ENTRE O CONHECIMENTO E A TRANSFORMAÇÃO

John Knox, reformador cristão na Escócia, dizia que entre o conhecimento e a transformação existe o quebrantamento. Não basta conhecer, mas é preciso obedecer. Para ele, o que existe entre o conhecimento e a transformação é o quebrantamento. Há uma conexão segura entre conhecimento – quebrantamento – transformação. Saulo não foi tornado Paulo apenas pelo conhecimento. Houve um quebrantamento que culminou na sua transformação. Para Paulo, o conhecimento de Cristo levou-o a um quebrantamento (Quem és tu, Senhor?) que resultou na transformação. De um religioso judeu a um cristão comprometido com Cristo às raias da morte (Fil 1.21). Quando olhamos para Pedro o vemos ser transformado num processo – evangelhos, Atos e suas epístolas. Deus trabalhou em todo o processo. O Pedro dos evangelhos é bem diferente do Pedro que ensina a amar a Cristo e a, se necessário, morrer por Ele.

Jesus ensinou que o homem que ouve a Palavra e a pratica é semelhante ao que construiu a sua casa sobre a Rocha (Mt 7.24-27). Posso dizer: Senhor, Senhor apenas pelo conhecimento, mas dizê-lo na pratica é infinitamente melhor. O verdadeiro conhecimento resulta em transformação pelo quebrantamento. Muitas pessoas estão com a cabeça cheia de conhecimento, mas ele ainda não chegou ao coração ou às entranhas (quebrantamento) para dar fruto. Na relação entre Jesus e o crente – a Videira e o ramo (João 15) – há a poda. Isto significa quebrantamento, que é o aprendizado pelo sofrimento, pelas circunstancias difíceis da vida. Sem a poda a planta não tem saúde e nem pode dar frutos abundantes. A seiva – o conhecimento – dada por Jesus deve ser somada a poda, ao corte daqueles galhos desnecessários para que eles dêem fruto.

Mais uma vez, Paulo dá um belo testemunho acerca da relação entre conhecimento e transformação pelo quebrantamento. “Mas o que para mim era lucro, passei a considerar perda, por amor a Cristo. Sim, de fato também considero todas as coisas como perda, comparadas com a superioridade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor, pelo qual perdi todas as coisas. Eu as considero como esterco, para que possa ganhar Cristo, e ser achado nele, não tendo por minha justiça que procede da lei, mas sim a que procede da fé em te Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus pela fé, para conhecer a Cristo, e o poder da Sua ressurreição , e a participação nos seus sofrimentos, identificando-me com ele na sua morte, para ver se de algum modo consigo chegar à ressurreição dos mortos” (Fil 3.7-10). A nossa identificação com Cristo na Sua morte para ressuscitarmos com Ele é o verdadeiro conhecimento que vem pelo quebrantamento. Então, não mais eu, mas Cristo (Gl 2.20).

O nosso conhecimento não fica no mundo da razão pura e simples, mas passa para as entranhas e se transforma, pelo quebrantamento, em frutos belíssimos para a Glória de Deus. Quantas vezes falamos, à semelhança de Jó, sem o conhecimento dado pelo Senhor! (Jó 42.3). No inicio, o conhecimento de Jó era periférico, mas, agora, era profundo como ele mesmo disse: “Com os ouvidos eu tinha ouvido falar a teu respeito; mas agora os meus olhos te vêem. Por isso me desprezo e me arrependo no pó e na cinza (42.5,6). O conhecimento que Jó tinha do Senhor era só de ouvir falar, mas agora ele o conhecia pela experiência profunda do sofrimento. Deus permitiu que o inimigo tratasse com Jó para que este não confiasse em si mesmo, na sua justiça, mas na justiça e na misericórdia de Deus. Entre o conhecimento que Jó tinha do Senhor e o seu belo testemunho no final (fruto) houve o quebrantamento. O Senhor estava a todo o tempo trabalhando na vida do seu servo para que ele O conhecesse mais pelo quebrantamento para dar o fruto da Sua fidelidade. Deus é sempre fiel. Por esta razão é que o profeta Isaias disse: “Porque desde a antiguidade não se ouviu, nem com os ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu outro Deus além de ti, que agisse em favor daquele que nele espera” (64.4). Não há transformação sem conhecimento via quebrantamento. Quando ouvimos a Palavra de Deus vem o conhecimento, mas se não houver quebrantamento não há transformação. Isto vale dizer que a transformação de uma pessoa vem pelo conhecimento carregado de quebrantamento. O eunuco da Rainha de Candace (Etiópia) se converteu pelo conhecimento da profecia de Isaias explicada pelo diácono Filipe (At 8.26-40/Is 53). Aquele homem foi batizado porque havia conhecido Jesus pelo quebrantamento realizado pelo Espírito Santo. A sua alegria ao voltar para sua terra era a alegria da transformação operada pelo Senhor.

Oswaldo Luiz Gomes Jacob, PR.

1 comentário em “ENTRE O CONHECIMENTO E A TRANSFORMAÇÃO”

  1. Jeane Cristina Marendaz Júdice

    Pastor, ao ler esta mensagem me lembrei que estou lendo repetidamente marcos 12, e então comparo o conhecimento com os escribas que Jesus censurou. Claro que devemos buscar o conhecimento da palavra de Deus, mas não como cultura e sim como alimento para o espírito. Não sendo assim nos tornamos como aqueles escribas mensionados no v. 38-40, cheios pelas letras e vazios pela fé. O quebrantamento acontece nessa passagem logo no v. 42, quando a viúva deposita no gazofilácio apenas algumas moedas de pouco valor monetário, mas de grande valor na fé. Essa mulher tinha o conhecimento pela fé, o quebrantamento, demonstrado nesse ato e a transformação, pelo amor e obediência a Deus.

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