A PAZ É FRUTO DA JUSTIÇA DE DEUS

Justiça é muito mais que a aplicação da Lei. Justiça tem a ver com retidão, integridade e coerência que estão em Cristo Jesus. O conceito de justiça para a paz no Antigo Testamento está fundamentado no caráter de Yahweh. Na religião judaica, o jejum era prova de quebrantamento e aproximação do Senhor. Contudo, Deus nunca aceitou vida espiritual sem vida ética e justa. Culto sem integridade. Culto sem vida coerente. Veja o que o Senhor diz por meio do profeta Isaias: “Seria esse o jejum que escolhi? Um dia para que o homem se humilhe, incline a cabeça como o junco e deite-se em pano de saco e cinza? Chamarias isso jejum e de dia aceitável ao Senhor? Por acaso não é este o jejum que escolhi? Que soltes as cordas da maldade, que desfaças as ataduras da opressão, ponhas em liberdade os oprimidos e despedaces todo jugo? Não é também que repartas o pão com o faminto e recolhas em casa os pobres desamparados? Não é que vistas o nu, o cubras e não deixes de socorrer o próximo?” (58.5-7).

A paz (Shalom, hebraico; eirene, grego) significa uma experiência de justificação pela obra suficiente de Cristo na cruz e na ressurreição. Cristo é Shalom e eirene. Quer dizer ações efetivas em favor do próximo, imitando o samaritano na parábola contada por Jesus. O levita e o sacerdote não agiram com justiça e, por isso, não tinham paz. O sistema religioso não traz paz porque não tem a justiça de Deus em Cristo. Um coração em paz produz atitudes e atos de harmonia plena porque experimentou a justiça de Deus. “O Senhor é Justo em todos os Seus caminhos e bondoso em todas as suas obras” (Sl 145.17). A Sua justiça no coração do homem produz paz com Ele e com o próximo. A cruz é a manifestação da justiça de Deus. Esta experiência produz paz com o próximo(relacionamento frutífero) e serviço ao próximo. Cruz é comunhão com Deus e com o próximo. A comunhão é fruto da justiça satisfeita por Cristo que resulta em paz entre Deus e o homem e todas as suas implicações.

Toda a aplicação e vivencia da justiça de Deus, o Pai, está em Cristo, o Filho. Uma pessoa ou um povo que conhece a justiça de Deus e a vive experimenta a paz nas entranhas e na vida social, nos relacionamentos. Esta paz tem a ver com a segurança na relação com o Senhor e com o próximo. Há violência na cidade porque os homens não têm paz. Não a tem porque falta Cristo no coração. A justiça do Pai aplicada ao coração do homem pela Pessoa de Cristo traz paz para a cidade. Onde houver homens e mulheres regenerados ali está a justiça de Deus que produz paz nos relacionamentos. Isto está fundamentado no fato de Cristo ter satisfeito toda a justiça do Pai. Esta justiça produz paz no coração. “A paz de Cristo, para a qual também fostes chamados em um só corpo, domine em vossos corações, e sede agradecidos”. (Col 3.15)

Quando Jesus prometeu: "Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou. Eu não a dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração nem tenha medo” (João 14.27), Ele o fez com base na Sua obra na cruz determinada pelo Pai antes do inicio de tudo o que é visível. Este fato traz implicações éticas e espirituais. Cristo é a nossa justiça e a nossa paz. Na Sua cruz derrubou todas as barreiras étnicas, emocionais e sociais. Não há mais guerra quando Cristo – justiça e paz – está no coração do homem.

Oswaldo Luiz Gomes Jacob, pastor

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