LIBERDADE RELIGIOSA

 

No âmbito da verdadeira democracia há liberdade religiosa, de expressão a partir de uma consciência livre. Nos países com governos totalitários, não. Especialmente no mundo muçulmano, não há liberdade religiosa e pode haver até morte para os que insistem em viver a sua fé em Cristo e proclama-la como o Senhor mesmo determinou na Sua Grande Comissão (Mt 28.18-20; Mc 16.15). É interessante que os muçulmanos entram nos países, testemunham a crença deles e querem ter liberdade. Sabemos que são dois pesos e duas medidas. Na verdade, falta Cristo no coração dessa gente tão intolerante e violenta. Paulo nos ensina que foi para a liberdade (principalmente a liberdade em Cristo) que Cristo nos libertou (Gl 5.1). Aqui o apóstolo fala de uma liberdade para fazer toda a vontade de Deus em Cristo Jesus com a chancela do Espírito. Liberdade interior, do coração que só Cristo pode dar. Liberdade para obedecer ao nosso Pai. Na verdade, é a circuncisão (cortar em círculo) do coração amarrado pelo egocentrismo, pela velha natureza que escraviza e infelicita o homem. É a liberdade conquistada na cruz em contraposição à escravidão imposta pelo inimigo das nossas almas a partir do Éden, caracterizada por arrogância, tradicionalismo, preconceito e legalismo religiosos.

A liberdade em Cristo não é convivente com o erro e nem condena à morte quem quer que seja por pensar diferente de nós. Fomos libertados por Cristo para sabermos os nossos limites e respeitarmos as opiniões alheias. A verdade é Cristo, mas não podemos impô-la a quem quer que seja. Jesus mesmo disse: “Se alguém quiser vir após mim…” (Mt 16.24). Há opção, escolha à luz da revelação do evangelho de Cristo, que é o poder de Deus para a salvação de todo o que crê (Rm 1.16). A liberdade religiosa é um dos princípios do cristianismo autentico. Ela não é comprada, negociada, mas conquistada debaixo da soberania de Deus. O nosso Pai soberano revelou o evangelho de Cristo, Seu Filho, para que todo homem conheça e decida. Paulo lembra a Timóteo que Deus quer que todos os homens sejam salvos e venham ao conhecimento da verdade (1 Tm 2.4). Que Deus maravilhoso temos, que dá ao homem a chance de escolher entre palmilhar o caminho estreito que conduz à vida eterna ou o caminho largo, o caminho da perdição ou morte eterna! O nosso Deus é o Deus das oportunidades, que nos ama profundamente em Cristo Jesus (Rm 5.8).

A nossa Declaração Doutrinária declara: “Deus e somente Deus é o Senhor da consciência (Gn 1.27; 2.7). A liberdade religiosa é um dos direitos fundamentais do homem, inerente à sua natureza moral e espiritual (Js 24.14,15; 1 Pe 2.15,16). Por força dessa natureza, a liberdade religiosa não deve sofrer ingerência de qualquer poder humano (Dn 3.15-18; At 4.9-20). Cada pessoa tem o direito de cultuar a Deus, segundo os ditames de sua consciência, livre de coações de qualquer espécie (At 19.35-41). A Igreja e o Estado devem estar separados por serem diferentes em sua natureza, objetivos e funções (Mt 22.21; Rm 13.1-7). É dever do Estado garantir pleno gozo e exercício da liberdade religiosa, sem favorecimento a qualquer grupo ou credo (At 19.34-41). O Estado deve ser leigo e a Igreja livre. Reconhecendo que o governo do Estado é de ordenação divina para o bem-estar dos cidadãos e a ordem justa da sociedade, é dever dos crentes orar pelas autoridades, bem como respeitar as leis, obedecer a elas e honrar os poderes constituídos, exceto naquilo que se oponha à vontade e à lei de Deus (Dn 6.7-10; 1 Pe 2.13-17).”.

É sabido de todos que nós, batistas, comungamos com os princípios da Reforma: “A não secularização da Igreja e a não clericalização do Estado”. Igreja e Estado devem ser independentes. Somos conhecidos, em nossa origem, como o povo da liberdade de consciência porque é assim que a Bíblia preceitua. Infelizmente, a Igreja tem se envolvido em questões que não lhe compete e o Estado se envolve e quer fazer leis que ferem a Igreja seja como organização e como organismo. Um caso recente é a homofobia. Movimentos sociais com apoio do governo querem considerar crime o fato da igreja pregar contra o homossexualismo. Ora, é um preceito bíblico e da Constituição ter liberdade de opinar desde que não use de violência para com a pessoa. Amamos o homossexual, mas somos visceralmente contra o homossexualismo. Odiamos o pecado, mas amamos o pecador. Se os homossexuais têm o direito de agir como agem nas suas práticas imorais que, cremos, são contrárias ao caráter e a Palavra de Deus, nós, por outro lado, temos o direito de expressar que somos contra tais praticas. Se eles têm o direito de rejeitar o que a Bíblia ensina acerca dessa conduta, nós temos o direito de pregar contra ela. Há outros assuntos que o Estado quer controlar, mas a Igreja de cristo há de se levantar contra todo o erro. Sempre foi assim na História do Cristianismo. Homens e mulheres perderam suas vidas por causa da sua coerência bíblica, dentro da vontade do Pai Soberano. Exerçamos a nossa liberdade religiosa sempre dentro dos princípios do evangelho de Cristo para a glória de Deus, nosso Pai e Soberano Senhor, que há de julgar todos os homens segundo o Seu evangelho.

Oswaldo Luiz Gomes Jacob, pastor.

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