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A escravidão pela religião e a libertação pelo evangelho

O nosso texto em análise é Lucas 13.10-17: A história de uma mulher paralítica tomada de um espírito de enfermidade por 18 anos. Assim como o espírito a escravizada pela enfermidade, há muitas pessoas em nossas igrejas que estão escravizadas pela religião. Comprometidas com o ativismo, a performance, a projeção pessoal, a aparência, organização, estrutura eclesiástica, os ritos, etc. Elas estão inclinadas a julgar o próximo. Sentem-se mais santas do que os demais na igreja. Buscam o reconhecimento das pessoas pelo que fazem. Apreciam muito o elogio, a tietagem. Paulo nos ensina que foi para a liberdade que Cristo nos libertou (Gálatas 5.1). O texto de Lucas nos revela o contraste entre a escravidão religiosa e a liberdade do evangelho de Cristo.

Precisamos fazer uma pergunta: Por que Jesus estava ensinando numa Sinagoga no sábado? Certamente Jesus é maior do que o sábado (v.10). O Mestre estava ensinando que o amor a Deus e ao próximo é a síntese da Lei (Mateus 22.34-40). Jesus estava ali para curar aquela mulher e confrontar os religiosos judeus. O Salvador estava lá para demonstrar o amor do Pai em Sua nobre missão. O Senhor Jesus amava aqueles judeus legalistas. Ele sempre lhes falava a verdade. Sempre os alertava. Aquela senhora, porém, possuía um espírito de enfermidade que a encurvava (v.11). A deformidade da mulher é descrita por A. Randle Short como ‘espondilite deformans; os ossos da sua espinha foram fundidos numa massa rígida’ (Leon Morris).

Em função de uma opressão maligna, esta enfermidade já se arrastava por 18 anos. O espírito maligno a escravizava, fazendo-a olhar para o chão. Ela era uma mulher muito infeliz, com limitações profundas. Jesus a chamou. Como foi este chamado? (v.12). Com que objetivo o Senhor a chamou? O Senhor Jesus chama, convida os cansados e os oprimidos para os aliviar (Mateus 11.28-30). O chamado de Jesus é direto, amoroso, misericordioso e sempre para fazer o bem. O Senhor contempla o nosso sofrimento, as nossas aflições, os nossos fracassos, as nossas decepções, a nossa dor, as nossas feridas. Jesus impôs as mãos sobre a mulher. Ela se endireitou e passou a glorificar a Deus. Deus, o Pai, foi glorificado pelo poder do Filho na vida daquela mulher (v.13).

Um novo cântico foi posto na sua boca que seus pés estavam fora do charco de dezoito anos (Salmos 40.2,3). O laço do passarinheiro (Salmos 91.3) foi destruído por Aquele que veio para curar a todos os oprimidos do diabo (Atos 10.38) e sua alma como um passarinho solto, cantava louvores, a céu aberto, do amor redentor de Deus (Boyer). A reação do chefe da Sinagoga foi compatível com o seu legalismo, pois estava mais preocupado com o sábado do que com o sofrimento daquela mulher (v.14). Ele estava valorizando o dia em detrimento da alegria da cura da mulher. Ele se esqueceu de que o sábado foi feito por causa do homem. Uma vida vale mais do que o mundo inteiro. O sábado não foi feito para ser idolatrado, mas para honrar a Deus. A reação confrontadora de Jesus foi absolutamente correta, pois os religiosos cuidavam dos seus animais no sábado (v.15). Jesus os chamou de hipócritas. Por que razão? Jesus percebe a incoerência da religião, fruto de um coração legalista, endurecido pela incredulidade. Os religiosos estavam valorizando mais os animais e a economia do que as pessoas.

Jesus chamou aquela mulher de filha de Abraão. Aqui notamos claramente o enorme valor da fé. Paulo diz que “os que são da fé são filhos de Abraão” (Gálatas 3.7). O Senhor deu muito mais valor à vida daquela senhora do que o sábado. Houve duas reações distintas: a da religião e a do evangelho (v.17). Os adversários ficaram envergonhados.

O povo se alegrava pelas coisas gloriosas que Jesus fazia. A religião valoriza coisas, mas o evangelho, pessoas; a religião é fria; o evangelho é aquecido; a religião é insensível, o evangelho, porém, sensível; a religião é legalista; o evangelho é graça pura; a religião julga, mas o evangelho traz perdão; a religião rejeita o errado, mas o evangelho perdoa o erro e aceita em amor; a religião não tem poder, mas o tem o evangelho; na religião o mérito é do homem, mas no evangelho o mérito é de Cristo. A religião ou o sistema religioso escraviza, embrutece, endurece o coração do homem. O evangelho de Jesus liberta, amolece ou sensibiliza o coração do homem. Vivamos e preguemos esse evangelho maravilhoso, que é o poder de Deus para a salvação do que crê (Romanos 1.16).

Oswaldo Luiz Gomes Jacob, pastor.

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