Menos eu, mais Cristo

Somos fortemente inclinados a buscar aplausos, reconhecimento e elogios. São traços da natureza de Adão. Vez por outra somos surpreendidos pelo desejo de sermos elevados às alturas da popularidade. Buscamos a crista da onda. Isto é muito peculiar ao egocentrismo. Confundimos auto-imagem centralizadora com auto-estima equilibrada. Precisamos de auto-estima que esteja edificada em Cristo. Paulo nos ensina: “Porque, pela graça que me foi dada, digo a cada um de vós que não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação, segundo a medida da fé que Deus repartiu a cada um” (Rm 12.3). Isto significa Cristo em nós produzindo uma auto-estima saudável que se inclina para a adoração ao Senhor e para o serviço ao próximo.

João Batista tinha uma percepção apurada da superioridade de Cristo quando declarou: “…Mas vem o que é mais poderoso do que eu, do qual não sou digno de desatar-lhe as correias das sandálias”( Lc 3.16). E mais: “Convém que ele cresça e que eu diminua” (Jo 3.30).  Precisamos mais de Cristo. Como o autor sacro do hino 169 CC: “Mais de Cristo eu quero ver; mais do Seu amor obter; mais da Sua compaixão; mais da Sua mansidão. Mais, mais de Cristo; mais, mais de Cristo. Mais do Seu puro e santo amor; mais de Ti mesmo, ó Salvador. Mais de Cristo compreender, quero a Cristo obedecer; sempre perto dEle andar; Seu amor manifestar”. Isto é maravilhoso, irmãos amados! Buscarmos muito mais de Cristo e muito menos de nós. Crescermos em menos. Alguém disse sabiamente que fomos marcados pelo Senhor Jesus nas orelhas (para ouvirmos sempre os Seus ensinos) e nos pés (para segui-lO sempre). Ele mesmo disse: “Se alguém quiser vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me.” (Mt 16.24).

O nosso ego nada vale diante da excelência de Cristo. Paulo dá um belíssimo testemunho aos irmãos em Filipos: “Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo (esterco), para ganhar a Cristo e ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé; para o conhecer, e o poder da sua ressurreição, e a comunhão dos seus sofrimentos, conformando-me com ele na sua morte; para, de algum modo, alcançar a ressurreição dentre os mortos”(3.8-11). Sim, Cristo deve ser tudo para nós! Para Paulo o viver era Cristo e o morrer era lucro (Fil 1.21). Aos Gálatas, ele declarou: “Já estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim” (2.20). Isto aqui é profundo demais, caríssimos irmãos! Se no sistema religioso o homem é o centro, no evangelho Cristo é o centro. Se no sistema religioso a palavra do homem é lei, no evangelho Cristo é quem determina. Ele é a própria lei. Cristo deve ser o Senhor da nossa mente e do nosso coração. Pensamentos e sentimentos debaixo do Seu senhorio.

Francis Schaeffer disse: “Estamos num mundo alienado, edificado sobre os alicerces da rebelião contra Deus, e nesta existência o cristão ainda não está completamente isento desta rebelião, no seu ser interior”. O nosso ego, a nossa natureza adâmica que ainda está viva dentro de nós, trabalha contra o domínio de Cristo em nosso interior. Esta natureza busca o “mais de nós” em detrimento do “mais de Cristo”. Que a nossa oração seja: “Senhor, tenha compaixão de nós! Faze-nos cheios de Cristo e vazios de nós mesmos, do nosso egoísmo. Seja o Senhor engrandecido em nossa vida! Ajuda-nos, por misericórdia e graça, a vencer todas as mazelas do velho homem que ainda tenta usurpar o teu lugar no nosso coração. Em nome de Jesus, Aquele realizou Sua obra suficiente na cruz, ressuscitou dentre os mortos, que está à Tua direita e que em breve voltará para nos buscar em poder e grande glória. Amém”.

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