NÃO OLHE ONDE VOCÊ CAIU, MAS ONDE TROPEÇOU

Este é um provérbio africano. Ele está certíssimo. Fala de causa. Temos a tendência de olharmos onde caímos e lamentarmos por isso. Temos uma cultura de trabalharmos nos efeitos e não nas causas. Isto acontece nos setores político, social e eclesiástico. Precisamos conhecer as razões, vasculharmos as causas para estabelecermos uma estratégia correta para a solução dos problemas. O que temos notado de forma muito lúcida seja na vida pessoal e seja na coletiva tem causas profundas que precisam ser estudadas.

Quando olhamos para a queda dos nossos pais no Éden temos um diagnóstico correto de tudo que tem acontecido no mundo. Arrumamos um monte de respostas (racionalizações), mas não consideramos o essencial: o coração humano. Vejamos o diagnóstico do Senhor por intermédio de Jeremias: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto, quem o conhecerá? Eu, o Senhor, esquadrinho o coração, eu provo os pensamentos; e isto para dar a cada um segundo o seu proceder, segundo o fruto das suas ações” (17.9,10) e de Jesus: “Porque do coração procedem maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias. São estas coisas que contaminam o homem…” (Mt 15.19,20). Há coerência entre os dois. O coração, a natureza perversa do homem é a causa de tudo o que aí está. Por isso, o sábio de Provérbios diz que devemos guardar o coração, pois dele procedem as saídas da vida (4.23). Aqui está um ponto essencial para respondermos de forma plena e inquestionável os fatos tão assustadores em nossos dias. A guerra, o crime, o tráfico de drogas, o tráfico de armas, os desvios morais, a corrupção, a hipocrisia, o sistema religioso, a briga pelo poder, o egoísmo, o hedonismo, a pornografia, o adultério, a prostituição, a maldade, a pedofilia, a bruxaria, a mentira, feitiçaria, etc, são sinais muito claros da perversa natureza do velho homem, sem Cristo.

Temos alguns exemplos bíblicos interessantes. Acã (Js 7), olhou para a capa e os objetos de ouro de Jericó e tomou posse deles, desobedecendo ao Senhor. O olhar (a concupiscência, o tropeço) e o tomar posse (queda). Davi, ao olhar para Bate-Seba tomando banho, permitiu que a concupiscência entrasse em seu coração. Adulterar com ela foi a queda. É muito sábio o diagnóstico oferecido por Tiago: “Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e ele mesmo a ninguém tenta. Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz. Então a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte. Não vos enganeis, meus amados irmãos” (1.13-15). O homem é fruto de suas escolhas. Se ele escolhe tropeçar certamente cairá. O tropeço precede a queda e esta a ruína. Precisamos pedir ao Senhor que sonde o nosso coração para que sejam expostas aquelas coisas que O desagradam e nos levem ao arrependimento profundo. Peçamos a Deus que nos livre de tropeçar para não cairmos. Jesus no Getsêmani aconselhou aos discípulos: vigiai e orai para que não entreis em tentação, pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca (Mt 26.41). Tenhamos uma atitude sempre preventiva. Jesus nos ensinou a orar assim: “E não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal, pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre.Amém” (Mt 6.13). A tentação é o tropeço e o mal é a queda. Que Deus tenha dia após dia misericórdia de nós nestes tempos tão perigosos.

Oswaldo Luiz Gomes Jacob, pastor

pitzerjacob@gmail.com

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