O FALSO PROFETA

 

Os nossos dias estão sendo marcados por uma religião meramente aparente, sem conteúdo bíblico, do evangelho. Os líderes religiosos se utilizam de mecanismos dos mais variados para atraírem pessoas para os seus arraiais. É impressionante a tietagem desta liderança televisiva que aí está. Homens e mulheres que querem aparecer. Eles são o centro de suas comunidades. Controlam o povo com mão de ferro. Querem ser servidos. Com personalidade muito forte, eles são ditadores do seu povo. Negociam princípios em conluio com políticos inescrupulosos. Eles andam de carrões e aviões. Vivem uma vida de luxo na contramão de um evangelho simples, de gente simples e próspera do ponto de vista espiritual (esta é a prosperidade mais importante e que permanece). Causa-me asco ver esta liderança usando pessoas tão simples e até sofisticadas para sustentarem suas ideias estranhas sem compromisso com o evangelho de Cristo que é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (Rm 1.16). Jesus faz um diagnóstico muito preciso dos falsos profetas (Mt 7.21-23). Os falsos profetas enganam o povo. Tiram a glória que é de Deus para usá-la em seu próprio beneficio. Fazem uso do marketing para se promoverem. Utilizam outdoors para anunciar o seu aniversário. Colocam dentro e fora dos templos placas enormes com suas fotos revelando a sua megalomania.

Karl Barth, teólogo suíço, discorrendo sobre o falso profeta, diz: “O falso profeta é o pastor que agrada a todo mundo. Seu dever é dar testemunho de Deus, mas ele não vê a Deus e prefere não o ver porque vê muitas outras coisas. Segue seus pensamentos humanos, conserva-se interiormente calmo e seguro, evita habilmente tudo quanto o incomoda. Não espera senão poucas coisas ou mesmo nada da parte de Deus. Pode calar-se, mesmo quando vê homens atravancando seus caminhos de pensamento, de opiniões, de cálculos e de sonhos falsos, porque eles querem viver sem Deus. Retira-se sempre quando deveria avançar. Compraz-se em ser chamado pregador do evangelho, condutor espiritual e servidor de Deus, mas só serve a homens. Sonha, às vezes, que fala em nome de Deus, mas não fala a não ser em nome da Igreja, da opinião publica, das pessoas respeitáveis e da sua pequena pessoa. Ele sabe que, desde agora e para sempre, os caminhos que não começam em Deus não são caminhos verdadeiros, mas não quer incomodar nem a si mesmo, nem aos outros; por isso é que pensa e diz: ‘ Continuemos prudentemente e sempre alegres em nosso caminho atual; as coisas se arranjarão’. Ele sabe que Deus quer tirar os homens da impiedade e que a luta espiritual deve ser travada. No entanto, prega a ‘paz’, a paz entre Deus e o mundo perdido que está em nós e fora de nós. Como se tal paz existisse! Sabe que seu dever consiste em proclamar que Deus cria uma nova vontade, uma nova vida; mas não, ele deixa reinar o espírito do medo, do engano, de Mamom, da violência – a muralha construída pelo povo (Ez 13.10), o muro oscilante e manchado. Ele disfarça pintando de cores suaves e consoladoras da religião para o contentamento de todo o mundo. Eis aí o falso profeta” (Boletim: ‘Liderança Cristã’, Editor: Israel Belo de Azevedo – Visão Mundial, Julho/1987).

Que o Pai nos livre do espírito do falso profeta. Que Ele levante em cada lugar verdadeiros profetas que não temam a não ser a Ele. Que em cada púlpito se levante um verdadeiro profeta para pregar o genuíno evangelho da graça. Que aumente em muito o número dos homens e das mulheres que pregam a cruz (1 Co 1.18). Que nós, pastores, avaliemos nossas posturas à luz da Palavra de Deus. Sejamos homens e mulheres da Palavra e de palavra. Corajosos em denunciar o pecado do homem mas, ao mesmo, anunciar o evangelho de Cristo para a salvação de todo o que crê. Fomos chamados pelo Senhor não para fazer a nossa vontade e a vontade do povo, mas a Sua. Que haja sempre coerência entre o que cremos, o que vivemos e o que falamos. Alguém disse: “Eu não sei o segredo do sucesso, mas sei o, a segredo do fracasso: tentar agradar todo mundo”. Jesus disse ao Pai: Pai, não a minha, mas a tua vontade. Para Paulo a vontade de Deus é boa, agradável e perfeita (Rm 12.1,2). Para o verdadeiro profeta, a vontade de Deus é o centro da sua vida. A palavra profética não é antropocêntrica, mas cristocêntrica. Mais uma vez: Que Deus nos livre do espírito do falso profeta.

Oswaldo Luiz Gomes Jacob, pastor.

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