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PASTORES FERIDOS

Recentemente, um amigo meu, pastor, pediu perdão à sua ex- igreja por três pecados cometidos: ingratidão, infidelidade e divisão da comunidade eclesiástica. Foi um encontro de grande quebrantamento, uma comoção que tomou todo o auditório e prosperou para o perdão mútuo. Com esta atitude, o pastor saiu curado e a igreja de igual modo. É preciso ter coragem para tomar uma atitude assim. Mais do que coragem, é a obediência ao Senhor que determina a necessidade do perdão. Devemos perdoar uns aos outros como Deus, em Cristo Jesus, nos perdoou (Efésios 4.32). Recebemos o perdão de Deus em Cristo Jesus para perdoarmos os nossos ofensores, os que nos magoaram e nos fizeram mal. O Senhor Jesus é o nosso Modelo de perdão incondicional.

O caso do meu amigo pastor é um caso entre muitos. Há muitos obreiros e igrejas feridos pelas incompreensões, amarguras, ressentimentos, disputas, acusações maldosas, maledicência, invejas, grosseria, impaciência e outros procedimentos muito ruins, que comprometem fortemente a saúde do Corpo de Cristo, a Igreja. Feridas ainda abertas que doem muito. Líderes, Igrejas e famílias que precisam de tratamento. Há muitas pendências por aí. Relacionamentos doentios não tratados. Somos irmãos para vivermos em amor e não em inimizades e relacionamentos conflituosos, que só trazem muito desconforto e enormes prejuízos à igreja de Jesus. Sabemos de obreiros que morreram cedo porque guardaram mágoas que foram absorvidas pelo corpo. Há muitos obreiros que têm problemas com irmãos da Igreja. Há obreiros com enfermidades não de origem orgânica, funcional, mas de origem emocional e espiritual que são fruto de aborrecimentos, decepções e maus tratos. Pastores feridos pelos próprios colegas de ministério.

Vez por outra sabemos de histórias de humilhações pelas quais passam pastores e suas famílias. Há irmãos e pastores muito difíceis, complicadíssimos. Deus não nos chamou para sermos complicadores, mas facilitadores. Paulo, orientando o jovem obreiro Timóteo, assevera: “Ora, é necessário que o servo do Senhor não viva a contender, e, sim, deve ser brando para com todos, apto para instruir, paciente; disciplinando com mansidão os que se opõem, na expectativa de que Deus lhes conceda não só o arrependimento para conhecerem plenamente a verdade, mas também o retorno à sensatez, livrando-se eles dos laços do diabo, tendo sido feitos cativos por ele, para cumprirem a sua vontade”(2 Timóteo 2.24,25). Aqui temos os conselhos de um sábio apóstolo de Jesus Cristo para ajudar um jovem obreiro a exercer a sua vocação com a dignidade de Cristo Jesus.

Deus nos chamou para sermos cheios de Sua graça, Seu amor e perdão. O legalismo adoece os relacionamentos, mas a graça os cura. A Igreja não deve ser ambiente de adoecimento, mas de saúde. Ela é um hospital onde as pessoas são tratadas com amor e ternura; compreensão e aceitação; graça e perdão; sinceridade e mansidão; descanso e contentamento. A Igreja é a comunidade da aceitação, do perdão e da festa sempre sob os auspícios de Cristo Jesus. Ela é a comunidade da harmonia e sinergia. A igreja deve estar unida em torno de Cristo, o Senhor. Para isto, um dos nossos fundamentos é a oração sacerdotal de Jesus: “Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da Sua Palavra; a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste. Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado, para que sejam um, como nós o somos; eu neles e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça que tu me enviaste, e os amaste como também amaste a mim. Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me deste, para que vejam a minha glória que me conferiste, porque me amaste antes da fundação do mundo” (João 17.20-24).

Como pastores, famílias e igrejas devemos buscar o entendimento e, em alguns casos, o tratamento. Não permitamos que os desentendimentos passem de um dia para o outro resultando em amarguras e ressentimentos. (Efésios 4.26). Resolvamos em amor as questões com a maior brevidade possível. Na verdade, todos ganham e o nome do Senhor é glorificado. Os nossos relacionamentos devem fluir como um rio no leito do amor fraternal, que suporta o outro com profunda paciência e mansidão. Sejamos facilitadores da comunhão, perdão, diálogo e dos relacionamentos maduros. Falemos sempre a verdade em amor. Jesus tem o balsamo para as nossas feridas. Ele convida os cansados e oprimidos para os aliviar (Mateus 11.28-30). Ele deseja transformar o nosso pranto em júbilo (Salmo 30.11).

Oswaldo Luiz Gomes Jacob, pr.

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