O chamado para a liderança eficaz

“Sê forte e corajoso, porque tu farás este povo  herdar a terra que, sob juramento, prometi dar a seus pais” (Js 1.6)

O chamado que Deus empreende para a liderança do Seu povo certamente está ligado à Sua soberania. É Ele quem vocaciona. Somente Ele pode qualificar espiritualmente a pessoa para o exercício da liderança. O Deus Soberano encontra um homem fraco, consciente de suas limitações e confiante na Sua ação poderosa. Há três exemplos na Bíblia, ao lado de Josué, que considero essenciais para a nossa compreensão: Moisés, Isaias e Jeremias  (Ex 3.11; Is 6.5; Jr 1.6). Há de existir na pessoa chamada para a liderança no Reino de Deus uma profunda consciência de sua incapacidade.

Terei aqui como foco o exemplo de Josué. Na chamada de Josué, cujo nome no hebraico significa “Jeová é salvação”, há alguns princípios que são essenciais à liderança eficaz: Ouvido atento para ouvir o que Deus tem a dizer; a promessa da vitória no Senhor; a resposta positiva à ordem de Deus; fazer uma leitura dos bons exemplos de liderança; o testemunho da Palavra a partir do seu compromisso e a certeza da companhia de Deus.

A verdade é que o povo reconhece a presença de Deus na vida do líder. A autoridade do líder não está na sua formação, mas na sua intimidade com o Senhor. Os homens e as mulheres bem sucedidos da Bíblia tiveram esta característica. Na sua liderança o imprimatur de Deus estava presente e fazia toda a diferença. Havia cumplicidade. Eram canais do amor, disciplina e zelo de Deus. A sintonia com o Senhor é que os diferenciava dos falsos lideres. 

Josué é um exemplo de líder bem sucedido. Homem firme na suas convicções. Nutria amor pelo Senhor. Deus era a sua paixão. O Senhor era o centro da sua família. Era um homem motivado. Homem sensível. Possuía o coração na obra. Era um homem comum, mas realizava um trabalho extraordinário. Sempre esteve disposto a pagar o preço. Um homem de visão. Viu, juntamemte com Calebe, a terra, suas possibilidades e sempre colocaram a sua confiança em Deus, sendo o contraponto dos demais espias. 

Josué, nestes tempos de tantas transformações, é um modelo de líder que não se deixa levar pelos modismos, pelo pragmatismo religioso e nem pela onda nefasta de ‘espiritualidade’ divorciada da ética. Josué é um exemplo de ortodoxia no ser e no fazer as coisas para Deus. A sua base era o Senhor. O seu vade-mecum era a Lei do Senhor, onde ele ‘meditava dia e noite’. O seu interesse estava em saber o que o Senhor queria. A vontade de Deus era o centro de suas decisões. E assim ele ensinava ao povo. A sua função diacônica era testemunhada pelo povo. A glória que buscava não a sua, mas a do Senhor. 

A sua liderança termina assim: “Então, Josué despediu o povo, cada um para a sua herança. Depois destas coisas, sucedeu que Josué, filho de Num, servo do Senhor, faleceu com a idade de cento e dez anos…Serviu, pois, Israel ao Senhor todos os dias de Josué e todos os dias dos anciãos que ainda sobreviveram por muito tempo depois de Josué e que sabiam todas as obras feitas pelo Senhor a Israel” (Js 24.28,29; 31). Eis aí um líder-servo que serviu ao Senhor e deixou o seu legado de amor e fidelidade ao Senhor, liderando o Seu povo.

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