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A VAIDADE DOS ÉTICOS

A vaidade é um sentimento de grandeza, desejo de eminencia e elevação de si mesmo. Sem dúvida, é um sentimento que tem a sua origem, a sua gênese na desobediência dos nossos pais no Éden. A artimanha da serpente era tornar Adão e Eva vaidosos, senhores de si mesmos e capazes de se autogovernarem e se autopromoverem. A vaidade se revela interna e externamente. A estética como estilo de vida mostra drasticamente a vaidade do coração. Adquirir coisas caras para se afirmar na vida é uma atitude de vaidade. A pessoa vaidosa gosta de aparecer. A vaidade é um sintoma do coração doente, da cardiopatia produzida pelo pecado. O antidoto é a simplicidade do evangelho. A Pessoa de Cristo que se humilhou por amor a nós. Ele, sendo Deus, tomou a forma de servo e fez-se semelhante aos homens (Fil 2.5-8).

Precisamos considerar com muita seriedade a vaidade ética daqueles que se acham invulneráveis, que têm a especialidade característica do religioso de se considerar melhor do que o outro. Jesus acertou em cheio ao contar a parábola do fariseu e do publicano. Diante do altar, em oração, o fariseu era um vaidoso do ponto de vista ético, moral. Aliás, esta atitude denota moralismo, enquanto a simplicidade dos que têm consciência de suas falhas, limitações, chama-se moralidade. Os chamados éticos vaidosos são insensíveis em relação ao erro dos outros. Como o fariseu da parábola contada por Jesus, eles batem no peito e agradecem ao Senhor que não são como os outros homens, ladrões, injustos, adúlteros (Lc 18.11).

Os que são acometidos de vaidade ética confiam em si mesmos, se consideram justos e desprezam os outros (Lc 18.9). Jesus diagnosticou o problema com muita precisão. Vivemos dias difíceis, de homens e mulheres da mídia chamada evangélica que dão lição de moral em todo mundo. Parece-nos que eles não têm pecados, são pessoas perfeitas, acima daqueles que se acham incapazes de olhar para o alto, se lamentam profundamente e pedem misericórdia ao Senhor (Lc 18.13). A vaidade dos éticos os leva a uma vida utópica. A sua mente fica cauterizada pelos próprios pensamentos. O seu coração endurecido por uma religiosidade voltada para o moralismo. Estão mais preocupados com o seu trabalho, sua profissão do que com pessoas e suas necessidades.

Jesus nos ensina que “todo o que se exaltar será humilhado; mas o que se humilhar será exaltado” (Lc 18.14). A vaidade ética é, na verdade, uma atitude de se exaltar, se achar melhor do que os outros. Essa gente pensa que é tão santa que não se mistura, pois a plataforma do seu moralismo está muito acima dos que eles chamam de fracos, carnais e enfermos. Há homens e mulheres que são idolatrados, ovacionados pelos chamados ‘fiéis’. Cantores evangélicos se acham referenciais éticos. Pregadores da TV são verdadeiros monstros sagrados da Igreja de Jesus. Lideres da mídia vivem regaladamente. Cantores recebem uma fortuna e as gravadoras seculares se aproveitam para os promoverem e ganharem dinheiro. Essas pessoas são tão bajuladas (e isto me causa asco), tão requisitadas e tão famosas que se acham acima de qualquer suspeita. Elas perdem a consciência moral. Não percebemos humildade nessa gente. Muitos deles usam os crentes sinceros para inflar a sua vaidade. É aqui que perdem a consciência da ética cristã.

Que o Senhor nos livre da vaidade ética dos escribas e fariseus e nos dê a consciência das nossas fraquezas, limitações e desvios tão presente nos publicanos. Que o nosso Pai nos ajude a viver como Seus filhos obedientes. Que olhemos para o Senhor como motivação para vivermos uma vida pura, saudável e útil. Que a ética do Reino de Deus permeie todo o nosso ser. Sejamos pacientes com os que erram. Odiemos o erro, o pecado, mas amemos o errado, o pecador. Tenhamos a consciência de que falhamos, mas o perdão de Deus em Cristo Jesus é real e eficaz. Aprendamos com Jesus a amar as pessoas, entende-las e ajuda-las nas suas lutas diárias. Que o Senhor avive a nossa consciência, examine o nosso coração e firme bem os nossos passos. Deixemos todo o pecado que nos assedia e corramos com perseverança a carreira que nos está proposta, olhando para Jesus, o Autor e Consumador da nossa fé (Hb 12.1,2).

Oswaldo Luiz Gomes Jacob, pastor.

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