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VIVENDO O REINO DE DEUS

Mas buscai primeiro o seu reino e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas” (Mateus 6.33).

Jesus assinala quatro parábolas para ensinar a relevância do Reino de Deus. Na primeira, Ele retrata a convivência entre o trigo e o joio, o cristão e o não-cristão (vv.24-30). Em nossas igrejas eles vivem juntos. Só o Senhor Jesus pode fazer a separação e isto acontecerá na Sua volta. Na segunda, é a semente de mostarda, a menor das sementes, mas que dá um arbusto que agrega as aves do céu, as hospedando e protegendo (vv.31,32). Na terceira, é o fermento (vv.33,34). Aqui Ele enfatiza a importância do crescimento do Reino. Na quarta, Ele ensina o valor incalculável do Reino. Ele é um tesouro muito precioso. Precisamos renunciar as outras coisas para vivermos o Reino de Deus, o grande tesouro, com intensidade. O Reino é semelhante a uma rede de pesca com todo o tipo de peixe (vv.47-53). Aqui há um ensino sobre a volta de Cristo e Seu juízo. Então o Reino de Deus é relacionamento, acolhimento e proteção, crescimento, um tesouro de valor incalculável e o juízo da parte de Deus por meio de Cristo. Devemos viver estas realidades do Reino de Deus aqui e agora.

No texto de Mateus 6.33, o Senhor Jesus Cristo é preciso em sua exposição acerca da relevância do Reino de Deus quando o coloca em relevo diante da sobrevivência, dos bens materiais e de outras preocupações dos homens. A ordem do Mestre no verbo buscai está relacionada com a prioridade do Reino de Deus, do domínio de Deus no coração do homem. Há uma promessa de provisão em todo o contexto do ensino de Jesus (Mateus 6.25-34). Viver o Reino de Deus significa que ele é central na vida dos súditos ou discípulos de Jesus Cristo. Sabemos que as outras coisas têm ocupado o lugar do Reino. Chamamos isto de ordem inversa. Esta ordem inversa produz desordem nas várias áreas de nossas vidas.

Mas aqueles que reconhecem, adoram, amam e obedecem ao Senhor como único Deus vivo e verdadeiro constituem o Seu Reino, vivendo-o dia após dia pela fé. O Reino é a luz e a vida do mundo. É o sal mediante o qual é preservado. É a semente e o fermento que denotam vida e crescimento (Mateus 13.31-33). Reunir Seu povo nesse reino, e conduzi-lo à sua consumação é o propósito de todas as dispensações de Deus, e o propósito para o qual Seu eterno Filho assumiu a nossa natureza (João 1.14). Por esta razão Ele viveu, morreu e ressuscitou para que fosse Senhor de todos os que foram pelo Pai dados ao Filho na eternidade (João 6.39; Ef 1.1-14). É muito inspirador o conceito paulino acerca do Reino de Deus: “Porque o Reino de Deus não consiste em comer e beber, mas em justiça, paz e alegria no Espírito Santo” (Rm 14.17). O Reino não é legalismo e nem paganismo. A natureza do Reino é espiritual, pois produz cidadãos comprometidos com a comunhão e com a ética de Deus, Senhor da História. 
O Reino de Deus é o domínio soberano de Deus em todas as esferas da vida. Há textos que fundamentam essa verdade: “Falarão da glória do teu reino e confessarão o teu poder; o teu reino é eterno; o teu domínio subsiste por todas as gerações” (Sl 145.11,13); “O Senhor estabeleceu seu trono nos céus, e seu reino domina sobre tudo” (Sl 103.19). No judaísmo posterior, o Reino significa o domínio ou soberania de Deus. Este é o melhor ponto de partida para compreender-se os evangelhos. A palavra basileia é traduzida pela versão inglesa ‘reinado’ ou ‘poder real’ (Lc 19.12; 23.42; João 18.36; Ap 17.12). Viver o Reino significa viver sob o governo soberano de Deus em todas as áreas da vida. Isto significa priorizar o Senhor e Sua Palavra na vida pessoal (devocional), familiar (culto doméstico), eclesiástica (compromisso com a Igreja de Jesus), no trabalho e ambiente acadêmico (testemunho eficaz). Na verdade, é o ensino de Jesus quanto à sermos sal da terra e luz do mundo ou a fazermos diferença em todo o tempo, em cada oportunidade (Mateus 5.13-16; Efésios 5.15,16).
O Reino é presente. Jesus considerou Seu ministério como um cumprimento da promessa do Antigo Testamento na História, próxima da consumação apocalíptica. Isto manifesta-se de modo particularmente claro em duas passagens: Isaias 61.1,2 e Lucas 4.21. A profecia de Isaias se cumpre na vida de Cristo e Ele a revela numa leitura publica na Sinagoga de Nazaré. A afirmação mais forte se encontra em Mateus 12.28: Mas, se é pelo Espírito de Deus que expulso os demônios, então o Reino de Deus chegou a vós”. Um dos milagres mais característicos de Jesus foi o exorcismo de demônios. Jesus deixou o povo maravilhado porque através de Suas ordens os homens foram imediatamente libertados da escravidão satânica. “E logo a Sua fama se espalhou por toda a região da Galileia” (Marcos1.28).  A vinda do Reino pelo qual oramos no Pai Nosso significa que a vontade de Deus seja feita na terra, isto é, que o Seu domínio seja plenamente realizado (Mt 6.10). O reino que Jesus designou para os Seus discípulos (Lc 22.29) é ‘ordem de honra real’. Pedro vai nesta mesma direção em sua primeira carta quando utiliza o termo “sacerdócio real” (2.9,10). A expressão ‘o reino dos céus’ aparece apenas em Mateus, onde é mencionada cerca de trinta e quatro vezes. ‘O reino dos céus’ é uma expressão semítica na qual o vocábulo ‘céus’ é um termo usado em substituição ao nome ‘divino’, Lc 15.18.  (Ladd, pp. 60,61).  
A nossa Declaração Doutrinária da CBB, discorrendo sobre o Reino de Deus, diz: “o Reino de Deus é o domínio soberano e universal de Deus e é eterno (Dn 2.37-44; Is 9.6,7). É também o domínio de Deus no coração do homem que, voluntariamente, a Ele se submete pela fé, aceitando-O como Senhor e Rei. É, assim, o reino invisível nos corações regenerados, que opera no mundo e se manifesta pelo testemunho dos seus súditos (Mt 4.17; Lc 17.20; João 18.36; Mt 6.33; 1 Pe 2.9,10)”. À luz dessas verdades, quando vivemos o Reino significa que o nosso coração está nele. As nossas ações e reações estão submissas aos seus princípios.  É com Jesus que aprendemos a viver a vida do Reino de Deus (Mateus 11.29).

A consumação do reino ocorrerá com a volta de Jesus Cristo, em data que só Deus conhece, quando o mal será completamente vencido e surgido o novo céu e a nova terra para a eterna habitação dos remidos com Deus (Mt 25.31-46; 1 Co 15.24; Ap 11.15). Há plena segurança neste Reino. A vida do Reino tem a palavra fiel e a segurança do Rei. Por isso, Paulo deixa claro: “Pois tenho certeza de que nem morte, nem vida, nem anjos, nem autoridade nem dos celestiais, nem coisas do presente nem do futuro, nem poderes, nem altura, nem profundidade, nem qualquer outra criatura poderá nos separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 8.38,39). Viver o Reino de Deus significa uma experiência segura de descanso na fidelidade daquele que tudo pode (Fil 4.13). Temos um Rei provedor e protetor. Então, devemos viver o Reino de Deus como a nossa prioridade, o nosso contentamento, tendo a absoluta convicção de que Ele suprirá todas as nossas necessidades em Cristo Jesus, Salvador e Senhor nosso, para o testemunho do Evangelho e o louvor da Sua Glória (Fil 4.19,20).

Oswaldo Luiz Gomes Jacob, pastor.

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