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ANULANDO A JUSTIÇA DA LEI

Não anulo a graça de Deus; pois, se a justiça é mediante a lei, segue-se que morreu Cristo em vão. Gálatas 2:21.

Para que serve a lei? Primeiro, para mostrar a pecaminosidade humana, visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado. Romanos 3:20. A função da lei é apresentar o pecado ao pecador. Nós não teríamos a consciência do pecado se a lei não exercesse a função de fazê-lo conhecido diante da nossa transgressão.

A boa terapêutica requer um bom diagnóstico, do mesmo modo que a lei decreta o check-up do pecado, a fim de podermos ser tratados pela graça. Sem a vistoria da lei não haverá uma análise clara da nossa natureza perversa, nem a nossa consciência do pecado.

O não da lei incita o desejo rebelde do coração adâmico. O sinal amarelo no trânsito diz: atenção, e o vermelho: pare. Se não houvesse a multa, todos seriam verdes. Mesmo com a penalidade, a infração é coisa comum, pois a lei estimula a inobediência.

Segundo, a lei ocasiona punição. Na ausência da lei não há infração, nem condenação do réu. Aliás, não há incriminação no caso, nem indisciplina. Como saberíamos que estamos em oposição se não houvesse uma posição definida? A censura vem porque a lei suscita a ira; mas onde não há lei, também não há transgressão. Romanos 4:15.

No grego, orge, traduzido por ira, também pode ser expresso como punição. Mas não se pode castigar uma pessoa que não seja infratora. Por outro lado, não há infrator ou violador da regra se não houver regra, por isso mesmo, a lei serve para estabelecer o princípio da contravenção, que requer o corretivo. Na falta da lei não haverá pena.

Terceiro, a lei ressalta a gravidade do pecado e me separa da íntima comunhão com Deus. Outrora, sem a lei, eu vivia; mas, sobrevindo o preceito, reviveu o pecado, e eu morri. Romanos 7:9. Essa morte aqui não se trata da extinção da vida biológica, mas da separação de Deus. Por causa da lei que me acusa do pecado, nado contra a correnteza da graça, movido pela culpa. Isto é mortal para a alma ansiosa.

Quarto, a lei, operando na carne, frutesce para a morte. Porque, quando vivíamos segundo a carne, as paixões pecaminosas postas em realce pela lei operavam em nossos membros, a fim de frutificarem para a morte. Romanos 7:5. Ninguém consegue viver adequadamente no regime da lei. Tudo aqui neste terreno pantanoso das paixões cheira a cadáver ou podridão legalista. A lei acusa a mente e sufoca a liberdade.

Quinto, na lei, nenhuma pessoa pode ser perdoado diante de Deus, uma vez que jamais se exerce fé por meio da lei. É evidente que, pela lei, ninguém é justificado diante de Deus, porque o justo viverá pela fé. Gálatas 3:11. A lei abstrai a fé da pessoa de Jesus.

É impossível haver justificação do pecador através do cumprimento da lei. A vida legal é uma vivência de executivo, isto é, uma realização pessoal de gerência. É preciso cumprir a lei, para viver pela lei. Significa não dar bola para a obra de Cristo na cruz.

Mas a lei reflete o caráter de Deus. Por conseguinte, a lei é santa; e o mandamento, santo, e justo, e bom. Romanos 7:12. Minha natureza é perversa e meu coração é enganoso. Como pode um iníquo praticar a lei de Deus à altura do seu caráter santo?

Sendo um transgressor da lei, por natureza, não sou capaz de praticá-la por intuito. Ela não é a minha praia favorita, nem tenho disposição correspondente para o exercício das normas legais, voluntariamente. Minha inclinação habitual é viver em desobediência à lei, por isso não posso ser justificado por aquilo que me contraria e incomoda.

Aquele que promulgou a lei santa, boa e justa sabe que eu sou ímpio, mau e censurável, por isso, ele exige a minha morte. A justa exigência da lei requer a morte do réu, mas a misericórdia incontida do Pai promove a redenção, remissão, regeneração, retidão e o reinado do pecador através da pessoa e da obra de nosso Senhor Jesus Cristo. Não há alternativa. Só a morte do pecador com Cristo pode justificá-lo do seu pecado.

Sexto, a lei é uma ação imperiosa nos conduzindo a Cristo. Sendo a lei um check-up incisivo e não podendo nos tratar satisfatoriamente, ela nos encaminha ao Médico dos médicos, para sermos justificados por sua graça plena. De maneira que a lei nos serviu de aio para nos conduzir a Cristo, a fim de que fôssemos justificados por fé. Gálatas 3:24.

A vida cristã não é uma conquista obtida pelo pecador, mas o dom gracioso concedido pelo Salvador. Nada do que fazemos, positivamente, pode nos levar a subir ao pódio da glória de Deus. Nada do que fazemos, negativamente, pode empanar o brilho na entrega da medalha eterna do perdão incondicional. A salvação divina não pode ser uma aquisição do mérito. De fato, é uma premiação audaciosa em razão do demérito humano.

O Pai das misericórdias e Deus de toda graça não exige do indigno pecador uma transformação progressiva do seu ego corrompido pelo pecado. Ele não vê opção para o ego, senão a sua morte. A alternativa do Pai é a substituição do ego, (que aparentemente pode parecer bom, ainda que seja realmente mau,) pela vida santa e pura do seu Filho.

Tudo começa na cruz. Lá, o homem e Deus se topam numa mesma pessoa. Jesus, a natureza humana, vaza o seu sangue, sem pecado, para justificar os pecados dos pecadores, enquanto Cristo, a natureza divina, assume a iniquidade dos pecadores, a fim de torná-los filhos de Deus por meio de sua ressurreição. Porque eu, mediante a própria lei, morri para a lei, a fim de viver para Deus. Estou crucificado com Cristo; Gálatas 2:19.

A lei exigia a minha morte e a graça me outorga uma nova vida. Não há opção. Só a morte do ego com Cristo na cruz pode garantir o espaço para a entronização da vida de Cristo ressuscitado. A vitória cristã não está num processo progressivo, mas numa Pessoa.

Ao nos incluir em Cristo crucificado, o Pai substituiu o nosso ego co-crucificado com Cristo, pela vida ressuscitada do seu Filho. A questão aqui não é de evolução espiritual do ego adâmico, mas de sua permuta pela vida de Cristo. Nada que seja do nosso ego, descendente de Adão, é aproveitável diante de Deus, pois até as coisas, aparentemente boas, estão todas contaminadas pelo egoísmo vanglorioso.

No reino de Deus não se espera a evolução da vida egoísta, nem se promove a reciclagem dos seus restos mortais. A obra da cruz visa trocar Adão, o velho homem, por Cristo, o novo homem. Caso isto não aconteça, não haverá vitória na vida espiritual.

O Senhor não espera podar o ego, nem usar de repressão para causar avanço espiritual. A fé não labora à coação. A vida extinta na cruz cria o clima para a expressão do viver de Cristo, logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; Gálatas 2:20a.

Não eu, mas Cristo é uma substituição de governo. Muita gente anseia evoluir na sua vida espiritual tentando melhorar o seu ego. Não tem jeito. Eu também tenho tentado este método, mas venho fracassando, vez após vez. Temos que admitir que a vitória na vida cristã, nada tem a ver com o ego, mas com Cristo. Só Ele é vitorioso em nós.

Para anularmos a justiça da lei que nos domina desde o Éden, temos que viver pela fé, do começo ao fim da nossa jornada. A nossa vitória, na vida espiritual, vem apenas de uma certeza: Cristo é a nossa Vida. Graças, porém, a Deus, que, em Cristo, sempre nos conduz em triunfo e, por meio de nós, manifesta em todo lugar a fragrância do seu conhecimento. 2 Coríntios 2:14.

Esse triunfo é um dom de Deus e nunca uma conquista humana. Tudo na nossa vida cristã tem que ser rigorosamente pela graça, pois, caso contrário, corre-se o risco de se alimentar, sutilmente, algum sentimento de orgulho, por gozar aquela benção. Nada pode ser mais perigoso do que uma gota de vaidade pingada na alma de um filho de Abba.

Se houver 0,01% de mérito de nossa parte, isto acabará botando a perder todo o valor do sacrifício de Cristo. Se a nossa justiça advier pelo cumprimento de um ínfimo princípio da lei, então a morte de Cristo será, realmente, vã e, a nossa fé nele, inútil. Neste caso, estaremos anulando a graça de Deus e validando a justiça da lei.

O apóstolo Paulo diz: Porque o pecado não terá domínio sobre vós; pois não estais debaixo da lei, e sim da graça. Romanos 6:14. Watchman Nee pergunta, neste contexto: “o que significa estar debaixo da lei”? E ele responde: “é estar numa posição em que Deus exige que o homem trabalhe para Ele, enquanto o estar debaixo da graça, é permanecer na posição em que Deus trabalha para o homem”. Isto faz toda a diferença.

A vida de Cristo em nós não é tomada a força, nem adquirida a mérito. Ela é uma dádiva da graça que cresce graciosamente alimentada pela Palavra de Deus, através do poder do Espírito Santo que habita em nosso interior. E toda a diligência de nossa parte é também patrocinada, sustentada e conduzida pela suficiência da graça do Pai, para a glória de nosso único e soberano Senhor e Salvador, Jesus Cristo. Aleluia. Amém.

Por: Glenio Fonseca Paranaguá  (site da Primeira Igreja Batista de Londrina)
07/11/201

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