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A ESPERANÇA DO CHAMAMENTO

Por: Humberto Xavier Rodrigues (Site da Primeira Igreja Batista em Londrina, PR)
31/10/2010

Iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos e qual a suprema grandeza do seu poder para com os que cremos, segundo a eficácia da força do seu poder. Efésios 1:18.

A vida cristã é dinâmica. Uma vida que está sempre num processo de mudança. Isto porque, nós cristãos, estamos sendo continuamente transformados. Esse processo de transformação, até à semelhança de Cristo, começou no dia em que, pela graça de Deus, fomos substituídos. Algumas pessoas consideram esse dia como se fosse a última etapa da vida. Porém, como na vida cristã não há cerimônia de formatura, esta atitude revela o quanto estas pessoas desconhecem o propósito para o qual foram chamadas.

Por isso, ao serem salvas, dizem: “Eu já me formei na vida cristã; agora só espero o dia em que irei para o céu. Graças a Deus, porque estou livre do fogo do inferno”. Porém, o novo nascimento é a porta que se abre para uma longa jornada. No momento em que somos salvos somos introduzidos no caminho. Entrai pela porta estreita (larga é a porta, e espaçoso, o caminho que conduz para a perdição, e são muitos os que entram por ela), porque estreita é a porta, e apertado, o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que acertam com ela. Mateus 7:13-14.

O texto acima deixa claro que há uma porta e um caminho. A porta tipifica a cruz. Isto significa que, ninguém entra no caminho sem primeiro passar pela porta. Negligenciar este ponto é assinar o veredicto do seu destino eterno para o inferno. Pois, não há esperança para o homem fora da cruz de Cristo; não há qualquer possibilidade de salvação para o homem fora da sua morte no corpo do Senhor Jesus Cristo. Insensato! O que semeias não nasce, se primeiro não morrer. I Coríntios 15:36.

A partir do momento em que somos salvos, Deus define um propósito para nossas vidas. Vivemos aqui na terra com um propósito de Deus em nossas vidas: Ele quer que cada um de nós seja parecido com o Seu Filho – o nosso Senhor Jesus Cristo. Não devemos pensar como pensam os incrédulos; eles não sabem se estão vivendo para comer ou comendo para viver, ou, numa segunda hipótese: não sei de onde vim o que sou ou pra onde vou.

Nós, os gerados de novo, devemos saber que há um propósito por trás da nossa salvação. Há um ditado popular que diz: Quem não sabe pra onde ir, vento nenhum sopra a favor. A nossa vida se assemelha a um objeto que é levado para o laboratório para ser cuidadosamente trabalhado. Depois de salvos, Deus nos introduz em Seu laboratório, e lá, passaremos por uma série de experiências. E, por meio de todas essas experiências, o Espírito Santo pacientemente estará trabalhando – bordando o caráter de Cristo em nossas vidas.

O que Deus planejou para os seus filhos, Ele vai realizar. O que Ele começou vai terminar. “Um dia” Ele trocou a nossa natureza pecaminosa e, nos “dias” seguintes, Ele trabalhará para obter aquilo que Ele mesmo planejou: fazer com que sejamos parecidos com o Seu Filho. Este trabalho é exclusivamente Dele. Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus. Filipenses 1:6.

Por isso, Aquele que começou a boa obra em nós não descansará. Deus estará trabalhando continuamente. Ele usará cada detalhe, cada momento e todas as circunstâncias para forjar o caráter de Cristo em nossas vidas. O princípio da cruz estará sempre em movimento para nos moer, para nos quebrar. Quebrar as nossas pretensões e tudo aquilo que não vem de Deus.

Quando aprendemos que Deus quer nos fazer parecidos com o Seu Filho, começamos a adorá-Lo e, não mais reclamamos das circunstâncias. Seremos capazes de dizer: “vem vento norte, vem vento sul”. Seremos capazes de dizer: “Senhor, eu não consigo entender o que está acontecendo, mas sei que Tu queres o melhor para mim, mas te louvo” porque: Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. Romanos 8 28-29. Vemos aqui a razão pela qual fomos chamados: para sermos conformes à imagem de Seu Filho. E, os meios que Deus usa para que isto aconteça: Todas as coisas cooperam para o bem.

Assimsendo, as situações que acontecem em nossas vidas, não são castigos de Deus como muitos pensam; são instrumentos para revelar nossas fraquezas, e por elas, reconheçamos que a nossa força repousa no poder de Cristo. Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte. 2 Corintios 9-10.

Encontramos duas orações do apóstolo Paulo pelos crentes em Éfeso: Para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele. Efésios 1:17 ; E conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus. Efésios 3:19. A primeira oração tem como finalidade a ampliação da visão, isto é, “olhos abertos” para vermos a riqueza que há em Cristo. A segunda fala da plenitude.

Vemos que na primeira oração, o Apóstolo não menciona apenas conhecimento, mas pleno conhecimento. Por isso, devemos pedir a Deus espírito de sabedoria e de revelação, para conhecermos a Jesus em plenitude. Precisamos pedir a Deus espírito de sabedoria e de revelação para vermos a total suficiência de Cristo, em todos os aspectos de nossas vidas. Cristo é totalmente suficiente para salvar e totalmente suficiente para nos conduzir em triunfo.

Há dois pontos que precisamos observar no versículo que adotamos como base deste estudo (Efésios 1:18). O primeiro é a esperança do seu chamamento, e o segundo é a sua herança nos santos. A esperança do nosso chamamento nos fala da saída de um lugar para outro. Exemplo: Abraão saiu de Ur dos Caldeus para a terra de Canaã. Ur dos Caldeus nos fala da nossa natureza pecaminosa. Canaã nos fala da plenitude de Cristo. Então, o nosso chamamento é para sairmos “do” “para”. A cruz é o fundamento desse chamamento: E dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me. Lucas 9:23. A velha vida, a vida adâmica tem que dar lugar à nova vida – a vida de Cristo. É impossível responder ao chamado de Deus para sermos parecidos com o seu Filho, sem que antes tenhamos passado pela morte em Cristo.

O segundo ponto nos fala da sua herança nos santos. Todos nós dizemos: “Cristo é a nossa herança; Ele é o nosso Salvador; Ele é o nosso Pastor”. Não há nada de errado em afirmar essas verdades. Entretanto, quando afirmamos que “Cristo morreu por mim”; “Cristo me ama”; “Ele me guia” – ainda que tudo isto seja verdadeiro e maravilhoso – estas frases sugerem uma dose de egocentrismo; parece que somos sempre o centro de tudo.

Porém, a expressão: a sua herança nos santos ou a sua herança em nós muda o foco das coisas. No início da nossa salvação tudo gira em torno de nós mesmos, no entanto, ao longo da caminhada com Deus, descobriremos por revelação divina, que tudo deve girar em torno de Cristo. Este é o propósito de Deus: revelar que Cristo é o centro de tudo, e não nós. Por isto, esta é uma expressão de grande significado: a riqueza da glória da sua herança nos santos. Qual é a riqueza da glória? Cristo em nós.

Iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu chamamento. Este é o verdadeiro sentido ou o propósito para o qual fomos salvos: conhecer o Senhor Jesus. Tal conhecimento vem por revelação; não é um conhecimento intelectual ou um assentimento mental, mas um conhecimento experimental, vivo.

Próximo da Sua partida da terra, o Senhor Jesus definiu o que é vida eterna: E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste. João 17:3. Deus não somente quer que O conheçamos, mas que conheçamos também qual é o Seu chamamento e qual a Sua herança nos santos. Em outras palavras, Deus quer que O conheçamos e prossigamos em conhecê-Lo.

Sabemos que um dia iremos para o céu, mas, muito mais do isto é sabermos que o propósito de Deus é glorificar o Seu Filho, nos tornando parecidos com Ele. Um dos amigos de Sadu Sundar Singh, escrevendo mais tarde um livro de recordações referentes a ele, deu-lhe este título: “Sadu Sundar Singh, o homem que se parecia com Cristo”. Certa vez, na Inglaterra, prometeu uma visita, e dirigiu-se na hora marcada à casa da pessoa a quem ia visitar. Atendeu à campainha uma empregada vindo poucos dias antes da aldeia. Sadu deu o seu nome e ela correu para a patroa: Lá fora está um homem procurando a senhora; o nome dele é uma embrulhada que não se entende, mas o aspecto dele faz pensar que bem pode ser Jesus.

Que Deus pela Sua infinita bondade ilumine os nossos olhos para vermos a beleza do nosso Senhor Jesus Cristo. Amém!

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