TRANSPARÊNCIA

 

O ideal do Senhor é que Seus filhos sejam transparentes. Jesus sempre condenou de forma veemente a aparência das pessoas, especialmente a dos escribas e fariseus. A raça humana está muito mais para a aparência do que para transparência. O coração do homem, contaminado pelo pecado, tem a natureza da camuflagem. Isto é próprio da velha natureza herdada de Adão. Nós somos assim. Então, se a velha natureza vive de aparência, a nova tem prazer na transparência. Esta é uma herança bendita do evangelho, da obra de Cristo na cruz e na ressurreição. Pela experiência do novo nascimento, houve a troca do coração. O profeta Ezequiel declarou: “Também vos darei um coração novo e porei um espírito novo dentro de vós; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei um coração de carne. Também porei o meu Espírito dentro de vós e farei com que andeis nos meus estatutos; e obedecereis aos meus mandamentos e os praticareis” (Ez 36.26, 27). Então, somos chamados à transparência de Cristo, nosso Salvador e Senhor. Ele sempre foi transparente.

Ser transparente é se deixar atravessar pela luz, translucido; que deixa perceber um sentido oculto, tornando-o evidente. Na verdade, é ser autêntico, sincero. Esta é uma característica do cristão genuíno. Certamente Deus apreciou muito a transparência do rei Davi nos Salmos 51 e 139. No primeiro, há uma profunda convicção de pecado e uma consequente confissão sincera à luz da Palavra de Deus proferida por Natã, profeta de Yahweh. No segundo, Davi se expõe para o Senhor de forma plena, absoluta, colocando-se desnudo. Ele é motivado pela santidade do Senhor. Nos dois casos há transparência. É assim que devemos ser, pois a vida cristã tem o DNA da clareza, do que é translucido, em que há coerência.

Jesus conta a parábola do fariseu e do publicano diante do altar do Senhor. O fariseu acusa os outros e protege-se a si mesmo. Uma visão passional do seu próprio ego. Os outros é que eram defeituosos, pecadores, injustos, profanos, mas ainda agradeceu a Deus por não ser como eles. O publicano, todavia, reconheceu a sua miséria, o seu pecado, a sua perversão, maldade do coração. Aquele manifestou aparência, mas este a transparência. Paulo agiu assim quando, inspirado pelo Senhor, escreveu Romanos 7. Aqui ele declarou: “Desgraçado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte? (v.24). Disse com todas as letras: “Não entendo o que faço, pois não pratico o que quero, e sim o que odeio. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; pois o querer o bem está em mim, mas não o realizá-lo” (vv.15, 18). Que lucidez a do servo de Cristo, alcançado por Sua graça!

Jesus sempre condenou a aparência dos religiosos judeus. Ele usa todo o capitulo 23 de Mateus para manifestar a Sua crítica a falsa religião e ao sistema meramente formal. Jesus os chamou de sepulcros caiados, guias de cegos, filhos do inferno, hipócritas. Eles mostravam uma fachada, escondendo suas verdadeiras intenções. Lidar com gente que não se revela quem é, significa andar em terreno minado, perigoso.

Nos nossos relacionamentos, a transparência é essencial. Prefiro um grosso sincero (transparente) a um educado hipócrita (que vive de aparência). Melhor ainda um educado sincero, que diz as coisas com amor, firmeza, revelando quem realmente é. No Reino de Deus a transparência é uma postura natural, uma linha de comunicação saudável e eficaz. No ambiente eclesiástico a nossa comunicação deve ser sempre cristalina. Não devemos ter medo de dizer quem somos, admitirmos os nossos fracassos, as nossas taras. Como precisamos de um rasgar de coração na família e em nossas comunidades! Integridade nos nossos relacionamentos. Deus tem prazer em caminhar com pessoas que nada têm a esconder. O nosso grande desafio é a transparência diante de Deus e do nosso próximo.

Oswaldo Luiz Gomes Jacob, pastor.

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