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A SABEDORIA DA TERNURA

Ao considerar este tema que, na verdade, é o do livro em inglês do Brennan Manning, estou pensando no nosso Senhor Jesus Cristo. Quando fazemos uma leitura meditativa dos evangelhos percebemos a sabedoria da ternura na vida do Mestre. Os Seus diálogos com os discípulos e com as pessoas necessitadas sempre foram marcados pelo Seu caráter terno, do Seu coração, a partir da Sua relação íntima com o Pai. O próprio convite de Mateus 11.28-30,“Vinde a mim todos os que estais cansados e oprimidos e eu vos aliviarei”, revela o quanto o Salvador era terno. Como Ele era sensível, empático com as pessoas que O procuravam para expor suas necessidades! O Senhor Jesus gostava das festas e ali encontrava algumas pessoas carentes como a mulher pecadora de Lucas 7.36-50, rejeitada pela turma legalista e implacável em apontar os erros dos outros. O propósito do Mestre era sempre interagir com as pessoas carentes a partir do Seu amor e manifestar curas. As Suas entranhas fervilhavam de amor pelas pessoas cansadas e oprimidas, escravas do inimigo e reféns de consciências pesadas, quase que insuportáveis. Impressiona-me a solidariedade do Senhor Jesus. As pessoas sofredoras percebiam como Jesus era sensível às suas múltiplas necessidades. Ele tinha o poder de atrair os perdidos, os maltrapilhos e os que sofriam todo o tipo de preconceito.

Mas considerando esse tema, o que seria ternura? Segundo Azevedo, “ter coração terno, sensível, mimoso, ter o coração no pé da boca, queimar-se, emocionar-se até às lágrimas; tocar ao coração; sensível, sensitivo; afetivo, impressionável” (Azevedo 2010: 383,384). Estas palavras revelam o caráter do nosso Senhor Jesus. Ele olhava para as pessoas perdidas, enfermas e desamparadas com uma profunda compaixão que lhe era peculiar. Era cheio de ternura na missão que recebeu do Pai sempre terno. A sabedoria da Sua ternura estava em falar sempre a verdade, ser íntegro e profundamente comprometido com a vontade soberana de Javé. A sua ternura era manifestada no leito do amor. A ternura do Mestre se revelava na Sua capacidade de discernimento, de colocar as palavras certas na hora certa e pelos motivos corretos. O Mestre se emocionou ao ver Jerusalém mergulhada no legalismo, secretismo religioso, secularismo e na insubmissão a Javé. Mostrou claramente a Sua ternura quando pegou as crianças nos Seus braços fortes e as abençoou (Mc 10.13-16).

A ternura de Jesus fazia parte da Sua natureza. Ele era um com o Pai (João 10.30). O Deus que se manifestou em carne, cheio de graça e de verdade (João 1.14). O coração do Mestre era pleno de compaixão pelas almas perdidas. As Suas lágrimas eram fruto de uma sensibilidade inigualável. A Sua ternura era proveniente da Sua graça, a mesma graça do Pai – que salva, restaura, encoraja e concede visão ao que crê. A Sua afetividade era conhecida entre os párias, que viviam à margem da sociedade espartana – uma sociedade especialista em alijar os doentes, constituída de políticos, aristocracias judaica e romana, religiosos de carteirinha, autossuficientes, comprometidos com a aparência e com uma religiosidade mecânica, sem vida. Jesus, por sua vez, estava comprometido com a sinceridade do coração, a graça do perdão, com o acolhimento dos rejeitados, tendo como base a eficácia da justificação pelo Seu próprio sacrifício na cruz, pelo Seu sangue derramado por nós. Jesus estava impressionado com a insensibilidade dos religiosos judeus e governantes da sua terra e dos romanos.

Aprendemos com o Mestre, em Sua sábia ternura herdada do Pai, a ouvir, compreender, encorajar, confrontar e orar com e pelas pessoas. Que a ternura do Senhor é um traço bem marcante da Sua personalidade e deve ser o nosso também. Que devo me engajar no trabalho árduo, mas desafiador e belíssimo, de ajudar as pessoas nas suas lutas, mazelas e traumas. Aprender a ouvi-las com atenção, com sensibilidade que a ternura propicia. Seguindo a orientação de Tiago, que eu seja pronto para ouvir, tardio para falar e tardio para se irar (Tg 1.19). É tempo de semear a ternura do Pai e do Filho, aplicada pelo Espírito Santo em todo o canto e em todo o tempo. Que a ternura de Cristo encha as nossas entranhas. Que seja transformada em atitudes e atos usados e ousados de forma a beneficiar o maior número de pessoas. Onde quer que estejamos sejamos cheios da ternura de Jesus Cristo. Ele é o terno Salvador que nos salvou e nos encheu de ternura para a glória do Deus perfeitamente terno.

Oswaldo Luiz Gomes Jacob, pastor.

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