O MODELO PASTORAL DE JESUS (IV) O Compromisso com a libertação do coração

 

É impressionante o trato que Jesus dá ao coração. Na verdade, segundo o diagnóstico do Senhor através do profeta Jeremias, o coração do homem é ‘desesperadamente corrupto’ (17.9,10). Jesus também falou sobre este assunto que não é popular. “Porque do coração procedem maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias”(Mt 15.19). Quando uma pessoa é escrava do pecado e dos poderes espirituais do mal, só há uma solução para a sua cardiopatia (doença do coração): o transplante. Na libertação espiritual acontece a troca do coração. O coração de pedra é tirado e implantado o coração de carne. O coração da incredulidade é retirado e colocado o coração da fé, que é um presente do Senhor. “Pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus (Ef 2.8). A salvação vem pela libertação espiritual. O homem salvo é um liberto pela ação do Pai por meio do Filho no poder do Espírito Santo.

Depois de ensinar na Sinagoga de Cafarnaum, o Senhor Jesus se depara com um endemoninhado (Mc 1.21-28). Mais tarde, o inimigo revela o seu total antagonismo ao Senhor e, ao mesmo tempo, reconhece que Ele é o Santo de Deus (1.24). Jesus, com todo o Seu poder, ordena que o demônio se cale e saia do homem (1.25). Finalmente, o espírito imundo sai dele (1.26). Mas há outros dois textos que precisamos considerar (Mc 5.1-20; 9.14-29), que revelam a ação maligna contra o homem criado à imagem e semelhança de Deus. Todos os textos ensinam a supremacia do Senhor Jesus sobre os espíritos da maldade. Sabemos que eles trabalham debaixo da soberania de Deus. Em todos os três casos, Jesus revela a Sua autoridade e o Seu poder. Jesus nos ensina a tratar deste assunto com muita seriedade.

Jesus veio para libertar o cativo. A Sua morte e a Sua ressurreição são a base da nossa autoridade e poder. É na autoridade dEle que exercemos os nossos ministérios. Somos Seus discípulos comprometidos com todo o evangelho que liberta ao que crê. Paulo nos ensina que “foi para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5.1). Vivemos num mundo caracterizado pela escravidão a satanás. O mundo, a carne e o diabo são inimigos mortais do homem. O campo de ação do nosso inimigo é o coração. O sábio nos ensina: “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o coração porque dele procedem as saídas da vida” (Pv 4.23). O modelo pastoral de Jesus é o modelo da libertação a partir do coração. À semelhança de Jesus, especialmente na libertação do endemoninhado gadareno, precisamos agir para que o liberto descanse, seja vestido com as vestes da salvação e tenha a mente simples – a mente de Cristo (Mc 5.15). Somos ministros de um novo pacto, não da letra, mas do Espírito. Não no poder humano, mas com base no poder de Deus. Não na sabedoria humana, mas na sabedoria de Deus. Não antropocêntrico, mas cristocêntrico.

Somos chamados à comunhão de Jesus Cristo, Filho de Deus (1 Co 1.9). É nesta comunhão que estamos prontos a ir ao encontro dos escravizados pelo inimigo das nossas almas para que sejam libertos. É no poder de Jesus que somos chamados a servir em amor. Os discípulos não puderam ordenar ao espírito que saísse daquele menino pelo fato de não orarem e não jejuarem (diagnostico de Jesus, Mc 9.29). O que Jesus quis dizer é que não podemos lutar contra as hostes do mal sem dependermos do Pai ou dEle. Esta luta não é nossa, mas dEle. O poder está no Senhor. Não é horizontal, mas vertical. Quando Davi foi lutar contra Golias ele o fez na dependência de Yaweh. Não foi ele que venceu, mas o Senhor. Os nossos ministérios devem ser pautados no Senhor. Depender dEle não é uma opção, mas uma ordem. Como ensina magistralmente o apóstolo Paulo – que aprendeu com Jesus – temos que nos revestir de toda a armadura de Deus para que possamos estar firmes contra as ciladas do diabo. A nossa luta não é contra carne e sangue, mas sim contra principados e potestades (Ef 6.10-20). Jesus é o nosso modelo de Pastor que se interessa por aqueles que estão escravizados pelo maligno, que sofrem, e se compromete com eles. Fomos chamados como homens comuns para um trabalho extraordinário – pregar o genuíno evangelho da graça para que as pessoas sejam libertas e transformadas à imagem do Senhor. Jesus disse: “Se, pois, o Filho do homem vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (João 8.36). Jesus veio para libertar os cativos e estamos a serviço dEle para a glória do Pai.

Oswaldo Luiz Gomes Jacob, pastor.

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