DUAS SURPRESAS E UMA CERTEZA

O precioso irmão Mattew Henry, comentarista bíblico inglês e contemporâneo dos irmãos Wesley, disse o seguinte: “Quando chegar no céu eu não verei pessoas que achava estariam lá; quando chegar no céu, eu verei pessoas que achava que não estariam lá e, o mais impressionante de tudo isso, é que eu estarei lá”. Estas são duas surpresas e uma certeza. Não podemos julgar as pessoas. Sabemos que Deus é que conhece o coração do homem. Jesus nos ensinou que pelos frutos conhecemos o cristão. Nós não temos condições de tirar o joio do meio do trigo. Isto é atribuição de Deus, o Pai, no Seu juízo. As nossas avaliações são limitadas e, muitas vezes, preconceituosas. Nós percebemos as ações, enquanto Deus as intenções. Então, Deus sabe todas as coisas.

Quantas surpresas teremos lá no céu! Não temos condições de estabelecer certezas quanto à salvação de outrem que não esteja em nossa Igreja. Quantas vezes julgamos as pessoas e as condenamos ao inferno por terem algumas atitudes incoerentes em relação ao que dizem crer, à fé cristã. O que podemos e devemos fazer é ensinar a Bíblia, a Palavra de Deus, que, inspirada pelo Espírito Santo, pode perscrutar as entranhas do homem. Apresentarmos a Cristo como Salvador e Senhor e dizermos como Paulo e Silas: “Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo tu e a tua casa” (At 16.31). Quando o homem crê na suficiência de Cristo e deposita toda a sua confiança nEle, a salvação é uma certeza. João nos ensina esta verdade em 1 João 5.12,13: “Aquele que tem o Filho tem a vida; aquele que não tem o Filho de Deus não tem a vida. Estas coisas vos escrevi, a fim de saberdes que tendes a vida eterna, a vós outros que credes em o nome do Filho de Deus”.

Quando consideramos as surpresas é no contexto de nossa ignorância, mas quando nos referimos à certeza ela está no âmbito do coração novo, da regeneração, da ação poderosa do Espírito Santo. Quando Paulo afirmou: “Eu sei em quem tenho crido e estou certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele Dia”(2 Tm 1.12), ele estava plenamente seguro da sua salvação. Este texto tem a sua continuidade e coroação na mesma carta quando o apóstolo dá um belíssimo testemunho da sua certeza quanto à morte e ao seu futuro: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a Sua vinda”(4.7,8). Aqui está, não a surpresa, mas a certeza, a convicção do genuíno cristão que experimentou a troca do coração, o novo nascimento, o recebimento, em Cristo Jesus, da natureza divina e descansa nAquele que tudo pode. Deus transformou um Saulo num Paulo pela obra do Seu Filho Jesus na cruz e na ressurreição.

Que aproveitemos cada oportunidade para proclamarmos a Cristo. Sejamos tomados da mesma consciência de Paulo em 1 Coríntios 9.16: “Ai de mim se não pregar o evangelho!”. Também a coragem de dizer: “Porque não envergonho do evangelho de Cristo, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego; visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé” (Rm 1.16). Não nos concentremos em surpresas, mas em certezas. Somos um povo de certezas a partir da Palavra de Deus, pois a fé vem pelo ouvir e o ouvir da Palavra de Deus (Rm 10.17). Então, não somos guiados por surpresas, mas por certezas a partir da fidelidade de Deus na Sua Palavra. Não teremos surpresas no céu quando descansamos na suficiência da obra de Cristo na cruz e na ressurreição. Mais uma vez: não sejamos movidos a surpresas, mas a certezas para a Glória dAquele que nos alcançou por Sua maravilhosa graça.

Oswaldo Luiz Gomes Jacob, pastor.

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