na fraqueza. Quando Cristo, o Deus Todo Poderoso, se esvazia da Sua Divindade e se torna em figura humana, e nesta condição, assume atitude de tomar a cruz para morrer a nossa morte, ele expressa a maior demonstração de poder que pode conhecer. (Glênio Fonseca Paranaguá)

A morte do Senhor Jesus na cruz do Calvário não foi um acidente; foi obra de Deus. Foi Deus quem O ‘manifestou’ ali. Quão freqüentemente é despercebida toda a glória da cruz, devido o sentimentalismo dos homens, sendo extinguida quando dizem: “Ah, Ele foi bom demais para o mundo; foi puro demais. Seus ensinos foram maravilhosos demais e os homens cruéis O crucificaram”! O resultado é que começamos a ter pena dEle, esquecendo que Ele próprio voltou-se para aquelas ‘filhas de Jerusalém’ que estavam começando a se penalizarem por Ele, e disse: ‘Não choreis por mim mas chorai por vós mesmas’. Se o conceito que temos da cruz é tal que nos leva a ter perna do Senhor Jesus Cristo, significa simplesmente que nunca a vimos como realmente é. Foi Deus quem O ‘manifestou’. Não foi um acidente, mas algo deliberado. Na realidade, o apóstolo Pedro, pregando no dia de Pentecoste disse que tudo aquilo acontecera “pelo determinado conselho e presciência de Deus” (At 2.23). “Ao qual Deus propôs”. (Martyn Lloyd Jones)

Quanto mais medito na morte de Cristo , tanto mais ela me impressiona. Mas de uma coisa tenho certeza: ela não clama por pena, mas por admiração e assombro, pela maior façanha da história humana, realizada pelo homem mais poderoso e santo da história, o Deus-homem. Foi a suprema conquista do amor, realizada em função de uma alegria colocada adiante. E nós somos chamados para um compromisso: segui-lO ao longo do caminho da cruz, “fixar nossos olhos em Jesus”. (John White).

A cruz é a justificação de Deus. A cruz é a justificação do caráter de Deus. Ela não somente mostra o amor de Deus mais gloriosamente do que qualquer outra coisa; mostra Sua justiça, Sua retidão, Sua santidade e toda a glória de Seus atributos eternos. Podem ser vistos brilhando juntos ali. Se não os virem, não viram a cruz. Razão porque devemos rejeitar totalmente a assim chamada ‘teoria de influencia moral’ da expiação, aquela que descrevi – isto é, a que diz que a cruz apenas precisa quebrar nossos corações e nos levar a ver o amor de Deus (Martin Lloyd Jones )

Só a fé verdadeira nos faz andar pelo caminho da cruz. E, se devemos andar contentes, deve ser um tipo de fé que se transforma numa profunda convicção de que as alegrias são reais e tangíveis, de que a outra vida é muito importante e de que Jesus está mesmo preparando um lugar nas alturas. O caminho da cruz é uma obsessão magnífica por uma perola celestial. Comparado a ela, tudo o mais na vida perde o valor. Se pudéssemos comprá-la, venderíamos tudo, de bom grado. Mas não podemos comprar o tesouro celestial. Ele não está à venda. O ponto central da parábola é que, tendo vislumbrado a perola, desprezamos todas as outras coisas para perseguir o tesouro. ( John White).

A cruz é a única maneira de Deus lidar com o pecado do homem. Se houvesse outra alternativa, certamente Deus a teria usado. Se não usou, é porque a cruz é o ultimato de Deus para o pecado. Se houvesse outra opção para encarar o pecado e Deus tivesse preferido levar o Seu Filho para a cruz, teríamos que reconhecer a perversidade deste Deus sanguinário e malvado. Ninguém poderia ser mais cruel do que um Deus que, tendo outra escolha, preferisse o sacrifício cruento de Seu Filho na cruz. (Glênio Fonseca Paranaguá)

Muitas pessoas podem ficar surpresas quando falamos que a Cruz sempre foi um principio eterno de Deus. Ela não é uma alternativa posterior ou um acidente no Universo, nem é o principio inventado por pessoas amorosas. Ela é inerente a Deus. Este principio da Cruz, que parece estar arraigado no mais intimo do Pai, é demonstrado pelo Filho e interpretado pelo Espírito…Vemos, portanto, que a Cruz é muito mais do que um acontecimento na História. Ela expressa a própria qualidade e modo de vida do Deus Triuno. Dar a vida, compartilhar a luz e derramar o amor é o principio através do qual Deus trabalhou com o homem desde o inicio. (DeVern F. Fromke)

A cruz é desprezada e rejeitada por todos. Contudo, Paulo insistiu: “Nós pregamos a Cristo crucificado” (1 Corintios 1.23). A mensagem da cruz pode ser insensatez para os que estão perecendo, “escândalo para os judeus, loucura para os gentios” (1 Corintios 1.23), “mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos…poder de Deus e sabedoria de Deus” (1 Corintios 1.24). Essa é uma afirmação admirável. Sentiremos melhor o seu poder se observarmos duas coisas. Primeira, aqueles que não pertencem a este mundo condenado são “os que foram chamados”. A razão fundamental por que eles são diferentes é que Deus os chamou – e isso, conforme o pensamento de Paulo significa que Deus os alcançou e os salvou. A chamada de Deus, conforme Paulo se refere a ela, é eficaz – aqueles que são chamados por Deus inevitavelmente são convertidos (Romanos 8.30). (Donald Carson)

Por falta de ênfase na vida crucificada, nosso Cristianismo, é triste dizê-lo, tem falta de profundidade. Não percebendo que a vida santificada é nada menos do que uma vida de participação cada vez maior na morte de Cristo, temos, em momentos de descuido, descido da cruz. Em vez de aperfeiçoar-nos numa vida de crucificação constantemente mantida pela recusa deliberada a descer a cruz, temos dependido de uma crise passada. E ao reconhecer as evidencias da carne, em vez de levá-las de imediato à cruz mediante confissão e restituição, temos meramente apontado para trás, para essa crise, e dito: ‘Desde que me santifiquei, nada mais pode haver em minha vida que necessite da cruz. Nada mais tenho que ver com a cruz. Acabei com ela. Morri uma vez e acabei com a morte’. E essa atitude é a mãe de toda uma prole de vícios espirituais tão feios quanto numerosos. (Paul E. Billheimer)

A Cruz de Jesus exige nossa atenção, não nossa piedade. Tudo o que Jesus pede de Seus discípulos, na véspera da Sua Paixão, é isto: ‘Vigiai’. Precisavam estar atentos aos que estava acontecendo: esse era o Seu desejo. Ao invés disso, primeiramente eles dormiram e, depois, fugiram. À luz da experiência cristã, sabemos agora que atentar para a Cruz, envolve alguma participação nela. Os cristãos são chamados à ‘comunhão dos Seus sofrimentos’ e a se tornarem como Ele na Sua morte. A cruz não pode ser observada objetivamente de uma posição separada dela. Estar diante da Cruz é estar envolvido nela. Semanas mais tarde, porém, estavam às voltas com a guarda: não dormiram, nem fugiram dos sofrimentos inerentes ao testemunho, enquanto proclamavam o Crucificado. E, quando a Igreja tornou-se envolvida na Paixão, porque estava envolvida na Missão de Jesus, tornou-se um poder para converter e ‘acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos’. (P. T. Forsyth)

Um novo homem foi criado a partir da cruz. O caráter de Cristo foi esculpido e uma nova mentalidade foi implantada. Porque Ele é a nossa paz, o qual de ambos (os povos) fez um e, tendo derribado a parede da separação que estava no meio, a inimizade,aboliu, na Sua carne, a lei dos mandamentos na forma de ordenanças, para que dos dois criasse, em si mesmo, um novo homem, fazendo a paz, e reconciliasse ambos em um só corpo com Deus, por intermédio da cruz, destruindo a inimizade (Efésios 2.14-16). No mesmo corpo, a igreja de Cristo, encontram-se os antigos adversários, com uma nova disposição. Não há mais contendas nem rivalidades. O novo homem criado em Cristo Jesus não disputa posições nem ambiciona cargos. A paz do coração se manifesta na harmonia das relações. Os povos briguentos compartilham o meso sentimento. A reconciliação com Deus, mediante a cruz, promove conciliação dos adversários, para que o mundo veja o milagre da unidade por meio da vida de Cristo. (Glênio Fonseca Paranaguá)

Focalize-se no Cristo crucificado. Foi isso que Paulo fez. “Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado” (1 Corintios 2.2). Estas palavras não significam um novo desvio da parte de Paulo e, menos ainda, que ele se dedicava a ignorar com prazer qualquer coisa além da cruz. Não, estas palavras significam que o seu ensino e o seu ministério estavam presos à cruz. Ele não podia falar sobre alegria cristã, ética cristã, comunhão cristã, doutrina cristã ou qualquer outra coisa sem vinculá-la à cruz. Paulo se focalizava no evangelho; sua vida centraliza-se na cruz (Donald Carson).

Sobre a cruz, o Filho de Deus experimentou a maior união com o homem, pois foi nessa experiência que Se tornou, de maneira plena, um filho do homem, membro de uma raça amaldiçoada. Foi tão somente na morte que Ele pôde tornar-me participante dessa vitória. A vida que Ele concede é uma vida que surgiu dentre os mortos. Cada nova experiência do poder dessa vida depende da comunhão na morte. Morte e vida são inseparáveis. Toda a graça que o Senhor Salvador concede, somente pode ser concedida por meio da comunhão com o Senhor Crucificado (Andrew Murray)

A cruz relaciona-se com nosso estilo de vida. É o estilo de vida elegante e luxuoso de Deus ou da carne? A prosperidade é, deveras, parte do evangelho, mas é apenas uma parte. A ênfase geral do evangelho está, sem duvida, num modo sacrificial de viver. A cruz é a morte do prazer carnal. A cruz torna o individuo sensível à sua responsabilidade para com um mundo perdido… “Então disse Jesus a Seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me” (Mateus 16.24). (Paul E. Billheimer)

O primeiro mártir cristão, Estevão, também morreu com uma oração nos lábios a favor dos seus perseguidores. A Cruz de Cristo não somente nos ensina a perdoar aos outros, mesmo em extremo, mas inspira-nos e capacita-nos a proceder assim. Nada mais o pode fazer. O cristão aprenderá o ministério do perdão somente quando tomar a própria cruz, o que quer que ela seja e onde quer que a encontre, e aprender o sentido da injunção paulina: “Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem” (Romanos 12.21). (P. T. Forsyth)

Ó Jesus, nosso Redentor que foi crucificado! Ensina-nos, não somente crer, mas a permanecer em Ti e a recebermos a Tua cruz, não apenas como base para nosso perdão, mas também como a lei da nossa vida. Ensina-nos a amá-la, não somente porque nela Tu levaste sobre Ti nossa maldição, mas porque nela adentramos na mais intima comunhão e somos crucificados contigo. Finalmente, ensina-nos que, à medida que nos rendemos inteiramente para sermos possuídos pelo Espírito, no qual tomaste a cruz, seremos feitos participantes do poder e da benção, aos quais somente a cruz nos concede acesso. (Andrew Murray)

Ao pensarmos na cruz unicamente como uma medida que Deus encontrou para realizar a redenção, perdemos de vista o propósito mais amplo de Deus. Todavia, ao analisarmos as Escrituras como um todo, concluímos que, desde o inicio, o Pai desejava ter uma família de filhos que abraçassem o mesmo principio da Cruz o qual eternamente governou o Seu próprio coração. Era Sua intenção que a Cruz fosse gravada de tal forma nesses filhos que ela se tornasse seu modo e objetivo de vida… Mais uma vez torna-se evidente que, quando nós partimos do ponto correto – do Coração do Pai – sempre podemos ver as coisas da perspectiva mais ampla de Deus. A Cruz, que de modo geral tem aparecido unicamente como um meio de redenção, torna-se mais que isso – torna-se expressão do modo de vida de Deus o qual Ele deseja que, no momento apropriado, seja manifestada em todo este Universo (DeVern Fromke).

Reconheça que um ministério centrado na cruz se caracteriza pelo poder do Espírito Santo e se comprova em vidas transformadas. A mensagem de Paulo era acompanhada de “demonstração do Espírito e de poder, para que a vossa fé (a fé dos convertidos) não se apoiasse em sabedoria humana, e sim no poder de Deus” (1 Co 2.4,5)… A mensagem da cruz esmaga as grandes idolatrias do mundo eclesiástico: nossa autopromoção interminável, nosso amor ao mero profissionalismo e o nosso vicio por métodos bem definidos… A pregação bíblica enfatiza o evangelho e eleva constantemente ao Cristo Crucificado. Mas também reconhece que a cruz não é apenas o nosso credo; é padrão do nosso ministério. (Donald Carson)

A cruz tem exatamente esta finalidade. Cristo Jesus veio ao mundo com o propósito definido de se identificar com a raça humana e incluir os pecadores juntamente com Ele na mesma cruz, a fim de realizar o maior ato de libertação que o gênero humano tem conhecimento. A morte de Jesus na cruz era a morte da humanidade. Ele era nosso representante e nosso parceiro. Ele estava em nosso lugar e nós estávamos nele. Ele morria a nossa morte e nós morríamos com ele. Com a Sua morte, Jesus satisfazia a justiça da Lei em nosso beneficio. Com a nossa morte simultânea com Ele, tornava-nos isentos da condenação do pecado… A cruz pôs fim ao império do pecado para aqueles que vivem pela fé em Jesus Cristo, e cancelou o contrato da morte mediante a ressurreição alcançada pelo Senhor dos vivos e dos mortos. (Glenio Fonseca Paranaguá)

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